| | | | | | | Kat odeia tudo. Patrick não liga para nada. E, de alguma forma, os dois acabam um no outro. | O filme 10 Coisas que Eu Odeio em Você (1999) é o clássico dos opostos que se atraem — com Julia Stiles e Heath Ledger numa química que envelheceu muito bem. Baseado em A Megera Domada, de Shakespeare, o longa tem humor, tensão e aquela cena do saxofone que ninguém esquece. | É a obra perfeita para lembrar que, às vezes, a pessoa mais irritante da sala é exatamente quem você estava procurando. Disponível no Disney+. | E você, acredita que os opostos se atraem? | | |
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| | | | | | | ENSAIO ABERTO | “As nossas versões viajantes que trazemos para casa” |  | (Imagem: Pinterest) |
| Eu amo música, mas ninguém nunca vai me ouvir cantando em alto e bom som, sendo o centro das atenções. Minha falta de ritmo e a voz desafinada nunca me permitiram ir a um karaokê que não fosse para aplaudir meus amigos. | Mas a Julia viajante? Ela conheceu um grupo de mexicanos em um bar em Roma e aceitou o convite para estender a noite no programa favorito deles: karaokê. | Dois shots depois, e com o lembrete de que, se for muito ruim, amanhã ninguém nunca mais vai me ver, estou no palco enquanto “Mirrors”, do Justin Timberlake, começa a tocar.
| Eu canto baixinho, quase inaudível; eles cantam animados, olhando para mim como se eu já fizesse parte da turma. Aos poucos, minha voz vai saindo. Na segunda parte, já estou balançando os braços, confiante o suficiente para chamar o bar inteiro para cantar junto. | Não preciso dizer que essa virou minha música de karaokê. | Talvez essa tenha sido a primeira vez que vivi o que Pico Iyer escreveu no ensaio “Why We Travel”: “Viajamos, primeiro, para nos perder; depois, para nos encontrar.” |
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|  | (Imagem: Pinterest) |
| Desde que me entendo por gente, tenho sede de conhecer o mundo. Sempre fui curiosa pela história de outros países, pelo que as pessoas comiam e pelas incontáveis línguas faladas por aí. Mas, mais do que isso, era curiosa para saber quem eu seria nesses lugares. | Porque o que mais nos mostra quem somos do que o desconhecido? Viajar é conhecer quem você é no imprevisível. Cruzamos com situações que a vida em casa jamais nos traria e, por isso, com versões nossas que talvez não existissem aqui. | Quem somos quando estamos longe dos nossos amigos, da nossa rotina e de tudo que conhecemos? |
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| Em uma viagem, somos desconhecidos. Pessoas anônimas, sem passado ou futuro, só passando. Não existem expectativas sobre nós, compromissos a manter ou reputação a zelar — e isso é extremamente libertador. | Cruzamos esse anonimato com uma cultura desconhecida e experimentamos versões nossas que, em casa, talvez não tivéssemos coragem de experimentar. | Às vezes, você descobre que nem odeia peixe tanto assim, só odeia peixe do jeito que comeu a vida toda. E, no meio da 🇪🇸 Espanha, se permite experimentar um caldo de peixe que acaba se tornando um dos seus pratos favoritos. | Uma nova versão sua nasce |  | (Imagem: Pinterest) |
| Nossas versões viajantes dão espaço para novas partes de nós existirem. | “Mirrors” sempre vai me lembrar da Julia sem-vergonha que subiu no palco e cantou como se fizesse aquilo sempre. E vai me dar coragem para dizer sim quando meus amigos me convidarem para um karaokê aqui em São Paulo. | Porque essas experiências pequenas nos mudam, e carregamos essas mudanças quando voltamos: | Na música de um rapper francês que entrou na playlist; No gulab jamun que virou sobremesa favorita; ou No museu de arte moderna que visitamos sem entender nada de arte e de onde saímos apaixonados.
| Nossas memórias de viagem são lembranças das versões que fomos e que podemos ser na “vida real”. E aí, somos viajantes em casa. | Não são só novos gostos que voltam na mala. Viajar nos permite experimentar outras vidas dentro de uma só e escolher um pouco de quem queremos ser quando voltamos. | Eu não sabia ficar sem fazer nada, mas, depois da 🇫🇮 Finlândia, sou defensora de um domingo quieto e silencioso; Eu não saía com desconhecidos, mas, depois da 🇪🇪 Estônia, eu os convido para uma festa em casa; Eu seguia à risca a rotina durante a semana, mas, depois da 🇮🇹 Itália, adoro mid-week plans.
| Nós nos perdemos no anonimato da viagem, mas é em casa, quando trazemos nossas versões viajantes com a gente, que nos encontramos. | Com amor, Ju. |
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| | | | | | | AUTORA | Julia Queiroz | | Julia é leitora, falante, obcecada por conversas longas e vive entre um hiperfoco e outro. Só a escrita nunca passou. E, como fala muito e nem sempre tem quem ouça, escreve a The Morning After, newsletter sobre viagens, relacionamentos, vida adulta e tudo o que acontece no meio do caminho. É lá que aparecem as versões de si mesma que só existiam em Tallinn, Firenze e Nova York. |
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| | | | | | | | BASEADO EM UMA HISTÓRIA REAL | Doida, difícil e apaixonada |  | (Imagem: Divulgação) |
| Caciane sabe exatamente quando se apaixonou por Douglas. | Na versão dele, ela já estava apaixonada bem antes. Mas, como ela mesma explica: “ele não escreve e eu escrevo. Então, vocês saberão somente a minha versão.” | Tudo começou quando um amigo do trabalho em comum comentou: | — Tem um cara aí que disse que casaria contigo hoje, se tu quisesse. | O cara era Douglas. | Até então, Caciane nunca tinha pensado nele. Achava-o meio sonso, quieto, sempre por perto, mas sem chamar muita atenção. | Aquela frase, entretanto, colocou uma pulga atrás da sua orelha. Aos poucos, vieram as conversas, as piadinhas e os convites para sair.
| Só existia um pequeno problema: Douglas queria um relacionamento. Caciane não queria nem ele, nem ninguém. | Ela tentou avisá-lo. Disse que era doida, difícil de lidar e que os dois eram diferentes demais. Talvez fosse melhor ele procurar alguém mais parecido com ele. | A resposta foi simples: “Eu quero tu.” |
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| Caciane continuou fugindo. Até que, certa madrugada de segunda-feira, cometeu um erro no trabalho e precisou ir pessoalmente resolver. Douglas apareceu por lá, resolveu o problema inteiro por ela e não tentou ganhar absolutamente nada em troca. | Segundo Caciane, nem simpático ele foi naquele dia. | Foi aí. | Ela percebeu que estava apaixonada. | Perceber, porém, não significava que estava pronta para admitir | Vieram inúmeras idas e vindas. Em uma delas, passaram um mês inteiro sem se falar. | | Os dois fingiam que não sentiam nada. Além de terem rompido aquele vínculo esquisito de vai e vem, Douglas ocupava um cargo acima do dela e não queriam que ninguém soubesse. | Até que, na madrugada de um sábado, chegou uma mensagem: | “Tu pode não me responder, mas tô morrendo de saudade de ti. Desculpa.” |
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| Óbvio que ela respondeu. | Colocaram em dia tudo o que haviam sentido durante aquele mês e descobriram que tentar ignorar um ao outro estava sendo igualmente horrível para os dois. | No dia 5 de outubro de 2024, começaram oficialmente a namorar. | Dois anos depois, Caciane continua achando que eles são MUITO diferentes | Ela tem 23; ele está prestes a completar 29. Ela gosta de Lagum e MPB; a playlist dele é praticamente pagode e rap. Ela ama fotografia; ele ama futebol — ou, nas palavras dela, “é Deus no céu e CR7 na terra”. | Douglas gosta de filmes longos, ação, faroeste e comédia pastelona. Caciane odeia comédia pastelona. | Em compensação, ele senta ao lado dela para assistir às suas séries, vicia e depois continua sozinho — e, às vezes, até dá spoiler.
| Ela odeia spoiler. Mas ama isso nele. | Caciane também ama que Douglas arruma a cama quando sai depois dela e deixa exatamente do jeito que ela gosta. Que come o lanche quando ela não aguenta terminar. Que sempre traz alguma coisa do mercado, mesmo quando ela diz que não quer nada. | Ama que ele presta atenção aos detalhes, que respeita sua família, que lembra a data do primeiro beijo e que lhe deu uma Polaroid azul porque sabia que fotografia era uma paixão e azul, sua cor favorita. | Ama até que ele tenha aprendido a sorrir para fotos porque ela gosta de tirá-las. | Hoje, Douglas sorri em todas. Até quando ela não está — e disso Caciane não gosta tanto. |
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| Quando contou para algumas pessoas do trabalho que estava namorando Douglas, ouviu várias vezes: | — Ele é um cara bom. | Quando Douglas contou para um colega que só gostava dela, a resposta foi um pouco diferente: | — Tu é doido? Ela é uma grossa. | Caciane acha graça. | Ele quis mesmo assim. | Ela nunca pediu a Deus por um Douglas, mas diz que teve sorte de ganhar um tão fácil. | E, algum tempo atrás, foi justamente ele quem perguntou por que ela tinha parado de escrever. | Caciane também não sabe exatamente. Só percebeu que seria um desperdício continuar sem escrever sobre aquilo que ama. | Então, voltou. E começou por ele. | |
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| | | | | | | EXTRA | “Não sei nem mais dizer O que sinto por você... Se é amor... Se é amizade... Se é paixão... Mas suspeito fortemente Que seja tudo isso junto!” | — Augusto Branco |
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| | | | | | | EM CARTAZ | Nos cinemas ou no conforto do seu sofá |  | (Imagem: Divulgação) |
| O documentário biográfico Who Is Martin Mull? chega à Netflix no dia 7 de outubro para celebrar a vida e o legado multifacetado do lendário ator, comediante, músico e pintor Martin Mull (1943–2024). | O longa explora uma trajetória artística brilhante que vai muito além dos papéis marcantes na TV, resgatando sua jornada por clubes de folk e seu talento aclamado nas artes plásticas. | O filme promete ser uma homenagem imperdível para quem quer relembrar (ou descobrir) o impacto de um dos nomes mais versáteis do entretenimento norte-americano. | Confira os principais lançamentos da semana: | Carrie: A Estranha (Minissérie) — 07 de outubro, no Prime Video Queen Budapest — 07 de outubro, nos cinemas Below — 08 de outubro, na Netflix Um Choque de Amor — 09 de outubro, na Netflix Sobrevivência — 09 de outubro, na Netflix
| E você, assistiu a qual dos lançamentos que mencionamos na última edição? | |
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| | | | | | | | RODAPÉ | the news cult | Seu hub abrangente de curadoria cultural e comportamento. Uma lente para entender o mundo e as conexões humanas através do amor, da arte, do cinema, da literatura, das tendências de lifestyle e da vida digital. | Sempre aos domingos de manhã, às 10:00. |
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