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18 de abril, 2024 São Paulo, Brasil
carta 4 do the jobs: o contrário |
carta 1: o chamado. carta 2: a transparência. carta 3: o porquê. carta 4: o contrário. carta 5: o entorno. carta 6: a intenção. carta 7: a escolha. |
No exato momento em que escrevo esta edição, somos 35.924 assinantes no the jobs. |
Você já faz parte dessa comunidade que chamamos de “a próxima geração de grandes líderes”. |
Mas essa comunidade — por enquanto — só se manifestava via uma edição de newsletter. |
Nas últimas edições, abrimos também um formulário para ajudar com desafios dos leitores. |
Recebemos algumas centenas de desafios. Muitos desafios perguntavam sobre a rotina de um gestor; muitos sobre como lidar melhor com a insegurança e falta de confiança em si mesmo. Outros perguntavam o que fazer em certas situações, como quando lidar com pessoas que são piores ou diferentes de nós. |
Mas existe um padrão em quase todas as perguntas. |
Elas buscam entender o que pode ser feito em uma situação específica. |
Todo mundo sempre pergunta “o que fazer”. |
Todo mundo sempre busca essa resposta para os desafios que estão vivendo. |
E essa carta foi escrita para mudar essa percepção — mas, antes disso, uma história: |
A Larissa precisa de ajuda |
Vou ilustrar um exemplo real, e acredito que você vai se identificar com o exemplo. |
Uma leitora — vamos chamar ela de Larissa — enviou a seguinte pergunta: |
“Meu dia é muito, muito cheio, mesmo. Eu trabalho muito, mas parece que quanto mais trabalho, mais coisas aparecem pra fazer. Estou prestes a assumir um cargo de liderança na minha empresa, mas sinto desde sempre uma dificuldade de ser produtiva como um todo. Como posso ser uma pessoa mais produtiva para conseguir assumir um cargo de liderança além de tudo isso?” |
Antes de tudo, Larissa: welcome to the club. |
Os dias de quem tem ambição e quer construir muito normalmente são muito cheios mesmo. |
A Larissa quer saber como ela pode ser mais produtiva. |
Eu vou tomar a liberdade de dizer que essa foi uma pergunta mal formulada. |
E perguntas mal formuladas recebem respostas genéricas. Existe um ditado que diz que “a vida recompensa o pedido específico, mas pune o desejo vago”. |
Usando a sua pergunta, Larissa, nós poderíamos responder sob a ótica de planejamento e priorização. Poderíamos falar de rotinas e rituais de produtividade… |
Mas também poderíamos falar sobre foco. |
Ou até sobre alimentação, sono e sua energia — que impactam diretamente na sua produtividade. |
Seria uma resposta qualquer. |
A especificidade é o segredo (ou o que chega mais perto de ser um segredo). |
Mas, mais do que isso, o motivo dessa carta é para mostrar que a pergunta “o que posso fazer para ser uma pessoa mais produtiva” pode ser respondida com uma outra pergunta: |
“Larissa, o que você pode fazer para ser uma pessoa menos improdutiva?” |
Vamos supor que a Larissa seja uma pessoa que perde o foco muito rápido. |
E vamos adicionar à história o Lucas e a Sara. |
O Lucas tem uma péssima rotina de sono, e a Sara se perde nas anotações de coisas para fazer que ela faz nos Post-Its, no aplicativo de gestão de tarefas e no caderno. |
Se os três perguntassem “como posso ser uma pessoa mais produtiva?”, as respostas seriam provavelmente superficiais e pouco úteis. |
Se os três contassem suas dificuldades e perguntassem “como posso ser uma pessoa menos improdutiva?”, as respostas seriam muito mais úteis. |
99 anos de sabedoria |
Você já ouviu falar de Charlie Munger? |
Ele foi um dos maiores investidores da história, sócio do Warren Buffett. Vale pesquisar a história e tudo produzido por ele. É incrível. |
Pra ter uma noção do que esses dois construíram, vou te contar um número: eles têm mais de 370 bilhões de dólares em participações acionárias (e mais de 167 bilhões de dólares em dinheiro). |
Bilhões, não milhões. |
Onde existe algum sucesso, existe alguma sabedoria. |
Charlie, certa vez, disse que “sempre procurou ter bom senso, principalmente ao reunir exemplos de julgamento ruim e, depois, pensar em maneiras de evitar esses resultados”. |
Percebeu? |
Charlie também falava que “é inacreditável o quanto de vantagem de longo prazo eu e Warren conseguimos só por tentarmos consistentemente ‘não sermos burros’ em vez de tentarmos ser bem inteligentes”. |
Adaptando para a pergunta da Lari: como ser menos improdutivo em vez de como ser mais produtivo. |
Essa é mais uma carta desse nosso manifesto prático para as pessoas “que ainda não chegaram lá, mas trabalham todos os dias para isso”. |
Uma carta para te mostrar como usar essa lógica invertida pode mudar seu jogo. |
Até a próxima, na terça-feira. |
Um abraço, |
Digo e time the jobs |