Quem investe em bolsa vê o equity value todo dia: o preço da ação vezes o número de ações (o tal do valor de mercado)
Por the news money · 21 de outubro de 2026
21 de outubro de 2026
Good morning, Brasil
O Ibovespa avançou 1,57% na última sessão e recuperou o patamar dos 208 mil pontos, impulsionado pela forte entrada de capital estrangeiro e pelo tom positivo em Wall Street. Enquanto isso, o petróleo Brent segue sustentado e negociado próximo aos US$ 110 por barril.
Nos negócios, o Pátria acertou a aquisição de 22 lojas do Atacadão por cerca de R$ 1 bilhão; a Ruiz Coffees, segunda maior produtora de café do Brasil, pediu recuperação judicial com dívidas de R$ 1,6 bilhão; e a OpenAI acelerou uma captação de US$ 30 bilhões para buscar um valuation de US$ 1,4 trilhão.
No Paper of the Day, encerramos a série sobre valuation assinada por Alexandre Cracovsky, CFA. O artigo final traz a métrica definitiva para o investidor: a diferença entre o Enterprise Value e o Equity Value — o valor que realmente cai na conta do sócio em uma transação.
Netflix (NFLX): receita de US$ 12,87 bi no 3T26, em linha, mas o guidance do 4T (US$ 13,44 bi) ficou abaixo dos US$ 13,51 bi esperados. A ação caiu cerca de 5% no after-hours e acumula queda de cerca de 25% no ano.
SpaceX (SPCX): receita de US$ 14,6 bi no 3T26, +161% no ano e bem acima dos cerca de US$ 12,7 bi esperados. O lucro líquido foi de US$ 4,4 bi, contra prejuízo de US$ 541 mi no 2T. A divisão de AI (SI) virou o maior negócio, com US$ 7,6 bi, à frente da conectividade/Starlink (US$ 5,25 bi, +69%). A ação subiu cerca de 8% no after-hours.
PAPER OF THE DAY
O carro voa. O equity, não.
Alexandre Cracovsky é CFA Charterholder e vice-presidente sênior de fusões e aquisições na ADVISIA, onde assessora empresários e empresas no sell-side e no buy-side, em operações que somam mais de R$ 10 bilhões. Engenheiro de formação, é Mestre em Administração, conselheiro e professor de Valuation na Link School of Business, além de autor do livro Valuation, Estratégia e M&A.
Na semana passada, a perpetuidade. Hoje, o último passo da série: do valor da empresa ao que cai na conta do sócio.
Na quinta passada, a Tesla fez o Roadster voar. Numa base de testes da SpaceX, no Texas, o carro, com dez propulsores de ar comprimido, saltou por cima de uma fila de Teslas estacionados.
Os propulsores são da SpaceX, que pode anunciar a compra da Tesla até dezembro, segundo o Barclays. Na bolsa, a SpaceX vale cerca de US$ 2 trilhões: esse é o equity. Somando os US$ 38 bilhões de dívida e tirando os US$ 100 bilhões de caixa, chega-se ao enterprise value.
O valuation e o equity
Quem investe em bolsa vê o equity value todo dia: o preço da ação vezes o número de ações (o tal do valor de mercado). O enterprise value soma a dívida líquida: é o valor do negócio, de sócios e credores, base do famoso “X vezes o EBITDA”. Para voltar de um ao outro:
Equity value = enterprise value − dívida + caixa
Exemplo: Se a empresa tem um valuation de R$ 100 milhões, deve R$ 30 milhões ao banco e tem R$ 10 milhões em caixa, o sócio fica com R$ 80 milhões. Com 10 milhões de ações em circulação, cada uma vale R$ 8. Até aqui, parece simples.
A dívida também explica por que a ação de empresa endividada cai mais que o negócio. Com dívida de 5 vezes o EBITDA (tipo a da Raízen que pediu recuperação extrajudicial), uma empresa negociada a 6 vezes deixaria ao acionista só 1 vez o EBITDA. Se o múltiplo cair para 5,5 vezes, o negócio perde 8%; já a ação, metade. O negócio continua voando. O equity, não.
As dívidas que não parecem dívida
Na bolsa, a dívida está no balanço. Na compra de uma empresa fechada, ela se negocia linha a linha. Dívida bancária é fácil de achar. O problema são os passivos que funcionam como dívida sem ter esse nome, os famosos “esqueletos no armário”, e não estou falando do Halloween. São os impostos parcelados, mútuos com sócios, fornecedores em atraso, contingências prováveis e adiantamentos de clientes.
Por outro lado, imóveis não operacionais, participações em outras empresas e créditos tributários a recuperar podem se somar ao preço.
O preço continua mudando depois da assinatura
Na compra de empresa, parte do preço ainda depende do futuro: é o earn-out, a parcela paga só se a empresa bater metas depois da venda. Num estudo norte-americano com mais de 2,1 mil transações, um em cada três negócios fechados em 2023 tinha earn-out, contra 13% em 2018.
E a métrica importa: 64% dos earn-outs são medidos por receita, e só 23% por EBITDA. Com o comprador no controle dos custos, um earn-out por EBITDA pode virar uma meta impossível de bater.
Na primeira coluna da série, a de Damodaran contra o bot, prometi chegar ao que importa para o empresário: o equity. Chegamos.
O enterprise value é o valuation do negócio. O que pousa na conta do sócio, seja ele dono da empresa ou acionista da Tesla, é o equity, depois da dívida e de cada ajuste.
E assim, chegamos ao final da série sobre valuation!
Logo após o novo lançamento da Tesla, anuncio também o evento de lançamento do meu novo livro, Valuation, Estratégia e M&A. Muito feliz em transformar o conhecimento compartilhado em sala de aula e vivido em mais de uma década no mercado de M&A nas páginas deste playbook! 📊📘
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Vai ser muito especial celebrar esse momento com vocês, leitores. Nos vemos lá! 🙌
Alexandre Cracovsky, CFA
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Este é o dono dos melhores CEPs corporativos do país
E não estamos falando de uma pessoa, risos. Estamos falando da maior gestora independente de fundos imobiliários do Brasil.
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E esses “braços” nada mais são do que plugins que ele criou no ChatGPT para colocar todas essas entregas de pé, sem que ele precise virar um polvo para isso.
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