Lara Resende, um dos criadores do Plano Real, defende em artigo de 25 de setembro que o problema das contas públicas está nos juros.
Por the news money · 02 de novembro de 2026
2 de novembro de 2026
Good morning, Brasil
Uma edição especial para acompanhar você neste feriado. Enquanto a B3 não abre (garantindo uma trégua para a bolsa), seguimos por aqui monitorando os bastidores e antecipando as análises que vão ditar os rumos do mercado.
Nos negócios, acompanhe os bastidores do ataque cibernético à Binance, considerado o maior roubo da história do mercado de criptomoedas; com dívidas acumuladas em R$ 340 milhões, a Chilli Beans deu entrada em pedido de recuperação extrajudicial; e os fundos de private equity intensificam os aportes no setor de defesa e segurança cibernética.
No Paper of the Day, comentamos sobre o tema que dominou o FinTwit no fim de semana: os rumores de uma conversa entre o governo e o economista André Lara Resende, que teria uma proposta de intervenção na Selic e já acendeu alertas de dominância fiscal entre os gestores.
Aqui está o seu the news money de hoje
Ativo
Fechamento
1 dia
YTD
Índices
Ibovespa
167.922,00
-0,75%
+4,22%
IFIX
3.646,62
+0,40%
-3,41%
S&P 500
7.580,07
-1,82%
+10,73%
NASDAQ
25.437,00
-2,86%
+9,44%
DAX
25.818,21
-0,85%
+5,42%
FTSE 100
10.729,78
+0,07%
+8,04%
Nikkei 225
63.290,11
-2,12%
+25,73%
Shanghai
3.599,02
-1,44%
-9,32%
Moedas
Dólar
R$ 5,44
+1,12%
+0,37%
Dólar Digital (USDC)
R$ 5,44
+1,12%
+0,37%
Euro
R$ 6,07
+1,85%
-4,41%
Libra
R$ 7,28
+2,10%
-0,14%
Bitcoin
U$ 77.845,31
+0,53%
-13,67%
Commodities
Brent (Barril)
U$ 113,43
-1,26%
+86,41%
Minério de Ferro (Ton)
U$ 90,71
0,00%
-15,33%
Ouro (Onça troy)
U$ 3.898,90
-3,29%
-10,19%
Soja (60kg)
R$ 158,88
+0,38%
+12,66%
Milho (saca 60kg)
R$ 65,64
+0,08%
-5,55%
Café Arábica (saca 60kg)
R$ 1.598,37
+0,48%
-26,50%
▲ Maiores altas
CMIN3
+8,00%
R$ 4,86
MGLU3
+4,29%
R$ 5,35
CSAN3
+3,56%
R$ 2,33
VALE3
+3,28%
R$ 62,02
BRAV3
+3,14%
R$ 18,42
▼ Maiores baixas
USIM5
-8,59%
R$ 5,00
CSNA3
-8,49%
R$ 3,88
B3SA3
-5,42%
R$ 13,43
BEEF3
-5,20%
R$ 2,55
MBRF3
-5,05%
R$ 15,61
PAPER OF THE DAY
A proposta de Lara Resende para a Selic
Na semana passada, o Ibovespa caiu 18,12%, na maior queda semanal desde março de 2020, e o dólar subiu 9,15%, a R$ 5,446. Neste domingo, um assunto trouxe mais preocupação para o mercado mesmo com ele fechado: o colunista Lauro Jardim, de O Globo, escreveu pela manhã que André Lara Resende teria encontro marcado com Lula nos próximos dias, em Brasília, e a Folha informou à tarde que integrantes do governo querem apresentar ao presidente a proposta do economista para reduzir a Selic.
Para você entender o que pode estar por trás disso, Lara Resende, um dos criadores do Plano Real, defende em artigo de 25 de setembro que o problema das contas públicas está nos juros. Pelos cálculos dele, os juros da dívida somam R$ 1,4 trilhão por ano, cerca de 10,5% do PIB, enquanto as contas sem os juros ficam perto do equilíbrio, com déficit de 0,4% do PIB, segundo projeção do FMI.
A saída, para ele, é reduzir a Selic, hoje em 13,75%, para perto de 7,5% ao longo de 12 meses. Um Conselho Fiscal e Monetário Nacional definiria metas de contas públicas e de inflação, e o Banco Central manteria a Selic entre a meta de inflação (3%) e o crescimento nominal da economia (cerca de 5,5%). Ele admite um repique inicial da inflação e prevê usar as reservas internacionais do BC para conter o câmbio. A própria Folha chama a ideia de “tabelamento de juros”.
Três integrantes da equipe econômica, porém, disseram que há sim uma tentativa de marcar um encontro de Lula com economistas de visões diferentes. E a ex-ministra Gleisi Hoffmann chamou o artigo de “fundamental para enfrentar essa ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira”.
Do lado do mercado, gestores de dois grandes bancos disseram que a medida levaria à dominância fiscal e ao fim da autonomia do Banco Central, cenário que classificaram como "desastre".
O centro da discussão é como estabilizar a dívida pública. Lara Resende propõe reduzir seu custo por meio de um novo regime de juros; outros temem que limitar a Selic comprometa a capacidade e a credibilidade do Banco Central de controlar a inflação. Essa é a divergência que precisa ficar clara, e não apenas a oposição entre quem quer juros altos ou baixos. Por enquanto, Durigan nega que o tabelamento esteja na mesa do presidente e o Banco Central segue independente.
André Lara Resende - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Para lembrar: Em 2011, no governo Dilma Rousseff, o Banco Central passou a cortar a Selic, de 12,5% para 7,25% em outubro de 2012, com o governo sinalizando publicamente que queria juros menores. Depois, os juros voltaram a subir até 14,25% em 2015, quando a inflação fechou em 10,67%, a maior desde 2002. Além disso, o TCU rejeitou as contas do governo por causa das “pedaladas fiscais” e o desfecho foi o impeachment de Dilma em 2016, criando uma das maiores crises políticas da história do país. Não dá para atribuir tudo aos juros, mas mostra o que aconteceu quando foram “canetar”.
A Turquia também oferece um alerta relevante (embora não diretamente comparável). Sucessivas intervenções do governo no banco central e cortes intempestivos de juros resultaram em inflação acima de 80% e forte desvalorização da moeda. Para reverter o cenário, o banco central iniciou uma alta agressiva em 2023, elevando os juros de 8,5% a 50% em março de 2024.
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