| | BOM DIA | simplificar | simplificar é retirar o desnecessário para que o necessário — de verdade — possa ter espaço para aparecer e se desenvolver. | …. | | Recentemente, na minha lista do que assistir para passar o tempo, isso aqui está no topo. 🎬 E, falando em recomendações, achei muito legal esse post, que fala sobre como hoje, por conta de algoritmos, parece que esperamos as coisas chegarem até nós e “abandonamos” a descoberta natural de cultura. 👀 Já que a semana está só no começo, deixo uma sobremesa saudável, caso seja necessário. 🍫 Essa reflexão merece um espaço na sua mente. ✨ Minha música do momento é essa — e nessa versão, especificamente. 🎼 “O que cria uma vida boa?” Um conteúdo muito rico. 💡
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| |  | tradução: “menos é mais.” |
| Antoine de Saint-Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe, certa vez escreveu: “A perfeição é alcançada não quando não há mais nada para acrescentar, mas quando não há mais nada para retirar.” | A sabedoria por trás dessa frase está na ideia de simplificar a vida o quanto possível. Mas esse simplificar nem sempre é tão simples. | Um bom pai ou mãe sabe que existe um limite para a quantidade de coisas que um bebê consegue absorver, por exemplo. |
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| Depois que os amigos chegaram, trouxeram presentes e fizeram brincadeiras, depois dos carinhos, das luzes e das músicas, chega uma hora em que o bebê começa a ficar sério e, já na próxima tentativa de interação, ele solta o choro. | Os pais logo entendem: não há nada de errado. Só é hora de parar. Apagam as luzes e cessam os estímulos. O bebê precisa dormir e a calma vai voltar. | Sabemos perfeitamente que a nossa natureza, em alguns momentos, precisa de menos, precisa de descanso. Mas, muitas vezes, já crescidos e na nossa própria vida, escolhemos complicar quando a saída poderia ser simplificar, poderia ser menos. | Se estamos cansados, acrescentamos alguma atividade para ajudar a descansar; Se estamos inquietos, procuramos alguma coisa para fazer; Se sentimos que a vida está sem graça, encaixamos mais compromissos, mais experiências, mais aulas, mais filmes, mais viagens, mais informações, mais pessoas e mais coisas.
| Achamos que a solução para uma vida pesada está no acrescentar mais coisas, no torná-la mais cheia, no criar mais demandas e compromissos, nem que sejam demandas e compromissos para aprender a “leveza”. Percebe como é um paradoxo? | Talvez precisemos de muito menos do que acreditamos. | Talvez o que você precise sejam alguns compromissos e horários a menos — ou ignorar algumas informações. Talvez precise se colocar menos demandas de acompanhar tanta coisa e questionar a sua necessidade de estar em todos os lugares e a sua vontade de aproveitar absolutamente tudo. |
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| Simplificar não é uma questão de abrir mão de construir as coisas que quer na vida, mas de escolher bem as que mais quer e fazem sentido. Ou melhor: simplificar é eliminar o desnecessário para que o necessário possa se manifestar. | | Porque a verdade é que existe uma grande diferença entre uma vida cheia e uma vida preenchida, ou seja, satisfatória e plena. | Uma vida tão cheia pode não deixar espaço para a alegria de estar plenamente presente naquilo que de fato preenche e satisfaz a sua existência. Percebe? |
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| A leveza que você procura talvez não esteja em encontrar alguma coisa nova para acrescentar à vida, mas em ter coragem de se perguntar: o que eu poderia retirar? E, ao responder essa pergunta, de fato retirar (aqui está a parte difícil). | Como disse Antoine de Saint-Exupéry, quando não houver mais o que retirar, aí se encontrou a perfeição, pois de fato conseguiu hierarquizar e priorizar aquilo que muito importa. | Só que a maioria de nós não irá conseguir fazer isso. A rotina, os compromissos, as demandas e as ideias bonitas do que mais podemos acumular e fazer nos consomem. É realmente difícil, e a gente nem queria ser tão minimalista assim.
| Mas se lembrar de que, às vezes, a receita para a felicidade não está no acrescentar. Menos pode ser realmente mais. O suficiente não é nada pouco. Na verdade, pode ser o verdadeiro muito. Ele já é importante e já pode fazer a diferença em um momento ou outro para acalmar a mente e o frenesi que nos tiram o eixo. | A vida não precisa necessariamente de tantos enfeites para ser boa. Às vezes, ela só precisa de espaço. Às vezes, assim como aquele bebê cansado depois de uma longa exposição a tantos estímulos, você só precisa de um cochilo para recuperar os nervos, rs. | — @Sarinha |
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| | 80,26% de vocês votaram “Sim” na enquete da última semana, dizendo que conseguiram tentar perceber se não vêm depositando toda a sua felicidade e estado de espírito em pequenos picos de excitação. A seguir, alguns comentários: | ✈️ “Tenho uma grande viagem marcada para daqui a 5 meses e percebi que estava vivendo só pensando nisso, sem perceber que estou realmente VIVENDO até chegar lá. Então, tenho buscado ficar mais consciente do dia a dia e das pequenas coisas que me deixam feliz, encontrando alegria diária, e isso tem feito, inclusive, essa espera ser mais prazerosa.” 🚗 “Às vezes, me pego no celular rolando o feed à toa, mas aí volto para o estado mais consciente. Tenho aproveitado a rotina do dia e trazendo um outro olhar para o dia a dia comum... Ao acordar, o café, o momento de exercício físico (retomei recentemente e estou amando), leitura, trajeto de casa para o trabalho de carro, ouvindo música… Como sou grata por ter comprado meu carro, por poder transitar com mais liberdade. Também reparo isso quando estou brincando ou simplesmente na presença dos meus gatinhos. Isso me ajuda a perceber que tudo é maravilhoso e a vida acontecendo também.” 👏 “Tenho excesso de quebra de expectativas por ver 1 passo positivo e querer dar passos maiores que as próprias pernas, gerando uma empolgação espontânea repleta de decepção por acreditar que ‘agora vai.’” |
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| | O desafio da semana é bem legal: comece a refletir sobre algumas coisas que sente que estão desordenadas na sua vida. | Talvez venham muitas, mas como a ideia é perceber como simplificar pode ser profundo e efetivo, elenque duas entre todas as bagunças que surgirem em mente — e pode, sim, ser em ordem de prioridade. | Apenas duas coisas que você sabe que precisa melhorar e, junto das tantas outras que você também quer melhorar, podem acabar escorrendo pelos dedos, pela sobrecarga e pela falta de clareza. |
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| Agora vem a parte mais legal e também mais difícil: pelas próximas semanas — preferencialmente, pelos próximos meses — coloque seu foco nessas duas coisas. | Coloque como uma missão nos seus dias dar atenção e tentar melhorar diariamente apenas essas duas coisas. | A intenção é que você perceba que o que ganha atenção cresce, floresce, se desenvolve e que o seu cérebro é muito bom em dar atenção para algumas coisas claras e objetivas e muito ruim em dar atenção para várias coisas ao mesmo tempo. | Na verdade, quando muito sobrecarregado, ele dá mais atenção a essa sobrecarga do que naquilo que criou ela. Ou seja, ele não presta atenção em nada do que você realmente precisa. | Essa é a mágica de simplificar. |
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| | | | ❝ | | | Até você tornar o inconsciente consciente, ele dirigirá sua vida e você o chamará de destino. | | | | Carl Jung |
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| O destino pode ser, muitas vezes, uma explicação que inventamos para aquilo que nós mesmos continuamos produzindo sem perceber. | Jung, para além de nos convocar a olhar para dentro, está colocando em dúvida a nossa narrativa sobre a própria vida. Por exemplo, alguém diz: | “Eu sempre acabo me envolvendo com pessoas assim”; “Não tenho sorte profissionalmente”; “As pessoas nunca me entendem”; ou “Eu sou simplesmente uma pessoa ansiosa, não tem jeito”.
| Às vezes, existe realmente azar, circunstâncias, temperamentos e um contexto. Há muitas coisas que estão para além do nosso controle. Mas existe também a possibilidade incômoda de que haja uma participação nossa na maioria das coisas que se repetem em nossa vida. | É realmente curioso como, enquanto o padrão permanece inconsciente, ele pode parecer uma força externa. É só quando começamos a enxergá-lo que ele deixa de parecer algo incontrolável e passa a parecer uma possibilidade de escolha. E essa é justamente a importância dessa reflexão. | Porque é verdade que nem todos vão querer olhar para isso. É perfeitamente possível viver uma vida inteira sem se dedicar a esse tipo de reflexão e, ainda assim, seguir funcionando, escolhendo e construindo. | Mas também é bem possível que, nesse cenário, muito possa ser desnecessariamente desgastado por ser encarado como algo estático, que “simplesmente é assim”, e não como um padrão que pode ser transformado para melhorar um contexto inteiro. |
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| | | Como lidar/aceitar a solidão e a finitude na velhice? |
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| Não deve ser fácil. Sou apenas uma jovem prestes a compartilhar coisas que busco aprender estudando o desenvolvimento humano e um pouco de filosofia — e também como filha, vendo meus pais entrarem nessa fase da vida. | Então, me perdoe se eu soar limitada ou equivocada em algum momento. Ainda não consigo calçar os seus sapatos. E, mesmo que conseguisse, cada pessoa vive essa etapa de um jeito muito próprio: | A solidão e a finitude na velhice não são problemas que precisam ser corrigidos — como você já parece entender ao usar os termos “lidar/aceitar”. Elas fazem parte da vida como um todo e, nessa etapa, chegam de um jeito diferente daquele que conhecemos quando ainda mais jovens. |
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| Ao longo da vida, nossa identidade vai sendo sustentada por muitas coisas: trabalho, rotina, filhos, responsabilidades, compromissos e grandes eventos marcantes. Na velhice, boa parte disso pode diminuir. E, quando esse movimento acontece, é comum que apareça uma sensação de vazio. | Mas esse vazio, na verdade, revela algo que sempre esteve ali, mas que era mascarado pelo barulho e pela agitação dos compromissos sociais: a nossa vida interior.
| Por isso, para “aceitar/lidar” com isso que você percebe aí dentro, uma pergunta muito importante pode ser: o que permanece quando o mundo já não organiza tudo aquilo que eu sou? | Essa pergunta precisa te levar a um tempo para revisitar a própria história, fazer as pazes com algumas lembranças, agradecer outras e aceitar que nem tudo será resolvido. Mas, em meio a tudo isso, principalmente perceber que há algo que permanece: você, o seu Ser, por essência. | Se você prestar muita atenção, pode perceber que isso que você É é algo que permaneceu desde que você se lembra, em cada experiência que viveu. Isso é também, desde sempre, uma experiência solitária. Só você adentra esse lugar. |
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| É isso que Viktor Frankl chamou do sofrimento inevitável da nossa experiência. Porque isso vai te colocar, inevitavelmente, diante da solidão. Mas, posteriormente, isso pode se transformar em uma integração e aceitação mais plena de tudo isso que você é e também da sua finitude. | Então, é um exercício muito importante para você tentar revisitar memórias importantes da sua vida e perceber como, em todas elas, existia algo muito estável, que sempre estava lá. | Isso é muito importante nessa fase da vida. Porque a maturidade agora provavelmente não vai pedir de você uma vida cada vez mais cheia, mas talvez te convidar para uma presença mais tranquila, consciente e real. | Também nesse sentido, um dos principais estudiosos do desenvolvimento psicológico humano, Erik Erikson, dizia que o grande desafio da velhice é um conflito entre integridade e desespero. | A integridade aparece quando a pessoa consegue olhar para a própria história e dizer: “essa foi a minha vida”. Não porque tudo deu certo, mas porque consegue acolher o caminho percorrido, com as alegrias, os erros, as perdas e as conquistas; O desespero, por outro lado, nasce quando, ao revisitar sua história, a pessoa sente que a vida passou sem sentido e, assim, pode se prender ao arrependimento e à sensação de que já não há mais tempo.
| Mas o mais bonito dessa ideia é que Erikson não diz que precisamos ter vivido uma vida perfeita. | Ele diz que o desafio e o grande ponto é chegar, aos poucos, a uma reconciliação com a própria história, exatamente como ela foi. |
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| Quando isso acontece, nasce aquilo que ele chama de sabedoria e integridade: a capacidade de encarar a finitude sem ser dominado por ela. É justamente nessa aceitação da própria vida como foi, como é, que a finitude muda de lugar. | Ela pode passar a lembrar que toda vida tem um formato porque tem um começo e um fim. O fim não tira o sentido da vida, mas é, na verdade, o que dá forma significativa a tudo que se passou. | Aceitar a velhice não é desistir da vida nem se conformar. Pode ser, simplesmente, deixar de criar tantas exigências para que essa vida cresça mais “para dentro” do que para os outros lados. Porque isso é o que o cenário mais propicia. E isso é lindo, por mais desafiador e assustador que possa parecer também. | Os anciãos sempre foram respeitados ao longo da história, por exemplo. Sempre foram aqueles que guardavam as histórias do mundo e o peso da experiência. | Mas percebe como, no nosso tempo, as pessoas lutam cada vez mais contra isso? Ninguém quer aceitar a velhice, desde os traços até o papel e as responsabilidades dela. Talvez por isso seja especialmente difícil envelhecer atualmente.
| No fim, a solidão e a finitude pedem um novo tipo de amadurecimento — e essa fase da vida carrega particularidades tão preciosas quanto as de qualquer outro estágio. Aí existe um jeito muito peculiar de se olhar para o tempo. | Não como algo que está acabando, mas como algo que fez parte de uma história que agora pode ser contemplada com menos pressa de corrigir e mais disposição para compreender, ensinar e deixar uma marca pela sua presença e repertório. |
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| Por isso, espero que consiga perceber que a sua vida é cheia de sentido e que o trabalho a se cumprir só cessará com seu último suspiro. | |
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| | No hoje estão os dias dos quais você irá se lembrar. |
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