| | BOM DIA | o que nos faz humanos? | algumas atividades não produzem dinheiro, não melhoram desempenho, nem te ajudam a bater alguma meta. mas, ainda assim, podem ser elas aquelas que, de fato, te farão perceber que você está vivo — e a beleza que existe nisso. então, invista nelas também. | …. | | | | Recentemente, assisti a este vídeo, e ele me fez pensar bastante. | Hoje, em vez de trazer uma reflexão minha propriamente dita, queria, antes de tudo, compartilhar algumas das informações apresentadas nele, pois, de algum modo, acredito que elas também vão provocar você da forma que há de fazer sentido na sua própria vida: | “Imagine acordar sem despertador, sem agenda, sem horário para chegar a algum lugar e sem a pergunta “o que preciso fazer hoje?” já respondida pela sua lista de obrigações.” |
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| Durante a maior parte da história humana, essa era a vida. Por milhares e milhares de anos, os seres humanos não tiveram empregos, salários, chefes ou uma carreira para construir. Então, o que eles faziam com o tempo? | Pesquisas sobre alguns dos últimos povos caçadores-coletores sugerem que conseguir alimento ocupava apenas uma parte do dia — em muitos casos, algo em torno de 15 a 20 horas por semana. | O restante do tempo era preenchido por outras coisas: cuidar das crianças, conversar, brincar, fabricar ferramentas, preparar alimentos, contar histórias, fazer adornos, criar objetos e descansar. | E há uma evidência especialmente interessante disso: a arte. | Há dezenas de milhares de anos, seres humanos já pintavam animais nas paredes das cavernas, produziam instrumentos musicais e faziam joias. Alguns desses objetos, inclusive, exigiam horas de trabalho cuidadoso e não ofereciam nenhuma vantagem imediata para a sobrevivência. |
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| Eles simplesmente faziam coisas bonitas e passavam tempo juntos. E isso diz algo sobre muitas coisas — anseios e aspirações — que nós ainda carregamos em nós. | Quando não estavam tentando conseguir comida ou se proteger, aqueles seres humanos não precisavam necessariamente preencher cada hora com uma tarefa produtiva. | Havia tempo para conversar, observar, brincar, criar, contar histórias e simplesmente estar juntos. A socialização sempre foi um movimento praticamente vital.
| À noite, ao redor das fogueiras, as conversas também eram algo interessante. Depois de resolvidas as questões práticas do dia, apareciam histórias sobre ancestrais, mitos, acontecimentos extraordinários, deuses, espíritos, aventuras… e temos conhecimento disso pelos registros deixados por essas culturas para nós. | Pense comigo: costuma ser justamente quando não estamos ocupados tentando sobreviver que começamos a fazer perguntas sobre a própria existência. |
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| Até que então veio a agricultura. Ela permitiu alimentar populações maiores, mas também trouxe mais trabalho: plantar, colher, armazenar, proteger as plantações. | As populações cresceram, surgiram cidades, especializações, instituições e, muito mais tarde, a vida organizada em torno do emprego, como conhecemos hoje.
| É claro que não foi tão simples e resumido assim. É claro que não podemos simplesmente olhar para esse passado e concluir que melhor seria voltar a esse formato. Seria, na verdade, um absurdo pensar assim. | A vida dos nossos antepassados tinha dificuldades que nem sequer conseguimos imaginar e muito menos desejar. Foram justamente os desafios enfrentados por eles que nos trouxeram essa realidade cheia de facilidades que temos atualmente. | Mas há coisas nessa história que são curiosas e relevantes para levantar algumas perguntas e reflexões: | Nós não precisamos mais passar horas procurando comida para conseguir jantar; Nós não precisamos caçar para comer; Nós não precisamos construir nossas próprias ferramentas ou produzir tudo aquilo de que precisamos para sobreviver. Precisamos trabalhar por um certo número de horas para conseguir o dinheiro que nos compra a sobrevivência.
| Mas, ainda assim, conseguimos preencher cada minuto do nosso dia. E pior: muitas vezes sentimos que estamos desperdiçando o tempo quando não fazemos nada, mesmo que já tenhamos cumprido com primor as nossas horas produtivas. | Você já reparou como é difícil simplesmente não fazer nada? | Hoje, é praticamente unânime, sempre que houver um minuto livre, imediatamente se procura alguma coisa para ocupá-lo, seja responder, adiantar, organizar ou assistir alguma coisa. | | Talvez a relevância que existe nesse “nada” seja justamente uma das coisas que mais perdemos de vista. | Aqueles seres humanos que viviam de caça e coleta não usavam seu tempo livre para construir um currículo ou aumentar sua produtividade. Eles conversavam, brincavam, faziam música, contavam histórias, criavam coisas bonitas, cuidavam uns dos outros e olhavam para o céu. | Será que todas essas coisas em si mesmas não faziam a vida repleta de sentido e significância? Porque talvez fossem justamente essas coisas que os ajudavam a alcançar uma versão melhor de si mesmos. |
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| Percebe como essas coisas não eram necessárias para sobreviver, mas muito importantes para viver? | Não precisamos voltar às cavernas. Não precisamos abandonar o trabalho, a tecnologia ou a vida que construímos. A questão é outra: | O que, apesar de todas as mudanças da nossa realidade, continua sendo profundamente humano? O que você faz hoje que não precisa “servir para alguma coisa”, mas que serve a muita coisa? Quando foi a última vez que você fez alguma coisa simplesmente porque era bonita? Quando foi a última vez que você conversou com alguém sem olhar para o relógio? Leu sem precisar aprender nada? Ficou com alguém sem transformar o encontro em apenas mais uma programação? Brincou sem pensar que estava perdendo tempo?
| Será que tudo isso não é relevante? | Uma atividade pode não produzir dinheiro, resultado, desempenho ou algum outro número, mas, ainda assim, pode ser importante na sua formação como pessoa e na composição do todo que chamamos de vida. Na verdade, podem ser elas aquelas que de fato te farão perceber que você está vivo — e a beleza que existe nisso. | Portanto, elas podem ser uma boa maneira de considerar passar alguma parte do seu tempo. | Talvez todas essas reflexões revelem mais sobre a nossa época do que sobre nós mesmos. Mas, ao mesmo tempo, revelam coisas que existem dentro de você e que seria importante, de alguma forma, conseguir adaptar e trazer para a sua realidade. | Algumas das coisas que hoje tratamos como “tempo perdido” talvez sejam, justamente, aquelas que sempre nos fizeram humanos. | — @Sarinha |
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| | | Sobre o desafio desta semana, você conseguiu pesquisar em qualquer plataforma sobre algum tema que te desperta curiosidade e/ou se arriscar em algum primeiro passo em algo novo e que você ache interessante e belo? | | Lembre-se: precisa ser uma coisa simples e que realmente esteja ao alcance da sua realidade hoje mesmo. É preciso perceber que pode ser muito mais simples do que a sua cabeça te faz acreditar começar a aprender alguma coisa diferente, nova, legal e que, principalmente, faça algum sentido para você. |
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| |  | tradução: “meu mundo é como é a minha visão.” |
| | ❝ | | | Só quem é capaz de ver pode agir corretamente. | | | | Josef Pieper |
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| Queremos respostas rápidas. Queremos resolver aquilo logo, decidir logo, tomar uma atitude logo, porque o mundo nos cobra efetividade e agilidade. Então, muitas vezes, fazemos qualquer coisa antes mesmo de compreender o que está diante de nós. | | Perceber a realidade com clareza pode exigir muito mais tempo do que gostaríamos. Porque exige atenção, observação e, principalmente, paciência e humildade de admitir que ainda não entendemos o suficiente e precisaremos de ainda mais dedicação. | Mas o grande ponto — a grande virada de chave — é que compreender profundamente um problema já é uma parte importante da sua solução. |
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| Porque quando finalmente enxergamos as coisas como elas são, muitas decisões deixam de ser tão difíceis e se tornam apenas o caminho evidente. | A sabedoria, a genialidade e a eficácia podem ter menos a ver com encontrar a resposta mais rápida e mais com aprender a olhar para a realidade em questão com paciência, clareza e precisão. | Se você refinar o seu olhar, as suas escolhas também podem se tornar mais sofisticadas. |
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| | | Tive problemas com meu pai a vida toda. Sou filha única e meus pais são separados (ele vive sozinho e eu com minha mãe). Ele sempre se coloca em um papel de vítima, age como uma criança, e até pouco tempo eu fazia até a faxina na casa dele. Queria saber como lidar com as chantagens emocionais e o vitimismo que ele faz. Tenho 33 anos e quero construir minha família, mas ele é tão egoísta que me quer aí, aos seus pés. |
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| Talvez a sua grande dificuldade não seja lidar com o comportamento do outro, mas suportar a culpa que aparece quando você começar a deixar de viver em função dele. | Por isso, meu foco aqui não será te dar respostas sobre como mudar o seu pai — uma vez que não é possível mudar o outro. O mais importante é entender o que precisa se transformar dentro de você e na sua postura diante do outro, porque assim o mundo acaba mudando também. | Você pode amar o seu pai, honrá-lo e se preocupar com ele, mas isso não significa que precise organizar a sua vida para atender às expectativas e demandas dele. Essas duas coisas não são sinônimos, e isso é algo essencial para você entender. | É natural que, em algum momento, os filhos como você — que querem construir uma família — deixem de ocupar o centro da família de origem para construir a própria família, casa e história. | Faz parte do ciclo normal da vida, e o crescimento vai te exigir esse desapego. |
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| Por isso te pergunto: a questão hoje é o vitimismo do seu pai ou uma dificuldade que você sente em desapegar dessa necessidade de corresponder ao que ele espera de você? | Entenda que as pessoas que fazem chantagem emocional não costumam mudar quando encontram bons argumentos. Elas mudam (se mudarem) quando percebem que o outro já não é governado pela culpa — e isso exige uma mudança muito maior dentro de você do que nele. | | Mais uma vez, essas duas coisas não são a mesma. | Você não deixa de amar alguém quando coloca limites e não deixará de honrar seus pais quando começar a viver a vida que agora é sua responsabilidade viver. | Construir a sua própria família não é uma traição à família que veio antes, mas talvez seja, justamente, uma forma de honrá-la. |
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| Você pode continuar amando o seu pai sem continuar vivendo em função das necessidades emocionais dele. Por isso, a questão para você talvez realmente não seja a postura do seu pai, mas o que em você se mantém refém a ela. Percebe? | Você vai precisar entender os mecanismos que te mantêm tão apegada para conseguir colocá-los na balança junto dos benefícios de honrar sua família de origem tocando a sua própria vida como qualquer adulto funcional. | Infelizmente, não há como te dar respostas prontas para isso, especialmente no pequeno espaço que temos aqui. Mas espero que esses questionamentos te ajudem a começar a refletir. | Espero mesmo que você consiga desamarrar esses nós e que, com a sua mudança, seu pai também consiga se acostumar com a experiência de ser pai de um filho adulto. | É algo novo e desafiador também para ele, mas não haverá outro caminho senão aprender a lidar. | |
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| | Seu corpo anda tentando te dizer alguma coisa? | | Talvez seja para dormir mais. Desacelerar um pouco. Se movimentar. Ou simplesmente descansar. | Nem sempre é fácil perceber esses sinais — e é justamente aí que entra o Oura Ring. | O anel acompanha seu sono, recuperação, atividade e outros dados para ajudar você a entender melhor o que seu corpo anda tentando dizer. | E, nesta semana, o the news vai dar um Oura Ring de presente para um leitor. | Para participar, é simples: 1 amigo indicado pelo seu link pessoal = 1 chance de ganhar. | Pegue seu link aqui. Quem sabe esse não seja o empurrãozinho que faltava para olhar um pouquinho mais para você? |
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| | Jamais chame de “sortudo” aquele que falhou muito mais vezes do que a maioria tentou. |
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