o varejo não quer mais produtos
Por the news business · 20 de outubro de 2026
20/10/2026


Boa tarde. Na edição de hoje, temos uma análise do porquê varejistas estão reduzindo seus portfólios, a Ri Happy pedindo recuperação extrajudicial e a crise no agro brasileiro pesando mais sobre os produtores rurais pessoa física.
Antes de começar, a curiosidade do dia: na semana passada, o documentário You Can See Everything, que acompanha a ex-empresária Elizabeth Holmes nos 34 dias anteriores ao início de sua prisão por fraude, debutou com US$ 15 milhões em bilheteria, tornando-se a 2ª maior estreia de um documentário não musical da história.
E você, consegue adivinhar qual documentário detém o recorde, com uma estreia de US$ 23,9 milhões? |
CASE DO DIA
Como o varejo está escolhendo quem fica na “prateleira”

(Imagem: Aïda Amer | Axios)
Por muito tempo, marcas enxergavam a ampliação de seus catálogos como uma receita natural para crescer. Afinal, ter mais produtos apresenta mais opções aos clientes que tende a aumentar as chances de uma venda.
O problema do “excesso” de opções é que nem todo produto vende bem. Itens encalhados acabam em liquidações, reduzem a margem e podem até prejudicar a imagem da marca quando aparecem com frequência em lojas de desconto.
Não é à toa que, ultimamente, a estratégia de grandes nomes do varejo, de marcas do moda a supermercados, tem sido cortar excessos para recuperar margens e simplificar operações.
Para entender essa mudança, vale conhecer um conceito: Unidade de Manutenção de Estoque (SKU), que é o código que identifica cada variação de um produto, como modelo, cor e tamanho. Quando uma empresa reduz SKUs, ela diminui o número de itens diferentes que precisa comprar, armazenar, expor e vender.
No caso da Lululemon, por exemplo, entre 2024 e 2025, suas vendas cresceram cerca de US$ 500 milhões, mas o lucro operacional caiu aproximadamente US$ 300 milhões. Ou seja, o aumento da receita não se traduziu em maior rentabilidade.
Corta para 2026, a marca comunicou que já reduziu em 15% os SKUs na América do Norte, uma estratégia que, para muitos, visa em tentar compensar a receita vendendo mais dos carros-chefe.
A Under Armour, após ver seus números caírem nos últimos 2 anos (gráfico abaixo), cortou seu portfólio em 25% e planeja reduzi-lo em mais 25%. A empresa reconheceu que perseguir volume de vendas a qualquer custo não resolveria seus problemas e passou a priorizar produtos com propósito mais claro e preços cheios.

(Imagem: CNBC)
Para redes como Dollar General e BJ’s Wholesale Club, que vendem produtos de inúmeras marcas, a lógica é um pouco diferente: elas precisam decidir quais produtos merecem ocupar as prateleiras. A redução pode simplificar estoques e abrir espaço para os itens mais vendidos, mas cortes mal planejados também afastam clientes.
Foi o que aconteceu com o BJ’s, que, após reduzir o número de itens disponíveis, perdeu vendas e precisou incluir parte deles novamente. Menos variedade só funciona quando a escolha é bem feita.
A estratégia também tem um custo potencial: consumidores que dependem de promoções podem deixar de comprar quando a empresa reduz liquidações. Para algumas marcas, essa perda é intencional. Uma venda com desconto pode aumentar o faturamento, mas contribuir pouco para o lucro.
Enquanto isso, no Brasil… 🇧🇷
A discussão ganha peso em um varejo alimentar que movimentou mais de R$ 1,145 trilhão em 2025, segundo a ABRAS. Com margens pressionadas e milhões de consumidores passando diariamente pelas lojas, decisões sobre giro, estoque e espaço de gôndola podem ter impacto relevante no resultado.
O movimento também muda a relação entre supermercados e fabricantes. Com menos espaço disponível, as marcas precisam demonstrar que geram demanda recorrente, abastecem com consistência e ajudam a categoria a vender melhor.
Um exemplo vem da Ypê, que aposta em marcas conhecidas e produtos de alto giro para defender seu espaço nas gôndolas. Segundo dados citados pela empresa, a marca está presente em 96,3% dos lares brasileiros. Em um sortimento mais enxuto, reconhecimento e recorrência de compra podem pesar ainda mais.
No caso da Westwing, o que grande questionamento foi se a empresa deveria competir com grandes marketplaces pela quantidade de opções. A resposta foi apostar em curadoria, produtos de maior valor agregado e uma proposta mais clara para quem compra itens de decoração.

(Imagem: Westwing | Divugação)
A mudança foi radical, com a empresa:
Reduzindo seu catálogo de cerca de 85 mil para 22 mil SKUs;
Trocando campanhas que mudavam diariamente por um portfólio semanal;
Vendo essa reestruturação ajudá-la a sair de um histórico de queima de caixa e registrar R$ 19,4 milhões gerados somente no 4º trimestre de 2025.
Bottom-line. O desafio é encontrar o tamanho certo. Um portfólio muito amplo dilui a demanda e aumenta a complexidade; um muito enxuto pode limitar escolhas e abrir espaço para concorrentes. O objetivo não é vender menos por princípio, mas concentrar recursos nos produtos que realmente geram valor.
TOGETHER WITH ZAPSIGN
Você só deu uma passadinha na sua mesa antes de pegar um café e…
Nunca mais conseguiu sair, né? Calma! Não foi só você. Na 3corações, essa montanha chegou a 220 mil folhas e, ironicamente, o Jurídico quase ficou sem tempo para o próprio cafezinho.
Mas eles deram a volta por cima. Sabe como?
Além de digitalizar as assinaturas, com a ZapSign a empresa integrou a gestão de documentos aos sistemas internos, criando uma esteira automática e 100% rastreável.
Hoje, já são mais de 70 mil documentos assinados — e tempo de sobra pro café (sem açúcar, claro).
Quer levar essa eficiência pra sua empresa? Veja aqui como a ZapSign pode te ajudar.
TOUR DE HEADLINES

(Crédito: Lana Pinho | Divulgação)
🧸 Ri Happy recorre à Justiça com R$ 827 milhões em dívidas. A maior rede de brinquedos do Brasil pediu recuperação extrajudicial para renegociar débitos, pressionada por juros altos, consumidores com menos poder de compra e concorrentes digitais. Apesar da crise, as lojas continuam abertas — e o setor de brinquedos cresceu 1,86% em vendas nominais em 2025. (the news money)
💸 Investidores estão abrindo menos a carteira para fintechs. As startups que usam tecnologia para inovar em serviços financeiros, como pagamentos e crédito, captaram US$ 10,6 bilhões globalmente no 3º trimestre de 2026, 21,4% menos que um ano antes. Já o número de rodadas de investimento caiu 31%. (Crunchbase News)
🚜 A crise no agro está pesando mais sobre os produtores rurais pessoa física. No segundo trimestre de 2026, os pedidos de renegociação de dívidas recuaram 20,7% em um ano, para 448. Na comparação com o trimestre anterior, porém, as solicitações de produtores rurais pessoa física subiram 8,2%, enquanto as de empresas do setor diminuíram 18,4%. (Exame)
PARA VOCÊ NÃO FICAR POR FORA
TOGETHER WITH CHATGPT
Vazou tudo que nosso CEO perguntou para o ChatGPT esta semana
Como vocês podem ver, o ChatGPT está virando o novo melhor amigo do nosso CEO…
Mas, brincadeiras à parte, também tem trabalho saindo dessas conversas. No modo Work do ChatGPT, ele está sempre enviando dados, reunindo referências e desenvolvendo análises e relatórios para compartilhar com o nosso time.
Agora, o que passou pela cabeça dele nas outras perguntas… a gente também queria saber, risos.
AROUND THE WEB
No início deste mês, surgiu nas redes sociais um vídeo da DJ “AZ” tocando música eletrônica em um evento de abertura da SF Tech Week.
Acontece que ela não é apenas uma DJ, mas uma investidora de capital de risco bem-sucedida, com aportes em empresas como Eragon, Workstream e Riogrande.
Mas o fator que talvez tenha feito o vídeo viralizar é que AZ, em seu nome artístico, são as iniciais de seu nome: Arielle Zuckerberg. Sim, ela é irmã de Mark Zuckerberg, dono da Meta, e atua como DJ desde 2018, passando pelo Burning Man e por festivais de pequeno porte.
QUICK TAKES
🔍️ PARA DESCOBRIR: O belo “Pix” que David Zaslav, ex-CEO da Warner Bros. Discovery, vai receber com a venda da empresa para a Paramount Skydance.
😲 PARA SE IMPRESSIONAR: 7 empresas brasileiras estão entre as melhores do mundo para mulheres.
🖥️ PARA ASSISTIR: Como o perfume do Cebolinha, da Turma da Mônica, chega a vender 200 mil unidades em 6 minutos.
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