| | | | | | | | Em Aqui (2024), filme dirigido por Robert Zemeckis e estrelado por Tom Hanks e Robin Wright, a câmera permanece no mesmo lugar enquanto o tempo passa ao seu redor. | Ao longo de décadas, acompanhamos diferentes pessoas que ocupam aquele espaço. Famílias se formam, crianças crescem e casais envelhecem. Os moradores mudam, os móveis são substituídos e a casa acumula histórias que os próximos habitantes talvez nunca conheçam. | O filme parte de uma ideia tão simples quanto bonita: um mesmo lugar pode guardar muitas vidas. E talvez o mesmo aconteça com os objetos. | Você tem algum objeto que guarda uma história especial? | | |
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| | | | | | | BIG STORY | “Meio século de sala escura” |  | (Imagem: Pinterest) |
| Em outubro de 1977, o Brasil vivia sob uma ditadura militar. Filmes eram censurados, cenas eram cortadas e nem sempre o que chegava às telas correspondia àquilo que seus diretores haviam criado. | Foi nesse cenário que Leon Cakoff, um crítico de cinema nascido na Síria e responsável pelo departamento de cinema do MASP, decidiu organizar um festival para comemorar os 30 anos do museu. | | Eis que, naquele mesmo outubro de 1977, entre os dias 21 e 31, aconteceria a primeira Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. | A ideia era simples. O contexto, nem tanto. |  | (Imagem: Acervo | Mostra) |
| Desde o início, Cakoff defendia que os filmes fossem exibidos integralmente, sem os cortes impostos pela censura. | E havia outro detalhe importante: era o público quem escolhia o melhor filme. Em um país onde a participação política era limitada, permitir que espectadores votassem tinha um significado que ultrapassava as paredes do cinema. | Naquela primeira edição: | O documentário 25, sobre a independência de Moçambique, chegou clandestinamente ao Brasil, trazido por diplomatas franceses. Já o primeiro Prêmio do Público foi para Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, de Hector Babenco, recebido com uma ovação de pé.
| O festival cresceu, conquistou público e começou a ultrapassar os limites do MASP. | Em 1984, após sete edições ligadas ao museu, tornou-se independente. | Sem a estrutura que havia abrigado seu nascimento, Cakoff precisou encontrar novos espaços, parceiros e recursos para manter o projeto de pé. | Aos poucos, as sessões foram se espalhando pela cidade. O festival passou a ocupar cinemas, centros culturais e espaços que, durante alguns dias de outubro, se transformavam em pontos de encontro para quem queria descobrir algo diferente. |  | (Imagem: Reprodução) |
| E surgiu até um nome para seus frequentadores mais fiéis: os “mostreiros”. Gente que organiza a agenda em função dos horários das sessões, atravessa São Paulo para assistir a um filme e passa horas discutindo o que acabou de ver. | | Pelas telas da Mostra passaram obras de diretores como Wim Wenders, Pedro Almodóvar, Manoel de Oliveira, Amos Gitai e Jafar Panahi. | Em 2011, Leon Cakoff morreu poucos dias antes da abertura da 35ª edição. Renata de Almeida, sua companheira de vida e de trabalho, assumiu a direção e segue à frente do festival. |
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| E há algo impressionante nessa trajetória: a Mostra nunca deixou de acontecer. | Atravessou a ditadura, crises econômicas, transformações da indústria cinematográfica e até a pandemia, quando precisou adaptar seu formato. | Outubro continuou sendo mês de cinema em São Paulo. | Corta para 2026… 🎞️ | A Mostra chega à sua 50ª edição, que começou no dia 15 e segue até 29 de outubro. | A programação reúne mais de 390 títulos de mais de 90 países, distribuídos por 57 salas de cinema, centros culturais e Centros Educacionais Unificados (CEUs) da capital paulista. |  | (Imagem: Reprodução) |
| O homenageado deste ano é o cineasta americano James Gray, diretor de Ad Astra e Era Uma Vez em Nova York. Seu novo longa, Tigre de Papel, apresentado em Cannes, foi escolhido para abrir o festival em uma sessão para convidados. | E a gente foi conferir de perto 🍿 | Nesta semana, o the news cult passou pela Mostra para conhecer um pouco da programação e, principalmente, viver a experiência de um festival que há décadas faz parte da vida cultural de São Paulo. | Uma das coisas que mais nos chamou a atenção foi a atmosfera das salas. Diferentemente dos grandes complexos comerciais, muitos dos cinemas que recebem a Mostra são menores, mais intimistas e ficam espalhados por lugares da cidade que nem sempre entram nos nossos trajetos habituais. | Assistir a um filme também vira uma oportunidade de conhecer São Paulo. |
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| Por aqui, já conferimos A Terra do Meu Pai, premiado pela direção no Festival de Cannes, e O Último Batedor de Carteiras, com John Turturro e Steve Buscemi. Os dois ainda têm sessões previstas na programação para quem quiser aproveitar. |  | (Imagem: Divulgação | Cine Tutu) |
| A cidade continua sendo a plateia | Em 1977, a Mostra nasceu do desejo de exibir filmes que a censura e as limitações do circuito comercial impediam de chegar aos brasileiros. | | Ainda assim, todos os anos, milhares de pessoas, das que frequentam o festival desde os primeiros anos às que estão descobrindo o evento agora, escolhem enfrentar filas e atravessar São Paulo para assistir a um filme que talvez nunca tenham ouvido mencionar. |
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| | | | | | | APRESENTADO POR SOTO | Alguns amores de verão duram a vida inteira | | Há paixões que começam sem pretensão: uma viagem, um encontro inesperado ou um mergulho no mar. De repente, o que era só um momento de verão vira motivo para voltar e mudar os planos. | | Foi desse amor pelo esporte, pela natureza e pelo estilo de vida que nasceu a Soto, uma marca de vestuário premium para quem já se apaixonou pelo kitesurf ou ainda está no primeiro flerte. | Foram dois anos construindo em detalhes o que está prestes a ser lançado. Veja aqui, em primeira mão, o que a Soto está preparando para a nova coleção. 🏄️ |
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| | | | | | | | BASEADO EM UMA HISTÓRIA REAL | O balanço |  | (Imagem: Pinterest) |
| Na casa de Nilda, havia um lugar especialmente disputado quando os namorados chegavam: o balanço da entrada. | Nilda tinha uma irmã, Nieli, que também namorava — e as duas queriam o mesmo lugar. Quem conseguisse ocupar o balanço primeiro podia namorar com um pouco mais de privacidade. Quem perdesse a disputa precisava se contentar com o sofá, estrategicamente posicionado diante dos olhos dos pais. | As irmãs até tentavam mudar a situação. Pediam ajuda à caçula, Nali, para arrastar o sofá para outro canto, mas Josefa, a mãe, logo reclamava: | “Eu gosto desse sofá ali mesmo.” |
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| Havia ainda outra regra: às dez da noite, os namorados precisavam ir embora. | | Era assim que Nilda e Elmyr passavam parte das noites juntos. | Mas a história dos dois havia começado algum tempo antes | Natanilde, mais conhecida como Nilda, era uma das 14 mulheres em uma turma de 114 estudantes de medicina, no Recife. Nascida no Rio Grande do Norte, era galega, de cabelos loiros e olhos claros, e tinha três irmãos: Nieli, Nali e Nathanias. Pelo visto, a família gostava de nomes começados com N. | Elmyr era baiano, de ascendência indígena e francesa, pele morena e olhos amendoados. Filho de pastor, tinha dois irmãos, Elyr e Edyr. Na família dele, a preferência era pela letra E. | Crescera passando por diferentes lugares do Brasil. Estudava arquitetura. Não vinha de uma família rica, mas era determinado e autodidata. Aprendeu, por exemplo, inglês e francês por conta própria. | Os dois se conheceram durante o mês da mocidade da Igreja Batista. | Um colega convidou Nilda para ajudar na organização e decoração de um culto especial. Elmyr fazia parte de um quarteto musical chamado Os Miseráveis do Ritmo, que se apresentaria naquela ocasião. | Foi assim que se encontraram. | Depois vieram outros encontros, aparentemente por coincidência. Uma vez, outra, mais outra… Até que começaram a namorar. | Como os dois eram estudantes e tinham pouco dinheiro, os programas não eram elaborados. Frequentavam lanchonetes simples, mas o mais comum era Elmyr ir até a casa de Nilda e disputar, ainda que sem saber, um lugar no balanço. | Naquela época, não havia telefone para avisar quando um compromisso precisava ser desmarcado. Por isso, se Elmyr não pudesse aparecer, fazia questão de ir pessoalmente à casa de Nilda apenas para explicar. |
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| Não queria deixá-la esperando. Era um gesto pequeno, mas que dizia muito sobre o cuidado que existia entre eles. | O namoro virou casamento e depois vieram os filhos | A primeira filha nasceu muito parecida com o pai. O filho do meio também. | A caçula, por outro lado, veio mais loirinha e com pouco cabelo, ao contrário dos irmãos cabeludos. Mas, conforme cresceu, também foi ficando parecida com Elmyr.
| Na família, brincam que a genética dele é especialmente forte. Os cabelos escuros, a pele morena e os olhos levemente puxados continuaram aparecendo nos netos e bisnetos. | Ao longo dos anos, Elmyr e Nilda viajaram muito. Mas, embora gostassem de conhecer lugares, havia algo de que gostavam ainda mais: receber a família em casa. Se pudessem, reuniriam filhos, netos e bisnetos todos os dias, seja para almoçar, conversar, fazer festa ou tomar banho de piscina. | Nilda sempre foi a pessoa que cuidava, cozinhava, contava histórias e encontrava soluções. Elmyr, com seu jeito tranquilo, era a âncora que mantinha tudo estável. | Os anos os tornaram ainda mais cúmplices | Agora, aos 89 e 85 anos, continuam grudados. Parceiros em tudo, dividindo uma vida que começou quando os dois ainda eram estudantes e precisavam contar as moedas para sair. | E aquele balanço? Uma das filhas o herdou. | O mesmo balanço que um dia foi disputado por duas irmãs, enquanto a caçula atrasava o relógio para que os namorados pudessem ficar mais um pouquinho. |
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| Hoje, ele faz parte de outra casa, de outra geração. | Talvez ainda venha a ser cenário de novos encontros, conversas e histórias. | E há algo bonito nisso: o balanço atravessou os anos, assim como o amor que um dia ajudou a abrigar. | Naquela época, Nilda e Elmyr só queriam mais alguns minutos juntos, mas acabaram construindo uma vida inteira. | |
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| | | | | | | EXTRA | “Tenho 39 anos. Meus dentes têm cerca de 7 anos a menos. Meus seios têm cerca de 12 anos a menos. Bem mais recentes são meus cabelos e minhas unhas. Pela manhã como um pão. Ele tem uma história de 2 dias. Ao sair do meu apartamento, que tem cerca de 40 anos, vestindo uma calça jeans de 4 anos e uma camiseta de não mais do que 3, troco com meu vizinho palavras de cerca de 800 anos e piso sem querer numa poça com 2 horas de história desfazendo uma imagem que viveu alguns segundos.” | — Ana Martins Marques |
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| | | | | | | EM CARTAZ | Nos cinemas ou no conforto do seu sofá |  | (Imagem: Divulgação) |
| O aguardado longa-metragem Mother Mary, dirigido por David Lowery, faz sua estreia oficial na HBO Max no dia 23 de outubro. | Na trama, Anne Hathaway dá vida a uma superestrela pop global em busca de redenção artística que, às vésperas de um grandioso show de retorno após um grave incidente, se refugia no ateliê de sua ex-estilista e antiga parceira criativa, vivida por Michaela Coel. | O reencontro traz à tona ressentimentos sufocados, mágoas não resolvidas e segredos do passado, desdobrando-se em uma experiência psicológica hipnótica e carregada de tensão psicossexual. | Confira os principais lançamentos da semana: | Cara-de-Barro — 21 de outubro, nos cinemas Meu Verão na Sicília — 22 de outubro, nos cinemas Ninguém Quer (3ª temporada) — 22 de outubro, na Netflix Lupin (4ª temporada) — 23 de outubro, na Netflix
| E você, assistiu a qual dos lançamentos que mencionamos na última edição? | |
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| | | | | | | | RODAPÉ | the news cult | Seu hub abrangente de curadoria cultural e comportamento. Uma lente para entender o mundo e as conexões humanas através do amor, da arte, do cinema, da literatura, das tendências de lifestyle e da vida digital. | Sempre aos domingos de manhã, às 10:00. |
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