Você está olhando só para a eleição? O que o investidor está olhando pelo mundo
O investidor brasileiro ainda diversifica pouco: apenas 6,3% dos bens e direitos declarados ao Imposto de Renda no ano-calendário de 2024 estavam no exterior
Por the news money · 15 de outubro de 2026
15 de outubro de 2026
Good morning, Brasil
O Senado aprovou a PEC do fim da escala 6x1, enquanto a Câmara dos Deputados avançou com o novo limite de faturamento e o perdão de dívidas do MEI. Em dia de cautela fiscal e liquidação em ações de tecnologia nos EUA, o Ibovespa fechou em leve queda de 0,18%.
Nos negócios, as emissões de CRI e CRA despencaram 50% nos últimos dois anos no mercado brasileiro; a indiana Jio Platforms captou US$ 20 bilhões para aquele que pode ser o maior IPO da história do país; e o Bank of America foi multado em US$ 1,2 bilhão por falhas na prevenção à lavagem de dinheiro.
No Paper of the Day, analisamos o mapa do mercado acionário global em 2026: quais são as bolsas de melhor desempenho no ano, os fatores por trás desse rali e os riscos no radar dos investidores?
As bolsas de melhor desempenho de 2026 vendem a infraestrutura da AI
O investidor brasileiro ainda diversifica pouco: segundo estudo do Centro de Estudos em Finanças da FGV, apenas 6,3% dos bens e direitos declarados ao Imposto de Renda no ano-calendário de 2024 estavam no exterior. É um percentual bem abaixo do piso de 16% que o estudo estima ser necessário para neutralizar o efeito do dólar sobre o consumo dos brasileiros.
E, olhando para fora, enquanto por aqui se discutem Lula x Bolsonaro e os gastos do governo, alguns mercados chamam muita atenção em 2026 e por vezes estão fora do radar do investidor local.
Para você ter ideia, mesmo depois da queda desta quinta-feira (15), a bolsa de Taiwan sobe cerca de 62% no ano; a Coreia do Sul, cerca de 31%; e o Japão, cerca de 27%. Os três estão entre alguns dos mercados de melhor desempenho em 2026, compartilhando algo em comum: a exposição à infraestrutura física da inteligência artificial.
Imagem: AP Photo/Ahn Young-joon
Cada um ocupa um elo diferente dessa cadeia: em Taiwan, a TSMC fabrica chips projetados por Nvidia, Apple e AMD, e a ilha produz mais de 90% dos chips mais avançados do mundo. As exportações taiwanesas alcançaram o recorde de US$ 87,2 bilhões em setembro, alta de 60,9% e o 35º mês consecutivo de crescimento, enquanto o TAIEX renovou o recorde na primeira semana de outubro, perto de 49.900 pontos. Nesta quinta, a TSMC divulga seus resultados, e o mercado espera o sexto trimestre seguido de lucro recorde.
A Coreia do Sul entra nessa cadeia com as memórias de Samsung e SK Hynix. O Japão, por sua vez, fornece equipamentos de fabricação e de teste de semicondutores, com companhias como Tokyo Electron e Advantest, que em julho elevou em 35% sua previsão de lucro operacional.
A inteligência artificial, porém, não explica tudo: reformas de governança em Tóquio e Seul vêm pressionando as empresas a elevar dividendos e recompras e a entregar retornos maiores aos acionistas, o que se somou à demanda por chips.
Por outro lado, a concentração também preocupa: a TSMC representa mais de 40% do índice de Taiwan; Samsung e SK Hynix respondem por cerca de metade do KOSPI; e o Nikkei, ponderado pelo preço das ações, depende excessivamente de poucos nomes, como Advantest, Tokyo Electron, SoftBank e Fast Retailing.
A Coreia já viu esse risco na prática: depois do pico em junho, o KOSPI chegou a perder aproximadamente 40% até julho, em um movimento ampliado pela concentração das ações e pela alavancagem dos investidores (contamos melhor essa história nesta edição), e nesta quinta-feira (15) voltou a cair cerca de 7%, com a Samsung perdendo mais de 9% e a SK Hynix, mais de 11%, em meio ao avanço da chinesa CXMT em memória, à inflação americana acima do esperado e às dúvidas sobre o retorno dos gastos em AI. A SK Hynix já está 57% abaixo do pico de quatro meses atrás, segundo a Bloomberg, e no Japão o Nikkei chegou a cair cerca de 5%, com a SoftBank caindo cerca de 9% e a Tokyo Electron, mais de 6%.
Em resumo, Japão, Coreia do Sul e Taiwan compartilham um motor, o ciclo global de investimentos em inteligência artificial, e um risco: quando as poucas empresas expostas à cadeia de chips sobem, impulsionam os índices; quando caem, arrastam os índices, como se viu nesta quinta.
E para você, investidor, talvez já diversifique com algum ETF ou ação nos Estados Unidos. Mas vale lembrar: a economia global vai muito além de Wall Street e continua se movimentando independentemente do que acontece por aqui.
APRESENTADO POR MOHZ
Já dizia Darwin: ou você evolui ou fica para trás
Quer dizer, talvez não fosse bem essa a frase, mas você entendeu. Quem trabalha com investimentos sabe que o mercado evolui sem parar, e acompanhar cada novo ativo não é fácil.
Mas tem um que você não vai querer deixar passar: os ativos alternativos. Diferente de outras opções, eles têm lastro na economia real e seguem uma lógica própria. Por isso, são uma opção de diversificação que pouco depende do humor da bolsa.
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