| | | BOM DIA | as coisas inúteis | “a arte é inútil”; o amor, a amizade, o lazer, a fé são inúteis. mas qual seria o sentido das tantas coisas “úteis” que fazemos, se não fossem nos permitir desfrutar um pouco mais de tudo isso? no fim, precisamos das coisas inúteis até mais do que das coisas úteis, porque estão nelas as nossas razões. | …. | | | | Oscar Wilde, autor, dramaturgo, romancista e poeta irlandês, certa vez proclamou: | | Mas o interessante é que isso, na verdade, seria como um elogio à arte. Vamos entender o porquê. | Wilde viveu de 1854 até 1900 em meio à Segunda Revolução Industrial, marcada pelo avanço global de maquinários com o uso da energia elétrica, aço e petróleo. Ou seja, marcada também por um novo formato de relação do homem com o trabalho e com o tempo. | | O autor irlandês é só mais um dos tantos que soltam gritos de rebelião contra esse novo formato. | É ele quem, nessa mesma lógica, também escreve a famosa frase: “Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.” Evidentemente, muito influenciado pelas circunstâncias do seu tempo. | Circunstâncias que, em certa medida, ainda parecem muito semelhantes às do nosso tempo. Já nascemos dentro dessa lógica utilitarista sobre a existência. | Em nossa mente, muitas vezes o nosso valor é proporcional àquilo que fazemos e produzimos e não àquilo que somos e nos tornamos. |
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| Veja bem, essa não é uma crítica à realidade e aos modelos sociais que temos. As coisas são como são e temos que viver bem em meio a essas circunstâncias que nos foram dadas no nosso período de existência. Mas isso implica justamente refletir sobre a realidade que nos cerca para que possamos lidar com ela da melhor forma. | E o fato é: vivemos nesse tempo em que “a arte é inútil”. Entenda e substitua a palavra “arte” aqui pelo que quer que seja que você possa dar nome e que não produza nenhum ganho financeiro ou material quando você investe tempo da sua vida nisso. | A arte é inútil; A amizade é inútil; A fé é inútil; O amor é inútil…
| Afinal, qual seria a utilidade prática, palpável e produtiva dessas coisas? | A utilidade delas não existe nesse sentido, mas no de nos tornarem muito mais humanos e, portanto, capazes depois de nos nutrirmos através delas. | Ou seja, precisamos das coisas inúteis tanto quanto ou até mais do que das coisas úteis. Tanto que sempre as cultivamos em meio às tantas formas que já nos organizamos para viver. Consegue perceber? |
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| Qual sentido teriam as coisas “úteis” que fazemos senão fossem para desfrutarmos dessas coisas inúteis um pouco mais, com mais calma, mais tempo e plenitude? | Nossa sociedade consumista coloca a utilidade como prioridade e a beleza, a contemplação e a devoção só um efeito colateral, quando, na verdade, a utilidade seria justamente um meio para entrar em contato com essas coisas que ficam de escanteio. | Coloque a utilidade como prioridade e você irá perdê-la. É só pensar na arquitetura moderna e quantas edificações construídas por ela acabaram em desuso por saírem de moda e ficarem feias. Tente se lembrar de alguns prédios abandonados e pichados que existem espalhados pela cidade em que você vive para entender. | Mas coloque a beleza, a arte, a “inutilidade” em primeiro lugar e veja algo se tornar útil para sempre. | Pense nos edifícios elaborados que se tornaram museus que você já visitou ou nos monumentos, esculturas, pinturas e músicas que você já apreciou e pensou: “como alguém conseguiu fazer isso?” Ou ainda, pense nas suas experiências de amar algo ou alguém e em como elas moldaram quem você será para sempre.
| Nesse sentido, nada é mais útil do que o inútil e, como seres humanos, precisamos dos dois extremos. | Precisamos ser funcionais, mas também precisamos ser contemplativos e, simplesmente, humanos, exaltando a nossa habilidade de existir como seres pensantes e capazes de amar. |
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| Talvez as coisas que você deixou de dar atenção ao longo do tempo, por julgar inúteis, sejam justamente aquelas que têm o poder de te trazer de volta à vida. | — @Sarinha |
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| | Nossa vida financeira está cada vez mais parecida com a destes personagens… | | A gente achava engraçado a forma como Carrie, Joey e Penny estavam sempre lutando pra pagar o aluguel… Hoje, isso soa familiar, né? | | Vamos pensar na Carrie: se ela quisesse comprar um apartamento de R$ 100 mil, com o Plano 50 da Ademicon ela poderia pagar só R$367/ mês até conquistar esse objetivo (e ainda sobraria pro aluguel e pra uns sapatos, risos). | |
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| | 81,69% de vocês votaram “Sim” na enquete da última semana, dizendo que conseguiram se render a algumas interrupções e/ou dar espaço para aquilo que a vida está tentando lhes falar, mostrar e ensinar através de uma experiência diferente, fora dos padrões de suas rotinas tão automatizadas. A seguir, alguns comentários: | 👏 “E como consegui. Perdi meu emprego de mais de 10 anos e, pasmem, o mundo ainda está firme e forte. Estou me sentindo livre e as interrupções que existiam deram lugar à realização de ações que há muito tempo estavam engavetadas, os horários mais bem definidos e o melhor de tudo: tempo para caminhar na praia. Às vezes, o que pensamos ser um desastre vem a ser uma porta que Deus lhe mostra e diz: segue que agora tem um novo livro para ser escrito e vivido.” ⏱️ “Normalmente, acordo às 07:30 e começo meus afazeres do dia. Arrumo a cama, me arrumo, organizo a casa, tomo café da manhã, faço exercícios em casa 3x por semana, faço devocional, inglês e leio uns 30 minutos. Mas ontem tive que levar minha sobrinha para fazer um exame de sangue — e isso já mudou a rotina. Acordei às 06h, fiz apenas o básico em casa, coloquei roupa para bater, comi 1 bolacha (sim, apenas 1 bolacha rosquinha, porque gosto de comer com tempo ou não comer rsrs), levei ela e voltei perto das 08:30. Já desregulou tudo e acabei não fazendo mais nada, apenas estendi a roupa, coloquei tapetes para bater, fiquei esperando dar o horário de almoçar e me arrumar para o serviço. O tema de hoje é bem sobre isso, tudo ou nada, mas não devemos ser assim, devemos ter um equilíbrio. E me cobro para ser equilibrada também rsrs. Aos poucos vamos melhorando.” |
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| | Ao longo dessa semana, faça algo inútil. | Deixe um lugar mais bonito; Leia um livro apenas porque se interessa pelo tema; Tire um minuto para escutar uma música que você gosta e mais nada; Chame um amigo para tomar um drink, um café e conversar; Ou, então, vá observar as árvores do parque mais perto de você.
| Essas experiências de contemplação nos colocam diante dessa realidade útil das coisas inúteis. | A beleza, o amor, a bondade, alegria são valores que nos elevam ao que há de mais permanente e significante sobre a nossa existência. |
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| Menos complexo do que explicar tudo isso é simplesmente perceber e experienciar. Por isso, ao longo dessa semana, tente dedicar algum tempo a coisas “inúteis” e perceba como elas se relacionam àquilo que você é e irá se tornar, para muito além daquilo que você faz ou é capaz de produzir. |
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| | | | ❝ | | | A porta da felicidade abre-se para dentro. | | | | Søren Kierkegaard |
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| Talvez você acredite que uma mudança de circunstâncias resolverá tudo aquilo que está ruim — e, realmente, muitas dificuldades da vida dependem de algumas circunstâncias. Um bom trabalho, um relacionamento saudável, mais estabilidade financeira e mais saúde tornam a vida objetivamente melhor. | | Existe uma parte da existência que nenhuma conquista vai organizar, e essa parte é um trabalho em relação à maneira como nos relacionamos com a realidade, com as perdas, com os nossos desejos e com tudo que é nosso. | Muitos descobrem, inclusive, depois de realizar um grande objetivo, que uma inquietação continua ali, por exemplo, a depender da perspectiva com que se encara essa conquista. Moldar as circunstâncias externas pode ser só a ponta de um iceberg. | Faz parte do jogo da vida também se perguntar o que é preciso mudar por dentro para ser capaz de viver bem o que a vida nos coloca. |
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| A felicidade está muito relacionada a se tornar uma pessoa capaz de habitar os lugares onde está e estará, mais do que à espera ou encontro de algo como “o lugar certo”. É isso que Kierkegaard sabiamente quis dizer. |
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| | | Ser muito racional é ruim? Estou namorando uma pessoa que não tenho sentimentos porque sei que, no futuro, ele será um bom marido — e isso me dói. |
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| Ser muito racional é ruim? Claro que pode ser. Assim como ser sentimental ao extremo também. O melhor lugar para se estar e mirar é sempre o equilíbrio. | Dificilmente, uma pessoa extremamente racional irá conseguir se tornar a mais sensível e intuitiva de um grupo; Da mesma forma, dificilmente a pessoa muito sentimental irá algum dia ocupar o lugar de maior praticidade e objetividade no grupo.
| Mas é completamente possível que ambas desenvolvam virtudes que permitam que suas inclinações mais naturais não se tornem características disfuncionais na sua vida. | Se você é uma pessoa muito racional, dificilmente irá escolher com quem se relacionar apenas por conta do sentimento do momento. Mas isso não quer mesmo dizer que sentimento não importa. | Em um relacionamento amoroso, é claro que é importante sentir atração, vontade de estar com a pessoa, paixão e excitação. Isso é importante. Isso é o que diferencia um casal de um par de amigos, por exemplo. |
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| Mas, no seu caso, como uma pessoa menos sentimental, pode ser que o caminho mais natural seja o sentimento profundo se desenvolver lentamente, ao longo da jornada de conhecer o seu parceiro, se deixar encantar e conquistar pela vontade dele de estar com e construir algo com você, pela lealdade e companheirismo. Isso é completamente possível. | Assim como é possível que uma pessoa cheia de sentimentos se jogue de cabeça em um relacionamento que, depois, quando as emoções se acalmarem, venha a descobrir que não fazia sentido nenhum pra ela.
| Ou seja: ser muito racional é ruim desde que você não tenha clareza de que essa é uma característica sua que você terá que aprender a trabalhar da melhor forma e equilibrar. | Porque uma coisa talvez possamos afirmar: nenhum relacionamento amoroso sobrevive só por racionalidade e nenhum relacionamento amoroso sobrevive só de sentimento e emoção. | A parte da escolha existe? Claro que sim. Mas é importante que ela seja acompanhada de algum desejo e encantamento. E será que você já não sente isso por essa pessoa? | Porque, veja bem: | Você não escolheu qualquer um para se relacionar, nem poderia ter feito dessa forma. Se fosse assim, se fosse apenas uma escolha, qualquer um que cruzássemos na rua estaria bom o bastante para começarmos um relacionamento. Nunca é assim com ninguém. |
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| Você, na verdade, conheceu alguém que, como você mesma disse, imagina que será um bom marido no futuro. Ou seja, há, sim, algo nessa pessoa que te atrai, que te desperta algum sentimento e vontade de estar aí. Não foi só razão, percebe? | É por isso que muitos dizem que amor é só escolha. | Porque há, na verdade, uma confusão. É só depois de perceber algo valoroso no outro, algo que seja coerente com o que queremos e que se assemelhe ao que é importante pra nós e que, consequentemente, desperte alguma vontade, algum desejo de viver ao lado dele, que surge a possibilidade de escolher. | Apesar dos desafios que virão e daquilo que ele também terá de ruim e feio, é possível permanecer por causa daquelas coisas que você percebeu como boas, que valem a pena e te causaram algo já a princípio.
| Pode pensar, é sempre assim. | Então ousaria dizer que sentimento você tem. Talvez o que te resta é entender se tem o bastante para sustentar uma vida. Porque absolutamente sozinha, a razão provavelmente não irá conseguir. | |
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| | Se não encontrarmos um caminho, criaremos um. |
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