| | | BOM DIA | amanhã é um novo dia | a resolução de alguns dos seus piores problemas pode estar no amanhã. afinal, vez ou outra, é mesmo só o tempo capaz de abrir espaço para o esclarecimento e a calma que são indispensáveis onde as decisões mais prudentes são tomadas. | …. | | | | Tem gente que não dá conta de ir dormir com louça suja na pia. | Tem gente que não dá conta de dizer: “amanhã eu penso nisso”. | E talvez, na contramão do que se esperaria nessa newsletter sobre “desenvolvimento pessoal”, como alguns costumam definir, hoje eu gostaria de dizer que algumas pessoas precisam, na verdade, ser um pouco mais relaxadas. | | Algumas pessoas precisam, vez ou outra, ser menos rígidas, disciplinadas e dedicadas, sabia? | Porque há quem simplesmente não consiga dizer “por hoje deu”, “não dou conta” ou “não quero fazer”. E isso pode, sim, ser causa de sofrimentos profundos. |
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| Porque quem vive como uma máquina, apenas de uma sucessão de “agoras”, perde a capacidade de querer e de desejar verdadeiramente alguma coisa por muito tempo. | Uma mente muito rígida dificilmente consegue se deliciar com a beleza de querer alguma coisa e com o processo de construir e conquistar isso. E perceba: esse processo e essa construção são nada mais, nada menos, do que a vida acontecendo. | Não existem linhas de chegada como de provas de resistência, em que tudo estará resolvido; Não existe um cenário em que não haverá questões a se resolver ou melhorar, e, assim, finalmente poder descansar, aproveitar e ser feliz.
| As chances para fazer o melhor da vida estão nas brechas que uma rotina comum — vivida com presença, consciência, responsabilidade, mas também com alguma espontaneidade — te dá, no real, no agora, a cada dia. | Então, algumas pessoas, de vez em quando, precisam mesmo é refletir, pensar e estudar menos, furar um treino ou outro para, talvez, entenderem que nem sempre vai dar para cumprir absolutamente todas as responsabilidades com perfeição e nem sempre vai dar para atingir a perfeição. | Contudo, isso não é uma questão de abrir mão dos seus sonhos nem uma questão de falta de virtude, caráter ou força. | É que, na verdade, isso faz parte de uma vida real, pois somos seres humanos e não máquinas programadas. |
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| E, veja bem: se dar conta dessa realidade e conseguir enxergar as coisas com um pouco mais de simplicidade e leveza também é algo virtuoso. Para algumas pessoas, isso realmente será um grande desafio. | Seja, sim, obcecado por algo. É essencial ter disciplina e compromisso com seus deveres. Mas uma coisa ou outra vai sair dos trilhos. | E, quando isso acontecer, você conseguirá manter o próprio trem nos trilhos? Ou seja, vai conseguir manter o seu eixo para ser capaz de redirecionar algumas coisas de forma que tudo que realmente seja importante encontre seu lugar novamente, apesar dos contratempos? | | Mesmo dessa forma imperfeita e um pouco menos rígida, ainda dá para ser um grande ser humano, fazer grandes coisas, se tornar melhor e cumprir tudo aquilo que você almeja e que é seu dever. | Talvez, vez ou outra, a louça pode dormir na pia. | — @Sarinha |
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| |  | tradução: “Oh, eu não consigo pensar nisso agora. Se o fizer, ficarei louca. Pensarei nisso amanhã.” — Scarlett O'Hara em E o Vento Levou. |
| Sobre o desafio desta semana, você conseguiu fazer algo “inútil”, seja deixar um lugar mais bonito, ler um livro apenas porque se interessa pelo tema ou chamar um amigo para tomar um drink, um café e conversar? | | Lembre-se: essas experiências de contemplação nos colocam diante dessa realidade útil das coisas inúteis. | A beleza, o amor, a bondade, a alegria são valores que nos elevam ao que há de mais permanente e significativo sobre a nossa existência. |
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| | | | ❝ | | | O que o homem realmente precisa não é viver sem tensão, mas lutar por um objetivo que valha a pena. | | | | Viktor Frankl |
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| Frankl nunca disse que sofrer é bom. O que ele concluiu foi que uma vida sem tensão não é necessariamente uma vida melhor. | Um conceito descrito por ele como noodinâmica nos diz que o ser humano precisa existir em uma certa tensão saudável entre quem ele é hoje e aquilo que é chamado a realizar. Ou seja, não é o conforto que nos faz florescer, mas essa tensão orientada por um sentido. | E, no sentido contrário a esse raciocínio, hoje, costumamos fugir a todo custo do desconforto e de qualquer tensão. | Pense com atenção: a cultura contemporânea gira em torno de uma fuga do sofrimento. Estamos sempre pensando em como não sofrer. |
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| O problema é que é justamente nas frustrações, nas quebras de expectativas e nos erros que saímos do mundo ideal dos nossos pensamentos e nos confrontamos com a realidade. E assim também encontramos um motor para a evolução e um chamado para a pessoa que podemos e devemos nos tornar. | São os empecilhos e dificuldades que nos convocam a evoluir, porque, caso contrário, não poderemos sobreviver ao que o caminho trará. | Nossas ferramentas precisam ser renovadas constantemente. Precisamos aprender coisas novas. Essa é a essência de viver. E esse aprendizado, por essência também, implica algum nível de sofrimento. Não é fácil mudar, não é fácil crescer. Não é possível, portanto, viver ser algum nível de sofrimento e frustração. | A questão não é romantizar essas coisas. Ninguém vive em função de buscá-las, é claro. Mas se elas irão existir — o sofrimento, a frustração e a dor —, é importante se questionar se o sofrimento que existe hoje na sua vida está construindo alguma coisa que realmente vale a pena. | Ou ainda: como é possível fazer com que ele valha a pena? |
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| Nem todo sofrimento faz sentido, mas toda vida que faz sentido exige algum sofrimento. |
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| | | Eu sou mãe, mas nunca quis ser. Hoje, amo meu filho, que tem apenas dois anos, mas sinto falta da leveza de poder fazer algo sem planejar e me sentir livre pra ir e vir a qualquer momento. Parece horrível, mas eu só queria ter umas férias de ser mãe, poder acordar a hora que eu quiser, dormir a hora que eu quiser, ter um dia da forma que eu quiser sem ter que planejar cada minuto ou ter que ficar prestando atenção a todo momento para uma criança não se machucar. |
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| Não parece horrível o sentimento que você descreve. Ele parece, na verdade, absolutamente compreensível e normal para uma mãe de uma criança de 2 anos que está sobrecarregada e cansada. | O que eu queria te fazer refletir é justamente sobre essa realidade que você tem em mãos — e não pode mudar — e como, talvez, encontrar formas mais leves de lidar com ela. | Costumamos chamar de liberdade a possibilidade de fazer tudo o que temos vontade, na hora que temos vontade. Mas, se reparar bem, nenhuma das coisas que realmente dão sentido à vida funciona assim e, paradoxalmente, são elas que nos permitem viver uma vida mais plena do que qualquer vida livre de responsabilidades. | Amar alguém, construir uma carreira, aprender uma habilidade ou ter um filho, por exemplo, são coisas muito nobres, que preenchem a vida de sentido, ao mesmo tempo que nos restringem de várias outras. |
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| Toda escolha importante fecha algumas portas para abrir outras — e isso não nos torna menos livres. Porque liberdade, na verdade, está mais ligada ao conceito de escolher a forma como respondemos à realidade que a vida colocou diante de nós. | Se trabalhamos com expectativas e não com a realidade das nossas circunstâncias como elas são, nos tornamos escravos de ideais, fantasias e frustrações. Ou seja, tudo, menos livres.
| Hoje, a sua realidade inclui um filho de dois anos. Isso não dá para mudar, mas também não significa que você deixou de ser quem era. Significa apenas que agora existe alguém que, por um tempo, vai precisar muito dessa pessoa que você é e pode se tornar. | Você escreveu que gostaria de acordar a hora que quisesse, dormir quando quisesse e sair sem planejar. Mas será que é exatamente isso que você quer/deseja? | Porque, por exemplo, se alguém dissesse que você poderia ter tudo isso de volta, mas nunca mais ver seu filho, imagino que a resposta seria um "não". |
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| Então, talvez a sua saudade e seu desejo não sejam da vida que você tinha, mas simplesmente de descanso. Essa diferença é importante. | Descansar é uma necessidade humana e não falta de amor ou egoísmo. Na verdade, pode ser algo que você precisa para continuar amando bem. | É importante nomear da forma certa. Talvez o que você queira não sejam "férias de ser mãe". Como mesmo disse, você ama seu filho e sei que não escolheria uma vida que não fosse a mãe dele. | Talvez o que você queira e realmente precise seja confiar em uma rede que permita que você continue sendo também uma pessoa para além da maternidade. | Pessoa que, de vez em quando, pode tomar um café em paz, ler um livro, caminhar sem olhar para o relógio ou simplesmente não precisar decidir nada por uma ou duas horas. |
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| A maternidade tira a possibilidade de viver apenas para si e isso realmente assusta. Mas também é uma das experiências que mais amadurecem, pois ensina que o amor sempre reorganiza a vida. Esse reorganizar não precisa anular aquilo que você é antes dela e para além dela. | Se você tem alguém em quem confia — o pai da criança, os avós, um familiar ou um amigo — talvez valha a pena combinar pequenos momentos que possam ser seus. | Não espere o dia perfeito ou um fim de semana inteiro. Às vezes, uma tarde por mês, algumas horas por semana ou até mesmo uma caminhada sozinha já te lembrarão que você continua existindo para além da maternidade. | | Lembre-se: a liberdade tem menos a ver com fazer tudo o que temos vontade e mais com responder, da melhor forma possível, ao momento da vida em que estamos. E uma das melhores formas de responder à maternidade é também cuidar de quem vai exercê-la: você. | Talvez seja justamente por não ter feito isso ao longo dos últimos 2 anos que você tenha tido uma certa dificuldade em abraçar a sua realidade atual. Eu espero que você encontre pessoas com quem possa contar e a quem possa confiar seu filho. Isso pode te fazer muito bem. | | Sinto que a todo momento preciso de alguma validação das pessoas. Tento adivinhar o que elas estão pensando (sobre mim). Quero mudar essa minha perspectiva e me valorizar mais… |
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| Como muitos seguem se empenhando em responder aos desabafos das últimas vezes que fizemos esse exercício, chegou novamente a vez de vocês. | Comente a sua resposta neste post sobre o desabafo acima. A melhor resposta vai figurar em uma das nossas edições. | |
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| | Para conseguir o que quer, precisa se tornar indisponível para o que não quer. 💡 |
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