Dívida externa bate recorde e o Brasil deixa de ser credor líquido do mundo
O indicador funciona como um saldo: soma o que o país deve ao exterior e desconta o que mantém lá fora.
Por the news money · 26 de outubro de 2026
26 de outubro de 2026
Good morning, Brasil
Brace for impact. Os contratos futuros do EWZ chegaram a despencar 20% durante a madrugada, acompanhados por uma forte disparada do dólar. Em Tóquio, o ETF de Brasil operava em queda de 12,75%. O mercado precifica a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva para o seu quarto mandato presidencial e suas reverberações econômicas, com expectativa de circuit breaker no pregão de hoje.
O assunto de hoje não será outro além das repercussões eleitorais: entender os impactos de curto prazo, os riscos fiscais, as oportunidades e o que esperar para a política econômica nos próximos meses.
No Paper of the Day, analisamos um marco na economia brasileira: após 19 anos, o Brasil voltou a ser devedor externo líquido. Explicamos o funcionamento do indicador que consolida o saldo entre o que o país deve e os ativos que mantém no exterior.
Aqui está o seu the news money de hoje
Ativo
Fechamento
1 dia
YTD
Índices
Ibovespa
205.082,56
+0,47%
+27,28%
IFIX
3.990,57
+0,43%
+5,70%
S&P 500
7.623,68
-0,52%
+11,37%
NASDAQ
25.955,34
-0,21%
+11,67%
DAX
25.181,65
-0,75%
+2,82%
FTSE 100
10.690,36
-0,32%
+7,64%
Nikkei 225
62.693,16
-0,34%
+24,54%
Shanghai
3.690,48
+0,89%
-7,01%
Moedas
Dólar
R$ 5,00
-0,99%
-7,75%
Dólar Digital (USDC)
R$ 5,00
-0,99%
-7,75%
Euro
R$ 5,56
-1,94%
-12,44%
Libra
R$ 6,64
-1,92%
-8,92%
Bitcoin
U$ 80.353,99
-0,54%
-10,88%
Commodities
Brent (Barril)
U$ 111,70
-1,30%
+83,57%
Minério de Ferro (Ton)
U$ 90,83
+0,11%
-15,22%
Ouro (Onça troy)
U$ 4.007,90
-1,29%
-7,68%
Soja (60kg)
R$ 152,41
+0,32%
+8,08%
Milho (saca 60kg)
R$ 64,27
+0,05%
-7,53%
Café Arábica (saca 60kg)
R$ 1.601,95
-1,11%
-26,34%
▲ Maiores altas
CSNA3
+12,41%
R$ 6,07
USIM5
+4,74%
R$ 6,63
NATU3
+4,50%
R$ 7,90
CYRE3
+3,70%
R$ 35,57
CSAN3
+3,59%
R$ 5,20
▼ Maiores baixas
VBBR3
-3,19%
R$ 35,82
WEGE3
-2,89%
R$ 42,73
VIVT3
-2,26%
R$ 32,43
TIMS3
-2,10%
R$ 19,09
AXIA3
-1,83%
R$ 58,00
PAPER OF THE DAY
Depois de 19 anos, o Brasil deve mais lá fora do que tem lá fora
O Brasil voltou a ser devedor externo líquido depois de 19 anos. O indicador funciona como um saldo: soma o que o país deve ao exterior e desconta o que mantém lá fora. Em junho, a dívida externa chegou a US$ 407,1 bilhões, o maior valor da série histórica, e os ativos somaram US$ 402 bilhões, entre eles as reservas internacionais. A diferença de US$ 5,1 bilhões inverteu o sinal de um saldo que era favorável ao país desde 2007.
Gráfico 1: Dívida externa x ativos externos, junho de 2026 - Banco Central
Para dimensionar o que isso significa, vale ver quem deve e o que compensa. O governo responde por US$ 93,2 bilhões, cerca de um quarto do total, e o restante pertence a bancos e empresas que se financiam lá fora. Do outro lado, as reservas do Banco Central somam US$ 367,6 bilhões e cobrem 90% da dívida externa, mas não quitam diretamente os débitos privados.
Esse saldo, porém, mede apenas empréstimos e títulos. Uma medida mais ampla, pouco comentada, é a posição de investimento internacional, que inclui também ações e participações em empresas.
No fim de 2025, os brasileiros tinham US$ 1,1 trilhão em ativos no exterior, e os estrangeiros, US$ 2,3 trilhões em ativos no Brasil. A diferença, de US$ 1,16 trilhão a favor deles, equivale a cerca de metade do nosso PIB. Desses US$ 2,3 trilhões, US$ 1,14 trilhão são participações de estrangeiros em empresas daqui, sem vencimento nem principal a pagar.
Essa presença, no entanto, tem um custo: os lucros e dividendos enviados aos donos no exterior, somados aos juros e aos serviços pagos lá fora. Esse custo entra na conta corrente, que registra tudo o que o país paga e recebe do mundo em comércio, serviços e remessas. Nos 12 meses até agosto, o superávit comercial de mais de US$ 70 bilhões não bastou para pagar lucros, juros e serviços ao exterior, e a conta corrente fechou com déficit de US$ 63 bilhões, ou 2,47% do PIB.
Esse déficit foi coberto por investimento direto, o dinheiro que empresas de fora trazem para investir no país, que somou US$ 86,6 bilhões no mesmo período, acima do necessário, ou seja, sem pressão sobre as reservas. Com câmbio flutuante e um saldo líquido inferior a 0,3% do PIB, os números atuais não indicam crise iminente.
Mas o que merece atenção é a direção. Desde o fim de 2022, a dívida externa cresceu 27%, e os ativos que a compensam, 16%. As empresas de capital estrangeiro, por sua vez, acumulam US$ 37,1 bilhões em lucros e dividendos declarados e ainda não remetidos, com pagamento que pode ser adiado até 2028.
Em conjunto, os dados indicam menos folga na proteção externa, ainda com um saldo pequeno. O ponto sensível é a dependência de capital de fora: enquanto o investimento direto cobrir o déficit, as reservas ficam preservadas. Se esse dinheiro diminuir, o déficit crescer e os dividendos acumulados forem enviados de uma vez, o país teria de recorrer às reservas ou deixar o dólar subir, encarecendo ainda mais as importações e financiamentos.
APRESENTADO POR IPLACE
A chegada do iPhone 18 Pro
Com o novo chip A20 Pro, bateria de longa duração e Dynamic Island menor e ainda mais útil, o iPhone 18 Pro oferece desempenho contínuo e recursos inteligentes para elevar a produtividade no trabalho.
A iPlace, maior Apple Premium Partner da América Latina, simplificou a compra do lançamento com duas soluções oficiais:
Buyback: Trocando seu aparelho atual você economiza no novo. E sem se preocupar com a revenda.
Programa de Parcelamento: Você pode parcelar de 70% a 90% do valor do aparelho em até 21x no cartão de crédito.
Protestos em massa na França ganham intensidade e resultam na prisão de 1,3 mil pessoas em todo o país (BBC News)
Eleições na Sérvia viram plebiscito entre o populista Aleksandar Vučić e o movimento estudantil (Euronews)
Após boato de que estaria morto, Kim Jong-un é visto em visita à China (DW)
Governo, Tesouro, BC e Brasília
Lula é reeleito presidente da República no 2º turno (CNN Brasil)
Flávio não reconhece vitória de Lula e diz que pedirá anulação das eleições (CNN Brasil)
Justiça concede primeira liminar em ação coletiva e suspende retenção de 10% de Imposto de Renda sobre dividendos (Valor Econômico)
Economia Real, Infra, Agro e Commodities
Azul obtém financiamento de até R$ 2 bilhões com garantia da União para custear querosene de aviação (InvestNews)
Ex-executiva da Oi e Americanas assume plano de reestruturação de R$ 17,3 bilhões da Casas Bahia (InvestNews)
Clima adverso provoca quebra de produção e perda de qualidade na safra brasileira de trigo em 2026 (Globo Rural)
Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia
Grupo financeiro Euro17 pede recuperação judicial de R$ 1,72 bilhão e atinge 4 mil investidores de suas securitizadoras (NeoFeed)
Pagamento de quase R$ 1 bilhão em debêntures acelera desalavancagem e reduz dívida bruta do Magalu (Pipeline Valor)
Allos vende participações em sete shopping centers para fundo imobiliário da Kinea por até R$ 1 bilhão (Valor Econômico)
Tech, Silicon Valley, Startups, VC, Criptos
Warhound capta US$ 200 milhões em rodada inicial com valuation de US$ 1,2 bilhão para clonar e editar cães militares de alta performance (TechCrunch)
NovaKitchens, startup de dark kitchens do fundador da Uber, capta US$ 1,7 bilhão e amplia presença no Brasil (NeoFeed)
IPO da Anthropic com valuation de até US$ 2 trilhões deve gerar retornos bilionários para fundos globais de venture capital (Bloomberg Línea)
IPO, M&A, Private Equity e Special Sits
Gigante italiana Barilla compra marca de mac e cheese Goodles para acelerar expansão no segmento de massas prontas nos Estados Unidos (InvestNews)
Fundo norte-americano Pitchwise adquire fatia de 42% no time espanhol Valencia CF em acordo que avalia clube em € 1,4 bilhão (Reuters)
Frasers Group assume controle acionário da Hugo Boss ao elevar fatia para mais de 50% e integrar marca ao portfólio (Reuters)
GRÁFICO DO DIA
EWZ na madrugada, quase -20%
APRESENTADO POR MOHZ
Você comeria só feijão com arroz pelo resto da vida?
Eles são a base de tudo… Mas falta uma proteína para dar um sabor a mais no prato, né?
🍽️ Nos investimentos, a renda fixa é o feijão com arroz. Já os ativos alternativos são a proteína que eleva o nível da sua gestão de carteira: uma rentabilidade-alvo que pode passar de 200% do CDI, lastreada em operações da economia real.
A Mohz montou um cardápio variado de alternativos, selecionados a dedo, a partir de R$ 1.000.
BECAUSE MONEY MATTERS. Leitura diária obrigatória para gestores, traders, bankers e CEOs. Todas as manhãs de pregão, na sua caixa de entrada.
O the news Money e linhas editoriais da TNS não recomendam ativos ou análises de investimentos. O conteúdo é informativo e educacional, baseado em metodologias de terceiros. Projeções são hipotéticas e podem divergir da realidade. Não garantimos veracidade, completude ou atualidade das informações. A decisão final é sua; não nos responsabilizamos por perdas. Consulte um profissional da CVM antes de investir e avalie os riscos.