| | | | | | | Em Amor (2012), Georges e Anne são um casal de idosos apaixonados pela arte e, sobretudo, um pelo outro. Após uma vida construída lado a lado, os dois veem sua rotina mudar quando Anne começa a enfrentar sérios problemas de saúde. | Dirigido por Michael Haneke, o filme acompanha o amor quando ele deixa de ser feito de grandes gestos e passa a aparecer, principalmente, no cuidado, na presença e na decisão de permanecer ao lado de alguém mesmo nos momentos mais difíceis. | |
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| | | | | | | ENSAIO ABERTO | “O amor ficou com opções demais” |  | (Imagem: Pinterest) |
| Eu tenho uma teoria de que nossos avós tiveram menos crises amorosas porque simplesmente conheciam menos gente. | Calma. Não tô dizendo que eles amavam melhor. Muito menos que deveríamos voltar para uma época em que sua perspectiva romântica era escolher entre o filho do padeiro e o primo do vizinho. | Mas, pense comigo. Durante muito tempo, a nossa vida amorosa era limitada por uma coisa bastante inconveniente chamada geografia. :) | Você se apaixonava pelo bonito da escola, pelo amigo do seu primo, por alguém que conheceu numa festa ou, no auge da tecnologia, por uma pessoa que te adicionou no MSN e colocou uma música suspeitamente específica no subnick depois de conversar com você. |
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| O universo de possibilidades era relativamente pequeno. | Hoje, eu posso estar sentada no sofá da minha casa, de pijama, com uma máscara facial na testa, e ter acesso a mais pessoas solteiras do que minha avó provavelmente conheceu na vida inteira. | O que, em teoria, deveria ser maravilhoso. Mais gente. Mais possibilidades. Mais chances de encontrar alguém compatível. | | É o mesmo motivo pelo qual eu abro a Netflix decidida a assistir alguma coisa e, 40 minutos depois, continuo no menu. | “Essa parece boa.” “Mas será que não tem uma melhor?” “Essa tem 92% de compatibilidade.” “Mas aquela ganhou um prêmio.” “Essa eu salvo pra depois.” |
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| Quando percebo, já abri o TikTok e tô assistindo vídeo de unha encravada. Resumo da ópera: não assisti absolutamente nada. |  | (Imagem: Pinterest) |
| Só que agora a gente aparentemente resolveu aplicar essa mesma lógica a seres humanos | Ele é engraçado, mas não gosta de viajar. Ela é linda, mas respondeu uma coisa meio estranha. Ele tem tudo que eu procuro, mas sei lá… Não senti aquilo. | E se existir alguém igual, só que um pouquinho melhor? Talvez exista… E esse é o problema. | | E depois desse alguém melhor, pode existir outro um pouquinho melhor que ele — e depois outro. | Parabéns, inventamos a atualização infinita de namorado. |  | (Imagem: Pinterest) |
| Só que pessoas não funcionam muito bem como o iPhone. Não existe uma versão que chega no ano seguinte com tudo que você gostava na anterior, uma câmera melhor e sem aquele defeito que te irritava. | Todo mundo vem com alguma coisa. | Eu tô há quase dez anos com a mesma pessoa, e acho que uma das coisas mais românticas — e menos cinematográficas — que aprendi nesse tempo é que amar alguém não faz as outras possibilidades deixarem de existir. | Você só escolhe não vivê-las. Porque escolher alguém significa, necessariamente, deixar de escolher outras pessoas. |
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| Eu sei, péssimo conceito. Mas talvez compromisso seja um pouco isso. Não encontrar a melhor pessoa entre todas as pessoas disponíveis no planeta… até porque boa sorte fazendo essa pesquisa. | É encontrar alguém suficientemente incrível para você decidir parar de pesquisar — e isso é muito diferente de se contentar. | Se contentar é ficar onde você não quer estar porque tem medo de procurar outra coisa; Escolher é saber que outras coisas existem e, ainda assim, querer ficar.
|  | (Imagem: Pinterest) |
| Talvez essa seja uma das partes menos glamourosas do amor que ninguém coloca nas comédias românticas. | | Forte, mas também um pouco bonito. Porque talvez o objetivo nunca tenha sido encontrar uma pessoa que ganharia de todas as outras num campeonato mundial de compatibilidade. | Talvez seja encontrar alguém com quem você goste tanto da vida que pare de imaginar o que está passando nos outros canais. | Porque, no fim, o problema de ter opções demais talvez não seja existir muita gente por aí. É viver com a sensação de que escolher uma significa estar perdendo alguma coisa. | E, às vezes, está. Mas tem uma coisa que nenhuma possibilidade consegue oferecer: | Descobrir o que uma escolha pode virar depois de dez anos escolhendo ela de novo. |
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| Com amor, | Jé. |
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| | | | | | | AUTORA | Jéssica Cugnier | | Jéssica nasceu em 1995, o que significa que viveu o suficiente para usar Orkut, Tumblr e agora postar no TikTok. Aos 31, pensa demais e decidiu que, já que não consegue parar, pelo menos poderia transformar isso em conteúdo. No @jecugnier, fala sobre relacionamentos, carreira, vida adulta e outras questões que geralmente começam com “eu tava pensando numa coisa…”. É pisciana raiz, recém-casada, inimiga declarada dos áudios com mais de três minutos e, ironicamente, tem bastante coisa para falar. |
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| | | | | | | APRESENTADO POR WESTWING | Nosso escritório ganhou um toque de… Tarsila do Amaral? 🖌️ | | Essa semana, Tarsila do Amaral completaria 140 anos. E é difícil pensar em uma artista que tenha traduzido tão bem o Brasil: as cores, o calor, a mistura e o exagero tropical que só a gente tem. | Como forma de homenagem, decidimos trazer um toque dela para o escritório com peças da Tramas de Tarsila, a collab da artista com a Westwing Collection: | | Quer montar a sua wishlist à la Tarsila do Amaral? Veja a coleção completa aqui. |
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| | | | | | | | BASEADO EM UMA HISTÓRIA REAL | Um ombro para repousar |  | (Imagem: Pinterest) |
| Maria tinha 21 anos. Francisco, 19. | Os dois haviam crescido em uma cidade pequena, cercados por amigos em comum, mas foi preciso que uma dessas amigas resolvesse fazer o papel de cupido para que a história realmente começasse. | Foi por meio dela que Maria descobriu que Francisco estava interessado. |
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| Pouco depois, a caminho de uma novena, vieram as primeiras conversas. E o que até então tinha chegado como um recado de terceiros ficou difícil de esconder. | Francisco gostava de Maria, e os dois começaram a namorar. | Foram quatro anos juntos antes do casamento, com direito a um término no meio do caminho, porque até as histórias que duram uma vida inteira podem ter momentos em que parecem ter chegado ao fim. | Mas eles voltaram — e ficaram. Por 51 anos. | Durante mais de meio século, Maria e Francisco construíram uma vida que foi ficando cada vez maior do que os dois. Vieram os filhos, depois os netos e os bisnetos. Uma família inteira que aprendeu sobre amor observando aquele casal. | Kayllane foi uma dessas pessoas. | Foi naquele ambiente que a neta cresceu, viveu algumas de suas primeiras experiências e colecionou risadas. E foi também ali que aprendeu que uma vida compartilhada não é feita apenas dos dias fáceis. | Maria e Francisco atravessaram suas tempestades, mas, no meio delas, continuaram escolhendo a fé, a parceria, a família e o perdão.
| Existe uma fotografia dos dois que Kayllane gosta muito. Nela, Maria olha para Francisco com um sorriso. Ele repousa o braço sobre o ombro dela. É uma fotografia simples. | Mas, depois de 51 anos, talvez seja difícil enxergá-la como apenas isso. | Há uma intimidade que só o tempo consegue ensinar. Aquela em que o amor já não precisa fazer barulho para ser percebido. |
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| Está no jeito como ela ainda olha para ele. Está no braço que repousa sobre seu ombro. Está na tranquilidade de quem já sabe que pertencer a alguém não significa prender, mas encontrar um lugar onde seja possível descansar. | Durante 51 anos, os dois foram isso um para o outro: um lugar de repouso. | Francisco partiu primeiro. E coube a Maria aprender uma das partes mais difíceis de uma história de amor tão longa: continuar quando a pessoa com quem se dividiu uma vida inteira já não está fisicamente ao lado. | Mas algumas histórias não terminam exatamente onde uma vida termina. | A de Maria e Francisco continua nos filhos, netos e bisnetos; Nas histórias repetidas pela família; Nas lembranças da infância de Kayllane; Na fé que ensinaram e no jeito de amar que deixaram como herança.
| E naquela fotografia. | Hoje, quando olha para os dois, Kayllane pensa no amor que gostaria de encontrar um dia. | Não necessariamente um amor perfeito. | Um amor disposto. Alguém que, depois de muitos anos, ela ainda consiga olhar com admiração. Alguém para quem possa oferecer o próprio ombro nos dias difíceis. | E alguém em quem também possa repousar quando for a vez dela. | |
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| | | | | | | EXTRA | “Pedreiros, quando começam uma construção, têm o cuidado de testar os andaimes; garantem que as tábuas não cedam nos pontos de maior movimento, firmam as escadas, apertam as juntas e os parafusos. | E, ainda assim, quando o trabalho termina, tudo isso é retirado, revelando paredes firmes, de pedra sólida. | Então, meu amor, se às vezes parecer que velhas pontes estão se rompendo entre você e eu, não tenha medo. Podemos deixar os andaimes caírem, confiantes de que construímos nosso muro.” | — Seamus Heaney |
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| | | | | | | EM CARTAZ | Nos cinemas ou no conforto do seu sofá |  | (Imagem: Divulgação) |
| Uma das artistas mais completas e icônicas da cultura nacional ganha uma homenagem à sua altura a partir de 10 de setembro nos cinemas. O documentário musical Viva Marília resgata a trajetória brilhante de Marília Pêra, entrelaçando sua vida e obra com o dinâmico contexto histórico, político e social do Brasil ao longo das décadas de 1960, 1970 e 1980. | A produção celebra a potência de uma geração de mulheres que revolucionou as artes no país, destacando a versatilidade de uma atriz consagrada por 49 peças, 29 novelas e 24 filmes que renderam mais de 80 prêmios. | Confira os principais lançamentos da semana: | Atraídos pelo Destino — 09 de setembro, no Prime Video Não Haverá Mais História Sem Nós — 09 de setembro, nos cinemas As Amigas do Clube — 10 de setembro, na Netflix A Garota do Remo — 10 de setembro, na Netflix
| E você, assistiu a qual dos lançamentos que mencionamos na última edição? | |
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| | | | | | | | RODAPÉ | the news cult | Seu hub abrangente de curadoria cultural e comportamento. Uma lente para entender o mundo e as conexões humanas através do amor, da arte, do cinema, da literatura, das tendências de lifestyle e da vida digital. | Sempre aos domingos de manhã, às 10:00. |
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