Menos de uma semana após o Dia das Crianças, a maior rede de brinquedos do Brasil recorreu à Justiça.
Por the news money · 20 de outubro de 2026
20 de outubro de 2026
Good morning, Brasil
O Ibovespa encerrou a sessão em leve queda de 0,17%, aos 205.079 pontos com volume de R$ 21,6 bilhões, descolando-se de Wall Street, onde o S&P 500 subiu 0,41% e o Nasdaq avançou 1,11% impulsionado pela recuperação do setor de tecnologia.
Nos negócios, a Justiça do Rio de Janeiro decretou o encerramento da recuperação judicial da Americanas; a Volkswagen propôs congelar os salários de 660 mil funcionários até 2030; e Elon Musk prometeu doar ações da SpaceX a todas as crianças nos EUA.
No Paper of the Day, analisamos o pedido de recuperação extrajudicial da Ri Happy: o que levou a maior rede de brinquedos do Brasil a renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas e quais são os desafios estruturais do setor?
Ri Happy pede recuperação extrajudicial: o que aconteceu com a maior rede de brinquedos do país
Menos de uma semana após o Dia das Crianças, a maior rede de brinquedos do Brasil recorreu à Justiça. A Ri Happy deu entrada em um pedido de recuperação extrajudicial no domingo (18) para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas, englobando seis empresas do grupo. As lojas seguem operando normalmente, já que a medida visa homologar um acordo prévio com credores para evitar a falência.
A rede acumula um longo histórico com fundos de investimento. O Carlyle comprou 85% do negócio em 2012 e, em 31 de agosto, vendeu 100% do grupo para a BluSun Capital — gestora criada cerca de 20 dias antes da transação —, promovendo o retorno do ex-CEO Héctor Núñez ao comando.
Embora o pedido venha poucas semanas após a troca de controle, a crise é antiga. Em 2023, a Ri Happy já havia alongado R$ 290 milhões em dívidas com nove bancos, processo acompanhado por um aporte de R$ 75 milhões do Carlyle. Segundo o grupo, a recuperação econômica projetada para o setor não se confirmou.
A empresa cita os juros altos, a perda do poder de compra e a concorrência de plataformas internacionais. O gargalo, contudo, também reflete uma mudança estrutural do mercado: o canal online saltou de 22% para 38% das vendas do setor entre 2017 e 2025, de acordo com a Abrinq. Soma-se a isso o desafio demográfico, com a queda nos nascimentos pelo sexto ano consecutivo, segundo o IBGE.
Para um varejo dependente de datas concentradas, como Dia das Crianças e Natal, custear o estoque até a venda consome um caixa precioso.
(Imagens: Divulgação)
Isso não significa que o mercado de brinquedos parou. O varejo brasileiro do setor faturou R$ 10,39 bilhões em 2025, alta nominal de 1,86%. A Ri Happy tentou se adaptar: fechou seu centro de distribuição em 2024 para despachar pedidos online diretamente das lojas e lançou o projeto Reset, trocando espaço de exposição por brinquedotecas, cafés, salas de jogos e festas. Nas 13 unidades convertidas até agosto, as vendas por metro quadrado subiram 77%, segundo a empresa. O avanço, contudo, representa uma fração modesta das 293 lojas próprias e franqueadas do grupo, que agora busca reorganizar suas dívidas.
A situação evoca o caso da norte-americana Toys "R" Us, adquirida em 2005 por Bain, KKR e Vornado em uma operação alavancada de US$ 6,6 bilhões. Em 2017, sufocada por US$ 5 bilhões em dívidas e pela concorrência de Walmart, Target e Amazon, a rede pediu proteção judicial. A demanda existia — em 2016, suas vendas comparáveis nos EUA subiram 2,5% —, mas não em ritmo suficiente para bancar os juros da dívida. Em março de 2018, a empresa caminhou para a liquidação de suas 735 lojas americanas, colocando 30 mil empregos em risco.
Há, contudo, distinções importantes: enquanto o impacto da alavancagem excessiva está bem documentado no colapso da Toys "R" Us, na Ri Happy ainda faltam balanços detalhados para confirmar o mesmo peso. Além disso, o movimento da brasileira insere-se em uma onda mais ampla. Em 2025, o Brasil registrou 977 pedidos de recuperação judicial, o maior patamar desde 2016 segundo a Serasa Experian, contra 62 solicitações de recuperação extrajudicial, formato que ganhou tração no mercado em 2026.
Em resumo, a Ri Happy preserva suas operações, mas o desafio vai além da venda de brinquedos. O grupo precisa acertar o formato e o momento das lojas enquanto carrega uma estrutura de capital compatível com o calendário do setor. O alerta deixado pela Toys "R" Us é claro: os juros e os credores não esperam o tempo que uma virada operacional exige.
APRESENTADO POR MOHZ
No fim, sobrevive quem se adapta mais rápido
A natureza ensina que não é o maior que sobrevive, é o mais esperto. Nos investimentos é igual: ler o cenário e reagir rápido é o que ajuda a proteger a carteira.
Durante o período eleitoral, a lei natural é que a bolsa oscile. Mas uma forma de se adaptar a esse clima são os ativos alternativos, que trocam a liquidez imediata por uma rentabilidade-alvo maior lá na frente, com lastro na economia real.
Arábia Saudita cancela edição presencial do "Davos no Deserto" após pressão e alertas de segurança de Wall Street (Semafor)
Fortes exportações impulsionam crescimento do PIB da China acima do esperado no terceiro trimestre (Semafor)
Avanço da inteligência artificial na campanha eleitoral de Israel acende alertas globais sobre desinformação e regulação (DW)
Governo, Tesouro, BC e Brasília
Governo antecipa calendário do Bolsa Família antes do segundo turno e eleva valor mínimo para R$ 691 (CNN Brasil)
Governo diz que vai remanejar R$20 bi no orçamento de 2027 para acomodar medidas recentes (Investing)
Casos Master e INSS: PGR é contra pedido de Moraes para investigar Mendonça (CNN Brasil)
Economia Real, Infra, Agro e Commodities
Australiana Oceana Metals conclui compra de projeto de terras raras e nióbio em Minas Gerais por US$ 2,95 milhões (CNN Brasil)
Pedidos de recuperação judicial no agro caem 20% no segundo trimestre de 2026 com 448 solicitações aponta Serasa Experian (AgFeed)
Justiça do Rio de Janeiro decreta o fim da recuperação judicial da Americanas após cumprimento de metas (g1)
Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia
Alta nos preços de aluguel por escassez de galpões Classe A impulsiona receitas e atratividade de FIIs de logística (InvestNews)
Ralis de mercado impulsionados por eleições na América Latina começam a perder força (Bloomberg Línea)
Volkswagen propõe congelar salários de 660 mil funcionários até 2030 em plano de corte de custos globais (DW)
Tech, Silicon Valley, Startups, VC, Criptos
Elon Musk promete dar ações da SpaceX a todas as crianças dos EUA (Bloomberg Línea)
Anthropic planeja destinar 5% das ações a fundo para enfrentar impactos da AI (Times Brasil)
Alice capta US$ 40 milhões em rodada Série D liderada por braço do Banco Mundial e mira R$ 2 bilhões em receita em 2027 (Pipeline Valor)
IPO, M&A, Private Equity e Special Sits
FIP Shine ligado ao IG4 conclui aquisição de ações e assume mais de 50% dos votos na Braskem (InvestNews)
Cosan aprova transferência de 20,33% da Rumo a fundo gerido pelo BTG Pactual em operação avaliada em R$ 7 bilhões (AgFeed)
Fundo soberano saudita (PIF) quita dívida de US$ 213 milhões do Al Nassr para preparar venda de controle à RedBird (Semafor)
GRÁFICO DO DIA
APRESENTADO POR ALLU
A alta do mercado de aluguel de eletrônicos está gerando rentabilidade alvo de até 24% a.a.
O mercado de aluguel de eletrônicos cresceu 158% em 2025. Líder na América Latina, a allu soma 10 anos de história e mais de 60 mil dispositivos alugados, e capta via debêntures para ampliar o estoque e gerar receita previsível.
Na prática, com R$ 50 mil investidos por 36 meses, você recebe cerca de R$700 por mês na modalidade de juros mensais (21% a.a.) ou aproximadamente R$ 83.100 ao final na modalidade Bullet (21,5% a.a.).
BECAUSE MONEY MATTERS. Leitura diária obrigatória para gestores, traders, bankers e CEOs. Todas as manhãs de pregão, na sua caixa de entrada.
O the news Money e linhas editoriais da TNS não recomendam ativos ou análises de investimentos. O conteúdo é informativo e educacional, baseado em metodologias de terceiros. Projeções são hipotéticas e podem divergir da realidade. Não garantimos veracidade, completude ou atualidade das informações. A decisão final é sua; não nos responsabilizamos por perdas. Consulte um profissional da CVM antes de investir e avalie os riscos.