Flávio pousa nos EUA e posta carta contestando resultado nas urnas
Flávio Bolsonaro pousou nos Estados Unidos, às 10h24 de ontem, no aeroporto de Miami, acompanhado de sua esposa e suas duas filhas. O desembarque desmentiu informações de que ele já estaria nos EUA e ...
Por Redação

(Foto: Eva Marie Uzcategui | REUTERS)
Flávio Bolsonaro pousou nos Estados Unidos, às 10h24 de ontem, no aeroporto de Miami, acompanhado de sua esposa e suas duas filhas. O desembarque desmentiu informações de que ele já estaria nos EUA e suposições de que ele teria ido pela Venezuela.
Lembrando: No domingo, Moraes determinou o cancelamento e entrega de passaportes de Flávio, 7 minutos após o resultado das urnas, dentro do processo em que ele e Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro.
Qual foi o trajeto e como ele saiu do Brasil?
1) Às 22h50 de terça, ele cruzou a fronteira de Foz do Iguaçu para Puerto Iguazú, na Argentina, onde basta usar o RG. 2) Quarenta minutos depois, embarcou num jato da Baires Fly rumo a Guayaquil, no Equador. 3) De lá, seguiu para Miami.
A Baires Fly, empresa que freta voos privados, é investigada por suposto esquema de lavagem de dinheiro da agência do governo argentino para pessoas com deficiência, comandada por um ex-advogado de Milei.
A Polícia Federal monitorou o jato o dia todo, mas não podia impedir a decolagem, uma vez que não tem poder de agir fora do Brasil.
Mas como ele viajou sem passaporte?
Ainda não está 100% claro. O registro do voo da Argentina ao Equador indica que Flávio usou passaporte italiano. Por outro lado, registros da alfândega americana apontam que ele entrou nos EUA com o passaporte diplomático brasileiro, que já tinha sido cancelado pela PF.
A família ganhou o direito de ficar um ano nos EUA como “parole humanitário”, uma entrada de emergência usada para refugiados, como os da guerra da Ucrânia. A defesa ainda não explicou o uso do documento cancelado. O destino dos quatro nos EUA ainda é desconhecido.
A polêmica nota do Flávio

Mais no fim do dia, quando você já tava considerando largar a caneta e ir pra casa, Flávio postou uma nota — e depois editou ela.
Primeiro, ele se autoproclamou o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Na sequência, ele logo corrigiu o texto para se intitular apenas como “líder do Brasil”. Veja as alterações aqui.
Além disso, voltou a falar em fraude nas urnas, sem provas concretas, e agradeceu a Trump e Milei pela ajuda na saída.
Flávio nega que tenha fugido. Ele diz que corria risco de ser preso e que vai comandar a oposição ao governo Lula dos EUA. Ele vai dar uma entrevista coletiva em Miami hoje, que deve indicar como serão os próximos passos da direita no Brasil.
No fim do dia, Tarcísio de Freitas, governador de SP aliado da família Bolsonaro adotou outra postura. Em nota, ele disse que “a eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente.” O movimento pode indicar uma divisão entre aliados da família Bolsonaro.
Bottom-line: Antes do pouso de Flávio, Trump havia dito que aprovaria a ida dele aos EUA e chamou as eleições brasileiras de “muito estranhas”. Depois da nota, ele afirmou que prefere não se meter — preferindo não comprar a tese de golpe levantada na carta de Flávio.
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