| | BOM DIA | riso fácil | Se você se desse conta de que o humor é uma capacidade unicamente humana e, por isso, preciosa e sofisticada, talvez não sentisse tanta vergonha de tomar tempo pra contar uma piada, nem ousaria segurar o riso — mesmo que a piada não seja tão boa assim. Talvez, sorrir para a vida se tornasse mais fácil. | …. | | | | Existe em nós uma característica muito interessante que nos diferencia dos outros animais: a capacidade de autodistanciamento. | Essa é a possibilidade de imergir nas situações à nossa frente e assim conseguir enxergar para além das circunstâncias que nos são dadas. | É assim que conseguimos fazer planos, ter sonhos, coragem e ambições e, ao mesmo tempo, também resistir a alguns instintos naturais e a inimagináveis formas de sofrimento. |
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| Isso é exatamente aquilo que nos diferencia dos outros animais: não somos completamente condicionados e determinados pelas circunstâncias presentes. | Existem duas formas em especial em que esse autodistanciamento se destaca no nosso dia a dia. E, só para deixar claro, não sou eu quem está postulando; na verdade, é parte da robusta teoria psicológica do psiquiatra austríaco Viktor Frankl: | Atos de heroísmo: atos escolhidos em vista de um bem maior, em favor de uma consciência moral. Por exemplo, animais simplesmente não conseguem pensar em deixar um pouco de alimento para compartilhar com o outro da sua espécie ou se sacrificar no lugar de outro; Humor: capacidade unicamente humana e da qual não devemos sentir vergonha ou subestimá-la. “Em virtude deste, o homem é capaz de distanciar-se não apenas da situação, mas também de si mesmo.”
| Isso é de extrema importância para cada um de nós percebermos, pois, no nosso dia a dia, isso pode nos ajudar de forma muito útil a perceber que não são os nossos condicionamentos psicológicos (crenças, padrões de pensamentos e emoções) ou os nossos instintos naturais, como no caso dos outros animais, que nos conduzem e mais importam diante da nossa existência. | É a atitude que tomamos diante delas ao tomarmos consciência dessa possibilidade de tomar alguns passos de distância de cada situação e enxergar além das formas que se manifestam no aqui e agora. Isso faz parte do sentido que Viktor Frankl acreditava ser o grande motor da nossa natureza humana. |
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| Percebe como é através desse autodistanciamento que temos a possibilidade de atribuir um significado, uma razão maior a cada pequena situação? | É a nossa capacidade de emergir das menores às maiores e mais desafiadoras situações — de julgar, de observar e ver além, até o ponto de conseguir dar risada da nossa pequenez e insensatez — que faz de nós seres humanos. | E, em um contexto como o nosso, esses são traços cada vez mais latentes. Não é difícil perceber como as pessoas estão apáticas em relação a tudo, desinteressadas e isoladas. | Nos rendemos no nosso mundo a uma visão determinista, condicionante e mecanicista, e é justamente por isso de especial importância nos recordarmos dessa “humanidade”, desses atributos que nos diferenciam de máquinas e de ratos de experimento. | Isso pode se dar no trato com as pessoas ao seu redor, dedicando-lhes algum ato de generosidade e de amor — o que é heroico — ou fazendo-as sorrir e dar risada. Ou ainda, no nosso trato com nós mesmos e nossa vida: | Com o que você pode se alegrar e fazer rir hoje? Como você pode ser menos rabugento, carrancudo e estraga-prazeres ao andar pela vida hoje? O que você pode fazer pensando além de si mesmo hoje, pensando num bem supremo e comum?
| Essas coisas, que podem parecer muito idealistas, moralistas ou apenas firulas, na verdade são exercícios muito práticos pra preencher aquele vazio existencial que a maioria de nós enfrenta em nossos tempos. | — @Sarinha |
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| | | Sobre o desafio desta semana, você conseguiu sorrir mais e fazer ao menos uma pessoa rir em vez de reclamar e fazer cara feia? | | Lembre-se da força e de todas as virtudes que a alegria envolve. Tentar desenvolver um pouco disso pode melhorar significativamente a sua rotina. |
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| | | | ❝ | | | Todos os problemas da humanidade decorrem da incapacidade do homem de permanecer sozinho em um quarto. | | | | Blaise Pascal |
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| Uma angústia recente que me chama atenção é a das pessoas que se sentem culpadas quando não estão produzindo. | Talvez uma das formas mais sofisticadas que encontramos para fugir de nós mesmos seja viver constantemente ocupados — e, justamente por ser “sofisticada”, ela costuma passar despercebida. | Nossa cultura nos ensinou a admirar agendas cheias, rotinas intensas e a sensação de que cada minuto precisa ser produtivo. |
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| Produzir, resolver, responder, aprender, treinar, evoluir… tudo isso pode ser muito bom. Realmente, sempre existe trabalho a ser feito. | Mas e quando, por algum motivo, tudo isso cessa, o que nos resta encarar? O que resta de nós para além do que fazemos e que nos distrai? Isso também é importante.
| Recebo com frequência relatos de pessoas que se sentem culpadas por descansar, inquietas diante de qualquer tempo livre ou desconfortáveis quando não têm uma tarefa imediata para cumprir. | A dificuldade de permanecer diante de si quando as ocupações saem do centro pode estar justamente apontando para alguma coisa. |
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| Talvez o problema não seja o excesso de coisas a fazer, pois todos temos coisas a fazer, mas o lugar que isso ocupa. | Blaise Pascal pode ter percebido algo que continua profundamente atual: nem toda fuga parece uma fuga. Algumas chegam até nós com o nome de disciplina, de produtividade ou de legado. | Permanecer sozinho em um quarto, apenas com o tédio e sua consciência, é mesmo uma experiência exigente. É só tentar fazer isso para perceber. | Porque nos priva da possibilidade de preencher o silêncio com aquilo que fazemos e nos devolve uma pergunta muito mais difícil: quem somos? O que nos resta quando já não podemos nos distrair nem mesmo com coisas boas? | Isso nunca é fácil, mas é, em qualquer altura da vida, essencial. |
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| | | Estou há um mês num estado de paralisia quase total, sem conseguir fazer nada que antes gostava (treinar, estudar e hobbies). Além da luta constante com o vício nas telas, está cada vez mais difícil de ganhar essa guerra... |
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| Em algo que você traz pode estar justamente um dos maiores motivos da sua “paralisia”. | Veja bem: como você diz que faz apenas um mês que vem sentindo isso, vou tomar a liberdade para não focar em algo como uma patologia. Até porque isso que você traz me parece um sintoma muito comum e rotineiro no nosso contexto viciado em telas. | Mas o interessante é que você — e também a maioria de nós — trata a questão do vício como apenas um detalhe, que pode ficar de escanteio e que sempre é deixado por último, quando a verdade é que pode ser justamente essa a raiz da questão.
| Estamos lidando com um vício real, sério e que altera por completo a química do cérebro. | O seu cérebro não foi desenvolvido para receber descargas altas de dopamina com a frequência com que tem recebido graças aos seus hábitos. | Depois de ativar mais dopamina do que qualquer processo natural humano seria capaz de ativar com o conteúdo das telas, o seu cérebro entende mais ou menos o seguinte: “por hoje deu, já foi muito”. |
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| Assim, diminui a frequência de ativação desse mesmo neurotransmissor — importantíssimo quando se trata de interesses, motivação e prazer — ao longo de outras tarefas em que ele seria essencial. | Não sobra vontade, motivação e interesse para fazer mais nada, pois essas coisas dependem da ativação da dopamina que já teve seu “estoque” de um dia completamente gasto com o que era só uma distração. | | Esse vício, que você traz como algo secundário e apenas um detalhe, provavelmente é o que está te paralisando. Ele está te distraindo e te sugando, literalmente. | Cuidado. Não é porque todo mundo está fazendo que algo deixa de ser ruim. |
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| Se há um lugar por onde começar a mudar o seu cenário é justamente por esse vício. Por uma semana, tente se comprometer a pegar no celular ou a abrir as redes sociais apenas 2 horas depois de ter acordado e começado a sua rotina. | Depois, pode tentar se comprometer a deixar o celular longe enquanto executa uma tarefa importante ou quando for fazer algo que lhe interesse, como um hobby, um esporte, uma aula ou um encontro com amigos.
| Isso pode mudar muita coisa no seu cérebro, na sua motivação e na sua energia. Não subestime o que é muito sério. | | Por que sentimos ciúmes? Às vezes não tem motivo aparente e parece até algo irracional. Mas, mesmo assim, sentimos o bendito ciúme! |
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| Como muitos seguem se empenhando em responder aos desabafos das últimas vezes que fizemos esse exercício, chegou novamente a vez de vocês. | Comente a sua resposta neste post sobre o desabafo acima. A melhor resposta vai figurar em uma das nossas edições. | |
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| | As pessoas nunca estão prestando tanta atenção em você quanto estão prestando nelas mesmas e na atenção que também imaginam que os outros estão prestando nelas. |
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| | cc: @sarah.ferrreira | Despertando sua melhor versão. Afinal, se tudo na vida é ponto de vista, por que não aprender um melhor jeito de enxergar? Toda terça e quinta, na hora que o sol nasce, direto na sua caixa de entrada do e-mail favorito. | Dúvidas, feedbacks ou sugestões? Responda esse e-mail ou envie um direct pra gente. Adoramos sua companhia :) | até semana que vem! | | |
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