3 em cada 4 jogadores da NFL morrem com doença cerebral grave
Pesquisa analisou registros de 2.362 ex-atletas e corrigiu viés de seleção.
Por Redação
Um dos maiores vieses que podemos ter na Medicina é pensar que, pelo simples fato de alguém ter sido atleta profissional, isso confere uma “vantagem de saúde” para a pessoa.
Na prática, a realidade pode ser justamente o contrário. E, em esportes como o futebol americano, o buraco é mais embaixo.
Um estudo publicado no JAMA Network Open estimou que 3 em cada 4 ex-jogadores da NFL tinham encefalopatia traumática crônica (ETC) ao morrer.
O que é ETC?
A encefalopatia traumática crônica é uma doença neurodegenerativa, ou seja, que destrói neurônios progressivamente, associada a impactos repetidos na cabeça.
Nela, uma proteína específica chamada “tau” se acumula de forma anormal, prejudicando a comunicação entre células nervosas.
🩺 Como consequência, podem surgir perda de memória, alterações de humor e mudanças de comportamento.
O diagnóstico só é confirmado após a morte, pela análise histopatológica do tecido cerebral.
Voltando ao estudo...
Para chegar ao número estimado, os pesquisadores analisaram os registros de óbito de 2.362 ex-jogadores da NFL que faleceram entre 2008 e 2023.
Desses, 396 tiveram o cérebro doado para pesquisa científica, e a ETC foi identificada em 94% dos casos. No entanto, famílias de jogadores com sintomas cognitivos doavam cerca de 5 vezes mais, o que infla a frequência da doença.
Após corrigir esse viés de seleção, a estimativa geral ficou em 75%, com margem de incerteza entre 70% e 78%.
Ou seja, mesmo no cenário mais conservador, a doença atingiria ao menos 7 em cada 10 ex-jogadores da liga.
Compartilhe

