bom dia. concordar é fácil quando estamos cercados de pessoas que pensam como nós. o desafio está em conviver com quem enxerga o mundo de outro jeito. e talvez seja justamente essa capacidade que mais precisamos exercitar. a edição de hoje é um convite para pensar menos no que nos separa e mais no que ainda nos aproxima.
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🚀 Da Poppi para sua próxima aposta bilionária? Após vender a Poppi para a PepsiCo por quase US$ 2 bilhões, Allison Ellsworth prepara a Jetty, sua nova aposta no mercado de hidratação. O produto ainda é segredo, mas o playbook parece ser o mesmo: usar sua audiência nas redes sociais para criar expectativa, gerar conversas e construir uma comunidade antes mesmo do lançamento. Afinal, depois de criar uma marca bilionária, a própria fundadora se tornou seu maior ativo de marketing. Essa é uma brand to watch.
🤖 A IA já começa a comprar mídia sozinha. Na Advertising Week, o agentic media buying ganhou destaque, com agentes assumindo tarefas antes feitas por profissionais de mídia. O que nos levou à pergunta: quando algoritmos decidem onde investir, o que faz um veículo ser escolhido? Preço, audiência, disponibilidade e afinidade com a campanha passam a ser avaliados em segundos. Um estudo mostrou que agentes participam de 86% menos leilões, mantendo CPMs semelhantes. Ou seja, compram menos, mas de forma mais seletiva. Para os veículos, o desafio agora é garantir que seus espaços publicitários sejam encontrados e considerados por essas IAs. (Leia mais sobre o que foi discutido).
🪩 New job alert: reunir pessoas no mundo real. Conheça os novos IRL influencers, uma geração de creators que ganha dinheiro organizando festas, clubes de corrida e leitura, experiências para conectar desconhecidos... Com a queda da socialização presencial, marcas começam a patrocinar essas comunidades, trocando segundos de atenção no digital por horas de conexão no mundo real. Plataformas como Pie e Onbrand já conectam organizadores de eventos a patrocinadores. The hot take? Os offline influencers estão ganhando espaço. Afinal, sabemos que conexões presenciais têm um poder que dificilmente se reproduz nas telas. Basta pensar nos seus próprios relacionamentos para entender o valor disso.
A mídia nos polarizou?
O mapa acima mostra o mundo literalmente mudando de cor. Em 25 anos, o azul, que representa sociedades com relações políticas mais amigáveis, foi dando lugar ao vermelho, marcado pela hostilidade entre grupos políticos.
🔎 Zoom in no Brasil 🇧🇷. Com um índice de polarização de 3,22, somos o país mais polarizado das Américas, à frente até dos Estados Unidos. No ranking global de 2025, ficamos atrás apenas de Mianmar, Turquia e Polônia.
Mas como chegamos até aqui? Existe algum fio condutor que ajude a explicar essa transformação? Será que a forma como consumimos mídia tem alguma relação com isso?
Em parte, a mídia pode explicar…
O Brasil está entre os países que mais passam tempo nas redes sociais. Somos grandes consumidores de conteúdo de Influs e heavy users do WhatsApp, um dos países onde a plataforma é mais utilizada como fonte de notícias no mundo.
Lá, notícias circulam em grupos privados, invisível para fact-checkers. Um estudo mostra que 26% das mensagens vêm de sites de desinformação. Um verdadeiro boca a boca em escala, sem garantia de que a informação seja verdadeira.
Mas o que isso tem a ver com a polarização?
Em 2021, o Wall Street Journal publicou os Facebook Files, documentos internos que revelaram como o Facebook havia alterado seu algoritmo para dar mais peso às reações dos usuários. Na época, uma reação de raiva chegou a valer 5x mais do que uma curtida na distribuição de conteúdo. Na prática, conteúdos que despertavam emoções fortes podiam ganhar mais visibilidade.
🔗 Connecting the dots. Entre algoritmos que privilegiam engajamento, opiniões amplificadas por influenciadores e notícias que circulam em grupos privados, a informação ficou mais acessível e rápida. Mas, ao mesmo tempo, também ficou mais fácil espalhar indignação, desinformação e narrativas que reforçam nossas próprias crenças.
Mas talvez a questão vá além dos algoritmos. A digitalização não mudou apenas como consumimos informação. Mudou também como nos relacionamos.
Hoje, podemos trabalhar, pedir comida, assistir a filmes, fazer compras e até encontrar companhia sem sair de casa. Ganhamos conveniência, mas também passamos a ter menos motivos para encontrar outras pessoas.
E esses encontros importam. Especialmente aqueles com quem pensa, vive e enxerga o mundo de um jeito diferente do nosso.
Tem um livro interessante chamado Survival of the Friendliest, de Brian Hare e Vanessa Woods, que defende uma tese: o que permitiu à humanidade prosperar não foi a agressividade, mas nossa capacidade de cooperar, comunicar e criar vínculos.
Em outras palavras, evoluímos porque aprendemos a conviver, não porque aprendemos a concordar.
Quando convivemos menos com pessoas diferentes, perdemos oportunidades de exercitar a empatia, questionar nossas certezas e reconhecer aquilo que temos em comum.
Nesse cenário, narrativas que dividem o mundo entre nós e eles podem encontrar ainda mais espaço.
Talvez a polarização não seja apenas uma questão de opiniões cada vez mais distantes, mas também de pessoas cada vez menos próximas.
E, se parte do problema está na perda das conexões, talvez parte da resposta esteja justamente em reconstruí-las.
What does that mean? E por que essa é a pauta de hoje?
Nós, como marcas, aprendemos a construir audiência, disputar atenção e maximizar engajamento. E há tempos falamos sobre a importância de construir comunidades. Mas, em um mundo cada vez mais conectado digitalmente, com déficit de confiança e excesso de outrage, talvez valha olhar para o nosso papel na construção dessas conexões com ainda mais relevância. Afinal, tudo indica que o senso de pertencimento se tornou um ativo cada vez mais valioso.
E nós, marcas, temos um papel importante nisso. Podemos criar third places, espaços de convivência fora de casa e do trabalho, que dão às pessoas motivos para sair, se encontrar, compartilhar interesses e criar vínculos.
Afinal, pense nas relações mais importantes da sua vida. Provavelmente, elas não foram construídas apenas porque vocês consumiam o mesmo conteúdo, mas pelo tempo, pelas conversas e pelas experiências que compartilharam fora das telas.
🔥 Nosso hot take: as comunidades offline vão ganhar ainda mais força, não apenas como estratégia de marketing, mas como negócios capazes de gerar receita, fidelidade e valor para as marcas. Mais do que uma tendência de consumo, esse movimento também pode representar uma resposta à nossa necessidade de convivência.
E, aproveitando o momento que estamos vivendo, queremos deixar uma reflexão: se a mídia ajudou a amplificar aquilo que nos divide, nós, marcas que hoje muitas vezes também somos mídia, temos a oportunidade de amplificar aquilo que nos une.
Não precisamos fazer todo mundo concordar. Mas podemos criar espaços onde pessoas diferentes encontrem algo em comum, onde pertencer a um grupo não signifique estar contra outro.
E fica a provocação de hoje: o que sua marca defende que é forte o suficiente para tirar as pessoas de casa e fazê-las querer estar juntas? Afinal, talvez esteja aí um começo da sua comunidade.
Um giro pelas últimas campanhas de destaque
💘 IKEA transforma guarda-roupas em pretendentes de um dating show. A marca entra na tendência das social series com "Storage is Sexy", em que solteiros escolhem com quem sair apenas pela organização do armário. Uma forma divertida de transformar funcionalidades de produto em entretenimento. Muito bom!
🎬 Campanhas que parecem filmes estão em alta. Influenciadores deixam de apenas protagonizar para também dirigir as produções de alta qualidade. Dois belos exemplos desta semana são Paige Paul com Starbucks e Kris Jenner com Ferragamo. Prendeu do início ao fim.
👜 Chipotle entra na trend das bolsas oversized. Inspirada nas passarelas de luxo, a marca criou uma tote bag gigante de 170 litros para promover as Family Meals (4-6 pessoas).
Quick Hits
→ Entertainment / Media
🤝 IMDb quer virar o LinkedIn do entretenimento. A plataforma de filmes e séries agora aposta em conexões e recomendações profissionais.
🍟 McDonald's testa sua própria Media Network em 450 restaurantes nos EUA, vendendo anúncios em cardápios digitais, totens e app.
⏱️ Meta lança novos formatos publicitários que permitem reservar janelas de 3 a 24 horas de exposição e garantir o primeiro anúncio visto pelo usuário.
→ Retail / Lifestyle
🛒 Major Food Group, grupo por trás do Carbone, entra no varejo alimentar com o Wilder, novo supermercado de luxo em Miami.
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