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16 de abril, 2024 São Paulo, Brasil
carta 3 do the jobs: o porquê |
carta 1: o chamado. carta 2: a transparência. carta 3: o porquê. carta 4: o contrário. carta 5: o entorno. carta 6: a intenção. carta 7: a escolha. |
Você já recebeu duas das nossas 7 cartas. |
Essas cartas têm um porquê. Elas estão sendo escritas porque o the jobs vai mudar. |
E são cartas que escrevem um manifesto prático do que nós acreditamos: o desenvolvimento pessoal e profissional é muito menos previsível do que parece. |
O desenvolvimento pessoal e profissional é irredutível a “3 ou 5 passos” ou qualquer outra fórmula pronta. Eu sei… Eu também gostaria que ele fosse. |
Facilitaria muito as coisas. Mas não é assim. |
Nossa primeira carta falou sobre como a regra de “fazer um pouco todo dia” pode te ajudar, mas nunca vai te diferenciar. |
Nossa segunda carta falou sobre como a vulnerabilidade é importante, mas também sobre como ela também pode jogar contra você. |
E a nossa terceira carta vai falar sobre como o propósito foi romantizado de uma maneira que mais prejudica do que ajuda as pessoas. |
É muito fácil falar que “você precisa encontrar seu propósito”. Parece que é a chave da vida mais feliz e que, depois de encontrar ela, tudo vai ficar mais fácil. |
Mas sugiro você fazer um teste e perguntar para seus avós (ou até para os seus pais) qual é o propósito de vida deles — ou se eles pensavam nisso quando mais jovens. |
As respostas devem te surpreender. |
Fique à vontade para compartilhar conosco aqui as respostas que vocês receberam. Adoraríamos ouvir ;) |
Você provavelmente vai começar a perceber que “encontrar seu propósito” é muito diferente de “dar sentido à vida” (inclusive, recomendo que você leia o livro Em busca de sentido do Viktor Frankl — um dos melhores que já li — não posso dar muitos spoilers dele aqui). |
Três psicólogos e mais de 8000 pessoas |
Importante deixar claro: essa não é uma carta para dizer que propósito não é um assunto importante ou que é uma invenção ou algo do tipo. |
Essa é uma carta para dizer que o modo como falam sobre propósito hoje abertamente na internet pode ser muito perigoso. |
Quero te mostrar isso com um artigo bem interessante no qual três psicólogos fizeram uma pesquisa com 8756 pessoas. Você pode clicar aqui para ler na íntegra e aqui para ler uma resenha sobre ele. |
O resumo do que você vai ler é: propósito não é algo a ser buscado, é algo a ser construído. É uma consequência de perseguir outros objetivos e é construído por meios das suas experiências. |
Não é uma linha de chegada que você cruza, é uma pista de corrida que você cria. |
Essa pesquisa ainda traz uma boa provocação: quanto mais as pessoas buscam por esse propósito e sentido na vida, menos elas são felizes. |
E pra completar essa pesquisa, quero compartilhar uma história bem legal que ouvi nessa última semana. |
você não precisa saber qual é seu propósito |
O Edson Rigonatti é um dos principais investidores em startups do Brasil. Super bem-sucedido na área — criou a Astella, um dos principais e mais respeitados fundos de investimento do Brasil. |
Se nós fizéssemos uma lista dos principais investidores no Brasil, o Edson estaria no Top-3 tranquilamente. |
Tive uma baita aula com ele. |
E, entre outros assuntos muito mais técnicos sobre startups e fundraising, ele chegou a comentar sobre como foi sua jornada. |
“Foi um caminho completamente tortuoso. Não fazia a menor ideia do que ia fazer da vida. Comecei trabalhando em uma empresa, mas saí para trabalhar com meu pai. Depois briguei com meu pai e fui fazer um MBA. Depois, voltei a trabalhar com meu pai, mas logo mudei de área — e acabei caindo no mundo de investimentos onde, em um momento, eu e uma colega decidimos criar um próprio para ver no que dava…”. |
Foi um caminho sem o menor peso de “precisar encontrar propósito” ou de “será que eu encontrei meu propósito?” ou qualquer pergunta do tipo. |
Foi um caminho de construção. |
Consigo citar incontáveis exemplos de pessoas que hoje são super bem-sucedidas, mas que não tinham a menor noção do que fariam da vida ou de que acabariam onde hoje estão. |
(Vale levantarmos a bola de pensar que “bem-sucedido” não é só sobre dinheiro — mas esse assunto fica para uma eventual edição completa do the jobs.) |
O comum entre essas pessoas é que elas nunca pararam de construir novas coisas. |
Assim como nós, aqui, leitores do the jobs. |
E é para pessoas assim que escrevemos. |
Para quem quer construir muito mais. |
Para quem não se contenta com o que é raso e superficial. |
Espero que essa carta traga uma provocação amigável por aí. |
Essa foi uma carta para continuarmos construindo, independente de quão certos estamos do caminho à nossa frente. |
Até a próxima, na quinta-feira. |
Um abraço, |
Digo e time the jobs |