|
👋 Boas-vindas às novas 193 pessoas que se inscreveram na nossa newsletter. Agora, somos 118.024 leitores criando a maior comunidade de carreira do Brasil. |
|
FALA, JOBS! |
No nosso 1:1 de hoje: grande parte da carreira é construída aprendendo coisas técnicas, como ferramentas, processos, métodos de trabalho. Mas chega um momento em que o principal desafio deixa de ser técnico e se torna como lidar com as outras pessoas diferentes de você (até porque ninguém trabalha sozinho). É sobre essas conversas difíceis que vamos falar hoje. Essa é uma edição, inclusive, pra vocês conhecerem no detalhe as trocas que acontecem dentro da nossa comunidade. |
|
|
|
|
🔵 A FRASE DA SEMANA |
“Seja tão bom que você não pode ser ignorado.” |
Essa frase, que ficou conhecida pelo Cal Newport, foi citada pelo Marcus Mota, ex líder de vendas do Google, Waze e Reddit nos últimos 12 anos (e também nosso mentor na comunidade da better work). |
Sabe o contexto no qual essa frase foi citada? Em uma aula sobre “como se vender melhor” no ambiente de trabalho. Obviamente, entramos em muitas técnicas diferentes com nossos mentores, mas a ideia dessa frase é simples: quando você se torna confiável, consistente e realmente bom no que faz, suas opiniões naturalmente passam a ter mais peso nas conversas. |
.... |
🔵 O PROMPT DA SEMANA |
“Com base nas nossas conversas e no quanto você já conhece sobre mim, quanto da minha identidade está enrolada no meu trabalho? Se o meu emprego desaparecesse amanhã, quanto de “mim” iria junto? Não invente respostas se identificar que não tem dados suficientes pra responder.” |
Lembre-se: esse prompt só realmente funciona com a ferramenta de IA que mais tem seu contexto profissional. Esse é um prompt que leva em consideração o padrão por trás das suas interações com a IA (e se você ainda não tem boa parte do seu contexto pessoal e profissional em uma IA, você está ficando pra trás). |
.... |
🔵 BIG IDEA |
Por quanto tempo você seguraria uma granada? |
|
|
Eu espero que nenhum, mas essa foi a metáfora que o Vlad Silvano, Head de Expansão Comercial do iFood e mentor da nossa comunidade, trouxe durante uma mentoria coletiva na última aula do curso de comunicação: |
Conversas difíceis são como abrir uma granada: não tem como abrir uma e pensar que não vai ter impacto nenhum. |
|
|
Vamos dar um exemplo real que vemos acontecer com frequência: você está com muito mais responsabilidades no trabalho do que está conseguindo executar e precisa repriorizar algo com seu líder. Isso é uma baita conversa difícil, certo? Você pensa algo como “E se meu líder pensar que eu não estou dando conta do recado?” e “Vai dar ruim pra mim”. |
Ninguém gosta da sensação de estar lidando com algo potencialmente explosivo e, por isso, a reação natural de muitas pessoas é pausar a conversa e deixar o assunto parado por mais tempo do que deveriam. |
💣️ Só que a metáfora da granada funciona justamente por causa disso: quanto mais tempo você segura a granada, mais perigoso fica. |
Com conversas difíceis acontece algo parecido: quanto mais tempo você pausa a conversa, mais pressão vai se acumulando, e maior a chance de ela acabar explodindo no seu colo. |
Esse tipo de situação raramente desaparece sozinho. Pelo contrário: pequenos desalinhamentos tendem a crescer silenciosamente. |
Um prazo que foi ultrapassado uma vez pode começar a se repetir; Um comportamento que parecia pontual pode se tornar um padrão; Uma frustração pequena pode começar a se acumular até ganhar proporções muito maiores. E então, no momento em que você decide ter a conversa, as pessoas que fazem parte dela já estão na defensiva.
|
E, diretamente do livro Crucial Conversations: |
“People don't get defensive because of what you're saying, but because they feel unsafe.” | | | | (Pessoas não entram na defensiva por conta do que você está dizendo, mas sim por conta de não se sentirem seguras.) |
|
|
Culturas organizacionais que levam desempenho a sério tentam evitar justamente esse acúmulo silencioso. |
A lógica por trás disso é simples: evitar a conversa não torna o problema menor. Só adia o momento em que ele vai precisar ser enfrentado. |
|
Números que podem te surpreender: |
Esses dados ajudam a entender por que conversas difíceis aparecem com tanta frequência no ambiente de trabalho: |
44% dos gestores dizem se sentir desconfortáveis ao dar feedback negativo. O dado aparece em uma pesquisa da Harvard Business Review, que mostra que mesmo líderes experientes tendem a adiar conversas difíceis quando sabem que podem gerar desconforto. 37% das pessoas já evitaram ativamente dar feedback importante, ainda que positivo. O levantamento do Folkman mostra que o medo de gerar tensão ainda é uma das principais razões pelas quais problemas continuam sem ser discutidos dentro das equipes. Equipes com segurança psicológica têm muito mais probabilidade de discutir erros e problemas abertamente. Um estudo interno do Google sobre efetividade de times, conhecido como Project Aristotle, mostrou que a segurança psicológica é o principal fator que diferencia equipes de alta performance, justamente porque as pessoas se sentem à vontade para falar sobre problemas e assumir riscos sem medo de retaliação. Funcionários que recebem feedback frequente são até 3,6 vezes mais propensos a se sentir motivados a fazer um trabalho excepcional. O dado da Gallup reforça que conversas diretas e regulares não prejudicam relações profissionais, pelo contrário, tendem a fortalecer o alinhamento dentro das equipes.
|
|
|
A melhor explicação sobre conversas difíceis que você vai ouvir (diretamente de Harvard). |
|
Parte da dificuldade dessas conversas acontece porque, muitas vezes, elas deixam de ser apenas sobre um fato específico. Pesquisadores do Harvard Negotiation Project explicam isso no livro Difficult Conversations: How to Discuss What Matters Most (é um nome diferente do outro livro citado logo acima, mas os dois são ótimos). |
Segundo eles, toda conversa difícil na verdade contém 3 conversas acontecendo ao mesmo tempo. |
A primeira é a conversa do que aconteceu: o prazo perdido, o desalinhamento, o problema concreto. A segunda é a conversa dos sentimentos: frustração, irritação, decepção. E a terceira é a conversa da identidade: o que aquela situação parece dizer sobre nós. Se estamos falhando, se não somos valorizados ou se estamos sendo injustos.
|
Quando uma conversa é adiada por muito tempo, essas três camadas começam a se misturar. |
E aí tudo aquilo que poderia ter sido resolvido com um alinhamento simples passa a carregar interpretações, suposições e frustrações acumuladas. |
E, quando finalmente alguém decide trazer o assunto à tona, ele já não é mais apenas um pequeno problema operacional (lembrou da analogia de segurar a granada?). |
Aqui entra uma frase do Luis Justo, CEO do Rock in Rio e também um dos mentores da nossa comunidade: |
Toda conversa difícil tem duas características: a primeira é que ela é necessária, e a segunda é que você sempre sai dela melhor do que entrou. |
|
|
|
2 referências pra ampliar ainda mais seu repertório: |
E "saber ter conversas difíceis" é uma habilidade que vai muito além do lado profissional. |
Mais uma boa referência da importância de conversas difíceis pra você (essa daqui serve, inclusive, pra você parecer mais inteligente compartilhando com a turma): |
Em 1962, durante a Cuban Missile Crisis, John F. Kennedy tomou uma decisão pouco comum para a época: reorganizou as reuniões da Casa Branca para incentivar discordâncias abertas entre os assessores.
O objetivo era evitar que o medo de confronto impedisse que opiniões divergentes fossem colocadas na mesa. O presidente entendia que decisões perigosas muitas vezes nascem justamente quando ninguém se sente confortável para questionar. |
|
|
Quer ver outra ótima referência? |
Décadas depois desse exemplo do Kennedy, uma lógica parecida apareceu na cultura de uma das empresas mais influentes da tecnologia. Na Amazon, um dos princípios de liderança mais conhecidos é o “Disagree and Commit”, popularizado por Jeff Bezos. |
|
A ideia é simples: líderes são incentivados a discordar quando acreditam que uma decisão está errada, mas, uma vez que a decisão é tomada, todos se comprometem com a execução. |
As chances são altas de você não trabalhar na Amazon ou na Casa Branca e não ter a mesma cultura na sua empresa (risos), mas isso não muda a necessidade de se manter uma boa comunicação com os outros, mesmo que ela seja difícil. |
Em escalas muito diferentes, o princípio é parecido com o da granada do Vlad: |
O problema raramente está apenas na situação em si, mas no tempo que passamos evitando lidar com ela. |
|
|
Com o tempo, profissionais mais experientes desenvolvem um tipo de radar para esse tipo de situação. Eles percebem mais rápido quando um pequeno desalinhamento pode crescer e entendem que muitas crises de equipe, na verdade, começaram como conversas simples que nunca aconteceram. |
A capacidade de conduzir conversas difíceis acaba funcionando como um músculo. Quanto mais você pratica, mais natural se torna entrar nesses momentos com clareza e menos eles parecem explosivos, porque, na prática, a maioria das granadas no trabalho não explode no momento em que a conversa acontece. |
Aqui, caímos naquela frase que gostamos muito: o pior erro da comunicação é a ilusão de que ela aconteceu. |
.... |
Como fica tudo isso na prática, então? |
Sim, ao ler essa newsletter você se qualificou pra ter conversas difíceis. Tira da frente essa que tá na sua cabeça e que você já sabe que deveria ter tido. |
1️⃣ Alavancando o poder da IA pra te ajudar em conversas difíceis. |
Antes de entrar em uma conversa difícil, escreva esse prompt aqui abaixo: |
“Eu preciso ter uma conversa difícil e quero sua ajuda pra isso. A situação é […]. Com base nisso, me faça as 5 principais perguntas pra ter mais contexto dessa situação. Depois de ter o contexto, quero que você responda: se eu estivesse no lugar da pessoa que vai receber essa conversa, o que eu precisaria ouvir para entender claramente o que está acontecendo?” |
|
|
Esse exercício ajuda a separar fatos, expectativas e possíveis interpretações do outro lado, o que costuma reduzir a carga emocional da conversa e aumentar muito a chance de ela se tornar produtiva. |
2️⃣ Existe um jeito certo de abrir a conversa. |
Antes de pensar nos seus argumentos, alinhe a intenção. No livro Crucial Conversations, os autores chamam isso de Start with Heart (comece com o coração): deixar claro o que você realmente quer, revisar seus motivos e torná-los visíveis ao outro. |
A pergunta-base é: “Eu quero vencer, me defender ou entender e resolver?” e uma abertura prática seria: “Eu quero ter essa conversa para melhorar X sem piorar nossa relação.” |
Foi exatamente assim que o livro ensinou, mas eu quero ir um pouco além com uma técnica que sempre me ajudou: quando eu não sei como falar algo em uma conversa difícil ou quando o assunto é muito delicado, eu falo exatamente isso - “eu não sei exatamente como dizer isso, mas quero deixar claro que minha intenção é tal”. Isso te faz começar com o coração e abaixa a guarda das outras pessoas. |
3️⃣ Comece pela Third Story. |
Os autores do livro Difficult Conversations também recomendam abrir a conversa pela visão que um observador neutro daria, que eles chamam de Third Story (algo como “o terceiro ponto de vista”): descrever a diferença entre as perspectivas sem já declarar culpado. Isso reduz defensividade e cria espaço para aprendizagem. |
Em vez de “você atrasou tudo de novo”, a lógica é: “Acho que estamos vendo prazo e prioridade de formas diferentes; quero te explicar minha preocupação e ouvir a sua leitura.” |
|
Ops. O restante do conteúdo é exclusivo para assinantes do Copiloto de Carreira. Para aprofundar nas técnicas 4️⃣, 5️⃣, 6️⃣ e 7️⃣, assine o Copiloto clicando aqui e faça parte dos profissionais mais preparados dessa nova era. |
|
|
No Copiloto de Carreira, você vai ter acesso a: |
Playbooks práticos e completos para ler em poucos minutos e aplicar no seu dia a dia os conteúdos discutidos aqui na better work; Assistentes de IA criados para tarefas e decisões do dia a dia corporativo; Banco de prompts de IA validados e já testados por centenas de profissionais; Cases de carreira (são como podcasts exclusivos) com executivos das maiores empresas do Brasil e mundo; Masterclasses com especialistas em temas relevantes pra sua carreira.
|
Sabe qual o melhor? +620 profissionais já testaram o Copiloto de Carreira e estão lá dentro do nosso aplicativo. Quando você estiver pronto/a, venha fazer parte. |
|
Nos encontramos na semana que vem e espero que você consiga traduzir essa edição para o seu dia a dia. |
Se eu puder ajudar com algo, não hesite em me mandar uma DM e dizer que veio da better work. |
🆘 Ou, se for algo mais técnico, envie um email pra [email protected] e a gente resolve rapidinho. |
Um abraço, |
Digo Lemos. |
powered by |
|