BOM DIA |
Talvez a briga contra o rebaixamento nunca foi tão intensa para tantos clubes grandes como nesta temporada. Grêmio, Inter e Vasco lutam ponto a ponto para escapar da possibilidade de cair para a segunda divisão. |
Mas há uma outra equipe nesta lista de desesperados. A “quarta cadeira” é a do Corinthians, que tem enfrentado derrotas atrás de derrotas na competição e soma, a cada semana, uma chance maior de jogar a Série B em 2027. |
A esperança para que isso não ocorra está nas mãos — e não nos pés — de Clarence Seedorf, a surpreendente contração corintiana para comandar o elenco nesta reta final. |
Em mais uma análise, @DataFutebol — um dos melhores scouts do Brasil, analisa a carreira do holandês e como o Corinthians está fazendo uma aposta extremamente arriscada com este treinador. |
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BIG STORY |
Seedorf no Corinthians: um último chute? |
 | (Imagem: Rodrigo Coca | SCCP) |
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O Corinthians está mirando no escuro. E talvez não tenha outra opção. |
Depois de oito derrotas consecutivas no Brasileirão, o clube anunciou Clarence Seedorf como novo treinador. |
O holandês chega com um dos maiores currículos da história do futebol como jogador — mas com apenas 63 partidas como técnico e sete anos longe da beira do campo. |
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Sua missão é simples de explicar e bem mais difícil de cumprir: evitar o segundo rebaixamento da história do Timão. |
Da 7ª colocação à beira do Z-4 |
Para entender o tamanho da crise, precisamos voltar apenas dois meses. |
Em 9 de agosto, o Corinthians venceu o Red Bull Bragantino por 2 a 0 e terminou a 22ª rodada na 7ª colocação. |
Apesar da eliminação na Copa do Brasil e de um desempenho abaixo das expectativas, o cenário ainda estava longe de ser desesperador: o time disputava as quartas da Libertadores e brigava pelas vagas continentais no Brasileirão. |
Então veio o colapso. |
Oito jogos. Oito derrotas. |
Nesse período, o Corinthians marcou apenas sete gols e sofreu 18. Não fez mais de um gol em nenhuma partida e foi vazado em todas. |
Quatro dessas derrotas aconteceram dentro de casa. |
E esse talvez seja um dos dados mais simbólicos da temporada. |
Durante anos, jogar na Neo Química Arena significou começar uma partida com uma enorme vantagem. Em 2026, nem isso tem funcionado: o Corinthians possui saldo de -1 como mandante. |
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Foi nesse processo que Fernando Diniz perdeu o cargo após a derrota para o Internacional. |
E foi nesse cenário que Seedorf aceitou entrar. |
Um retrospecto indesejável |
As oito derrotas consecutivas já representam a pior sequência do Corinthians na era dos pontos corridos. O recorde anterior era de seis, em 2006. |
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O pior registro de toda a história do clube no Brasileirão continua sendo o da Copa João Havelange, em 2000: nove derrotas seguidas. |
Se perder para o Vitória amanhã, o atual time igualará a marca. |
Mas existe uma estatística ainda mais preocupante. |
Desde 2006, apenas oito outros clubes chegaram a oito derrotas consecutivas dentro de uma mesma edição do Brasileirão: |
São Caetano — 8, em 2006 América-RN — 11, em 2007 Náutico — 12, em 2013 Avaí — 8, em 2019 Chapecoense — 8, em 2021 Avaí — 8, em 2022 Coritiba — 8, em 2023 Sport — 11, em 2025
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Todos terminaram rebaixados. |
É essa sequência que Seedorf precisa interromper. |
Voltando ao holandês… |
Como jogador, Seedorf dispensa apresentações. |
Como técnico, a história é bem diferente. |
Como dissemos no início, o holandês chega ao Corinthians com apenas 63 partidas oficiais como treinador: 20 vitórias, 17 empates e 26 derrotas — aproveitamento de 40,7%. |
O Milan, em 2014, foi sua única experiência em que terminou com mais vitórias do que derrotas. Já o momento mais complicado aconteceu justamente em seu último clube, o Deportivo La Coruña, em 2018. Foram apenas duas vitórias em 16 partidas, 25 gols sofridos e um rebaixamento ao fim da temporada.
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Depois veio a seleção de Camarões. Foram 11 jogos, com uma defesa mais sólida — oito gols sofridos — até a eliminação para a Nigéria nas oitavas da Copa Africana de Nações de 2019. |
Desde então, Seedorf não treinou mais. |
Continuou próximo do futebol como comentarista e também passou por funções ligadas à gestão, mas ficou longe da rotina de um treinador. |
Isso cria uma situação curiosa. |
Normalmente, quando um técnico é contratado, conseguimos olhar seus últimos trabalhos para imaginar o que ele pretende fazer. |
Com Seedorf, nem isso existe. |
O agravante chamado Memphis Depay |
Seedorf também encontrará um compatriota precisando urgentemente de ajuda. |
Principal estrela e maior salário do elenco, Memphis Depay vive sua pior temporada desde que chegou ao Corinthians. |
Em 2026, são 23 partidas, apenas um gol e duas assistências — aproximadamente uma participação em gol a cada 500 minutos. No Brasileirão, começou como titular em 11 dos 14 jogos que disputou e marcou apenas uma vez. |
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A diferença para 2025 é enorme. |
Na temporada passada, Memphis terminou o ano com 12 gols e dez assistências em 51 partidas. Sua média de participações em gols caiu de 0,43 por jogo para apenas 0,13. |
E não foi apenas uma questão técnica. |
Problemas físicos reduziram sua sequência e fizeram com que o holandês passasse boa parte da temporada tentando recuperar ritmo. |
Para um Corinthians que marcou sete gols nas últimas oito rodadas, recuperar seu principal atacante deixou de ser apenas um bônus. |
Virou necessidade. |
Um chute no escuro |
É difícil encontrar uma contratação recente de treinador no Corinthians cercada por tantas incógnitas. |
Seedorf tem tamanho, experiência de vestiário e uma autoridade construída por uma carreira que poucos jogadores na história tiveram. |
Mas praticamente tudo o que importa sobre o Seedorf treinador de 2026 ainda é uma pergunta. |
Como seus times jogam? |
Como ele vai se adaptar ao futebol brasileiro? |
O que mudou nos sete anos em que ficou longe da função? |
E, principalmente: existe tempo para descobrir? |
O Corinthians não está contratando Seedorf para iniciar um projeto com calma. Está entregando a ele um time que saiu da 7ª colocação para a beira do Z-4 em oito rodadas e carrega uma sequência que, no atual formato do Brasileirão, sempre terminou em rebaixamento. |
A estreia será contra o Vitória, na segunda-feira (19), às 20h, na Neo Química Arena. |
Seedorf terá uma semana inteira para trabalhar. |
Depois disso, restarão sete jogos. |
Talvez a aposta dê certo. Talvez exista um grande treinador escondido atrás dos sete anos de ausência. Talvez sua chegada provoque justamente o choque que esse elenco precisa. |
Hoje, simplesmente não temos elementos suficientes para saber. |
O Corinthians está mirando no escuro. |
Agora resta descobrir se Seedorf será um tiro certeiro — ou o último chute antes da queda. |
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