BIG STORY |
O que está acontecendo com a formação médica no Brasil? |
 | (Imagem: CFM) |
|
Não se fala em outro assunto. Quase um terço dos cursos de medicina ofertados no país teve desempenho ruim no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). |
Em outubro do ano passado, 351 cursos foram avaliados na prova que determina a qualidade da formação médica no Brasil. Segundo o Ministério da Educação (MEC), quase 13.900 médicos se formaram em faculdades com conceitos 1 e 2. |
|
|
Basicamente, o MEC classificou os cursos de medicina de acordo com a porcentagem de alunos da instituição que alcançou o nível mínimo de proficiência para exercer a profissão. |
5 (excelente): instituições com mais de 90% dos alunos proficientes; 4 (muito bom): 75% a 89,9% dos alunos proficientes; 3 (satisfatório): 60% a 74,9% dos alunos proficientes; 2 (insatisfatório): 40% a 59,9% dos alunos proficientes; 1 (muito ruim): menos de 40% dos alunos proficientes.
|
Dentre os cursos, 243 tiveram resultados satisfatórios, alcançando as faixas de 3 a 5 do conceito Enamed. Por outro lado, cerca de 30,7% (107) apresentaram resultados ruins, obtendo as faixas 1 e 2 do conceito de avaliação. |
 | (Imagem: Waffle Studios) |
|
Como punição pelo mau desempenho, as instituições com conceito 1 ou 2 no exame estarão sujeitas a penalidades. |
|
Antes que as sanções comecem a valer, as instituições terão 30 dias para apresentarem suas defesas. |
Além disso, o Conselho Federal de Medicina (CFM) quer impedir que 13 mil alunos de medicina, mal avaliados em exame nacional, possam atender pacientes. |
Um verdadeiro dilema |
A avaliação chega em um momento de intensa abertura de escolas médicas. Na prática, nunca se formaram tantos médicos na história do país. |
Segundo o estudo Demografia Médica no Brasil, feito pela Universidade de São Paulo (USP), o Brasil deve dobrar seu número de médicos até 2035, chegando a 1,2 milhão de profissionais. |
 | (Imagem: Waffle Studios) |
|
A partir disso, a pergunta que fica é: formar mais médicos é sinônimo de melhorar a assistência médica no país? Aparentemente, não. |
O problema não são os estudantes individualmente, mas um sistema que os coloca em risco desde a formação. Sem critérios rigorosos, supervisão séria e foco em competência clínica, as consequências são inevitáveis. |
Talvez a lição mais necessária seja esta: medicina não é produção em escala. Não se trata de quantos diplomas entregamos, mas de quantas consciências formamos. |
|
|
O estetoscópio não corrige lacunas éticas; o jaleco não compensa a ausência de pensamento crítico; nenhum CRM substitui o compromisso silencioso com o estudo, a humildade e o respeito pelo paciente. Pratique a profissão com amor. Acreditem: ainda é possível virar esse jogo. |
PS: Aos curiosos de plantão… aqui está a lista das universidades e suas respectivas classificações. |
|
|
TRENDING TOPICS |
O que você deveria ficar por dentro… |
🧠 Psicólogos explicam. Qual é o verdadeiro motivo para roer as unhas e outros "maus hábitos"? |
👀 Alguém está mentindo? Técnicos de enfermagem apresentam versões divergentes na investigação sobre mortes na UTI do Distrito Federal |
🩺 Boas notícias. O tratamento precoce pode retardar a artrite reumatoide por anos |
🇧🇷 De Vitória para o mundo. Brasileiro vence prêmio internacional com ferramenta de inteligência artificial para o autismo |
🤖 E, por falar em inteligência artificial… Seu uso para aconselhamento ou outros fins pessoais está associado à depressão e à ansiedade |
🎧 Há uma relação? A verdade sobre o uso de fones Bluetooth e o risco de nódulos na tireoide |
|
GAME DO ESTAGIÁRIO |
Qual órgão do corpo humano consome mais energia em repouso? |
|
|
APRESENTADO POR ENSINO EINSTEIN |
Você é da saúde, mas também quer se tornar líder? |
|
Janeiro costuma trazer à tona a seguinte pergunta: “Para onde estou indo?” |
Se você é da área da saúde e quer ampliar sua atuação, saiba que o mercado valoriza quem sabe gerir times e tomar decisões. |
Essa é a hora: Para ajudar profissionais a trilhar esse caminho, o Ensino Einstein, uma das faculdades mais renomadas do país, desenvolveu formações voltadas para gestão e liderança no contexto da medicina. Dê o próximo passo da sua carreira aqui. |
|
RESEARCH |
Nova terapia reativa o sistema imune contra o câncer de pâncreas |
 | (Imagem: Northwestern University) |
|
O câncer de pâncreas é um dos mais letais da medicina moderna. Com uma taxa de sobrevida de apenas 13% em cinco anos, a maioria dos pacientes não vive tempo suficiente para ver novos avanços. |
Porém, pesquisadores da Northwestern University acreditam ter dado um passo inédito na luta contra essa doença: uma nova terapia experimental, testada com sucesso em camundongos. |
Como funciona? |
Na prática, o câncer de pâncreas utiliza um truque sofisticado: esconde-se sob uma camada de açúcares, enganando o sistema imunológico e se passando por célula saudável. |
A nova terapia, baseada em anticorpos, atua como um desbloqueador, “desmascarando” essas células e reativando a resposta imune natural do organismo. |
🩺 Os resultados em animais são promissores: os tumores crescem mais devagar e, em alguns casos, desaparecem. |
|
|
O próximo desafio é provar a eficácia em humanos — um processo que pode levar cerca de cinco anos. |
Mas, apesar do entusiasmo, a diferença entre camundongos e humanos é grande, e a aprovação de um novo tratamento exige tempo e múltiplas validações. Ainda assim, os pesquisadores estão acelerando os trâmites para iniciar os ensaios clínicos. |
Outro ponto relevante é que, segundo o líder do estudo, Abdel-Mohsen, há indícios de que essa abordagem imunológica poderia ser aplicada para tratar outros tipos de câncer e até mesmo doenças autoimunes. |
|
|
APRESENTADO POR BIP |
Seu dia é cheio demais pra um jaleco que não te acompanha |
Consultas, plantões, corredores e decisões rápidas pedem roupas que acompanhem o ritmo. Por isso, entendendo a rotina do profissional da saúde, a bip cria scrubs e jalecos com bolsos funcionais, tecidos impermeáveis e respiráveis e design inteligente pensado no dia a dia real de quem cuida. |
|
|
BELIEVE IT OR NOT |
Daltonismo pode atrasar diagnósticos de câncer de bexiga |
 | (Imagem: Medical Express) |
|
Um verdadeiro alerta. Indivíduos com daltonismo podem estar deixando passar um dos sinais mais importantes do câncer de bexiga — e isso, segundo um novo estudo publicado na Nature Health, pode custar, em muitos casos, a própria vida. |
Sobre a condição 🩺 Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de bexiga está entre os mais comuns do mundo. Seu primeiro indício, na maioria das vezes, é a presença de sangue na urina — um sintoma visual, silencioso e crucial. O alerta atual? Quem tem deficiência de visão de cores (CVD) pode não perceber esse sinal. |
|
|
Para investigar essa hipótese, pesquisadores analisaram prontuários de centenas de pacientes com câncer de bexiga, comparando dois grupos: |
|
O resultado foi expressivo: pacientes com CVD apresentaram um risco 52% maior de morte ao longo de 20 anos. |
A hipótese dos médicos que conduziram a pesquisa é que isso ocorre porque, nos estágios iniciais, o câncer de bexiga costuma ser indolor. Ou seja, o sangue na urina é, muitas vezes, a única evidência disponível. |
Vale lembrar que o estudo é descritivo e ainda não prova uma relação direta de causa e efeito. Ainda assim, segundo os autores, os dados devem servir como ponto de partida para uma nova abordagem médica. |
A sugestão é evidente: médicos devem manter maior vigilância clínica ao atender pacientes com daltonismo. |
|
|
|