BIG STORY |
Por que o coração das mulheres está sob ameaça? |
 | (Imagem: The New York Times) |
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Um novo estudo da Associação Americana do Coração trouxe um dado preocupante: estima-se que 6 em cada 10 mulheres desenvolverão pelo menos um tipo de doença cardiovascular nos próximos 25 anos. |
As projeções identificaram três principais fatores de risco: |
Hipertensão arterial: principal fator que se torna mais comum com a idade. Obesidade: preocupação recente entre crianças. Diabetes: terceiro fator crítico de risco.
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E, segundo o estudo, a tendência é que essas condições surjam em idades cada vez menores. Por exemplo, estima-se que, além da hipertensão, um terço das mulheres de 22 a 44 anos viverá com alguma forma de doença cardiovascular até 2050. |
Em termos comparativos, menos de um quarto desse grupo enfrenta essa condição atualmente. |
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No mesmo período, mulheres da mesma idade devem observar um salto de 6% para quase 16% no risco de diabetes e um aumento de 18% na obesidade, afetando 1 em cada 6 mulheres. |
 | (Imagem: TNS Studios) |
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Por que isso está acontecendo? |
Segundo os pesquisadores, o aumento da obesidade infantil é o principal motor dessa tendência, acelerando o surgimento de hipertensão e diabetes em idades mais jovens. |
Acontece que, desde 2011, décadas de melhora na saúde cardiovascular — impulsionadas por menores taxas de tabagismo e avanços nos cuidados médicos — começaram a estagnar e até a regredir. |
🩺 Para se ter uma ideia, mais de 6 em cada 10 meninas são pouco ativas fisicamente, e metade delas adota dietas inadequadas. |
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A combinação de sedentarismo, dietas ricas em ultraprocessados e aumento do peso desde a infância prepara uma geração para desenvolver eventos cardiovasculares com maior precocidade. |
Uma variável desconsiderada… |
O estudo baseou-se em dados de 2015 a 2020, período anterior à popularização em massa dos análogos de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. |
Esses medicamentos têm demonstrado resultados expressivos tanto na perda de peso e na redução de eventos cardiovasculares, o que pode alterar as projeções. |
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Até lá, a prevenção por meio de políticas públicas, educação nutricional e incentivo à atividade física continua sendo a estratégia mais eficaz e acessível para reverter essa tendência. |
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RESEARCH |
ChatGPT Health falha em 52% das emergências médicas |
 | (Imagem: Chat GPT) |
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Alerta para inteligência artificial na saúde. Um novo estudo publicado na revista Nature Medicine testou o ChatGPT Health — ferramenta lançada pela OpenAI com foco em saúde — e revelou que o sistema falhou em recomendar atendimento emergencial em 52% dos casos críticos analisados. |
A pesquisa, conduzida por cientistas da Harvard University e da Icahn School of Medicine at Mount Sinai, avaliou 960 cenários clínicos em 21 áreas médicas diferentes. |
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Em emergências classificadas como padrão-ouro, o aplicativo recomendou que pacientes esperassem de 24 a 48 horas para avaliação, em vez de irem imediatamente ao pronto-socorro. Alguns dos casos mal triados incluíam: |
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Em contrapartida, o sistema acertou na triagem de emergências “clássicas”, como AVC e anafilaxia. |
Um ponto no qual a AI ainda precisa evoluir |
Segundo os pesquisadores, parte do baixo desempenho pode estar relacionada ao viés de ancoragem, tendência cognitiva em que se fixa a primeira informação recebida e a utiliza como referência para julgamentos subsequentes, mesmo quando inadequada. |
🩺 Exemplificando: todo médico que trabalha em emergência já ouviu a clássica história de um homem com uma “dor boba” no peito que, na verdade, estava infartando. |
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Ou seja: a inteligência artificial foi influenciada por informações que exigiam análise mais cautelosa — exatamente o tipo de viés cognitivo que profissionais de saúde são treinados para evitar. |
O que levar disso? |
A ferramenta já foi lançada e está acessível a milhões de pessoas. Contudo, o estudo mostra que sistemas de triagem baseados em AI precisam de validação adicional antes de serem utilizados em larga escala. |
Embora a tecnologia possa ser útil para informação básica e orientação inicial, delegar decisões críticas de saúde a algoritmos ainda não suficientemente testados pode custar vidas — literalmente. |
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BELIEVE IT OR NOT |
Síndrome de Tourette: quando o cérebro “fala” sem pedir permissão |
 | (Imagem: Expresso) |
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A síndrome de Tourette ganhou destaque mundial após John Davidson, convidado portador da condição, proferir um insulto racista durante a cerimônia do Prêmio da Academia Britânica de Cinema. |
Davidson é o tema do filme britânico independente I Swear, que retrata sua vida com a síndrome de Tourette. |
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O incidente gerou debate sobre inclusão e respeito, além de trazer à tona muitas dúvidas sobre essa condição neurológica pouco compreendida. |
Contextualizando… 🩺 |
A síndrome de Tourette é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por tiques involuntários que geralmente começam na infância e persistem por pelo menos um ano consecutivo. Existem dois tipos principais de tiques: |
Motores: incluem piscar excessivamente, expressões faciais, encolher os ombros ou gestos repetitivos. Vocais (ou fônicos): incluem assobios, fungadas, pigarros (ato de limpar a garganta) e repetição de sílabas, palavras ou frases.
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Em 2022, um estudo estimou que o transtorno afeta de 0,5% a 1% da população mundial, incluindo nomes conhecidos como os músicos Billie Eilish e Lewis Capaldi e o ator Seth Rogen. |
O caso de Capaldi, inclusive, ganhou destaque nos últimos anos. Durante um de seus shows, os tiques o impediram de cantar, e os fãs o ajudaram a finalizar uma de suas músicas mais famosas. Veja aqui. |
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Mas, em casos raros — como o de Davidson —, pode ocorrer a emissão involuntária de linguagem ofensiva ou obscena, fenômeno conhecido como coprolalia. Essa característica está presente em cerca de 10% a 15% das pessoas com síndrome de Tourette. |
🩺 Ele explica que o que as pessoas ouvem dele é literalmente a última coisa no mundo em que acredita. |
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E agora? Em comunicado, Davidson disse que se sente "profundamente atormentado" se alguém considerar seus tiques intencionais ou com algum significado. |
No fim das contas, o episódio envolvendo Davidson serve como lembrete de que empatia e educação são essenciais para reduzir o estigma sobre condições neurológicas que estão totalmente fora do controle de quem as possui. |
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