Boa tarde. Na edição de hoje, temos a estratégia que fez a Gap acumular 11 trimestres seguidos de altas nas vendas, o Spotify levando os audiolivros para mais países (incluindo o Brasil) e o iFood explorando uma nova aquisição. |
Antes de começar, a curiosidade do dia: quando você entra em um programa de fidelidade, provavelmente pensa em ganhar descontos. Um jornalista da WIRED se assustou ao descobrir que, em troca, o McDonald’s também estava construindo um retrato bastante detalhado de seus hábitos. |
E você, consegue adivinhar quantas páginas tinha o dossiê que ele recebeu? |
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QUICK TAKES |
📖 PARA LER: A apresentação original usada pelo Android antes de ser comprado pelo Google. |
🔍️ PARA DESCOBRIR: A rotina do “bilionário mais humilde” do Brasil. |
😲 PARA SE SURPREENDER: A fonte de financiamento mais cobiçada pelos fundadores do Vale do Silício. |
✍️ PARA APRENDER: Como ter “senso de dono” para crescer dentro de uma empresa (sem vender sua alma) |
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CASE DO DIA |
Como Gap está usando seu passado para transformar seu futuro |
Camisetas básicas, calças khakis e moletons com apenas três letras grandes estampadas no centro. Nos anos 1990, a Gap era uma das marcas que dominava o varejo americano, chegando a abrir quase uma loja por dia. |
Só que o excesso de estoque foi crescendo, os descontos se multiplicaram e, para piorar, marcas de fast e ultra fast fashion avançaram (com o perdão do trocadilho, risos) rapidamente. Esse combo contribuiu para que, em 2020, seu valor de mercado caísse mais de 90%. |
 | (Imagem: S&P Global | Fortune Magazine) |
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Segundo analistas, a Gap tentou ser tudo para todos e acabou perdendo identidade, relevância e margem. Além de vender menos, o problema foi que a marca passou a oferecer produtos sem a mesma história que um dia fazia seus consumidores quererem usá-los. |
A resposta foi voltar às raízes: unir cultura e comércio. |
Para se ter uma ideia, no início, a Gap vendia discos de vinil em suas lojas e, anos depois, teve ícones da arte como Salvador Dalì figurando em anúncios. Assim, jeans, moletons e outros itens básicos continuariam no centro, mas ganhariam uma embalagem cultural para conversar com consumidores mais jovens. |
Essa estratégia começou a ganhar força em 2023 com a entrada de Richard Dickson como CEO. O executivo foi quem ajudou a transformar a Barbie em um fenômeno de US$ 1,7 bilhão na Mattel. |
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Entra em cena o que eles passaram a chamar de “fashiontainment”: música, dança, celebridades, nostalgia e campanhas desenhadas para funcionar como entretenimento, não apenas como publicidade. |
A fórmula ganhou força com artistas como os cantores Tyla e Troye Sivan, mas explodiu com o grupo musical feminino Katseye em 2025. A campanha “Better in Denim” gerou 8 bilhões de impressões e mais de 500 milhões de visualizações. As vendas da Gap cresceram 7% no período. |
 | (Imagem: Gap | Divulgação) |
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A estratégia também ajudou a marca a chegar ao 6º lugar entre as maiores de jeans adulto nos EUA, duas posições acima de 2024. O objetivo é transformar a conversa nas redes sociais em visitas às lojas e, depois, em compras. |
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A lógica parece funcionar especialmente com consumidores mais jovens, que chegam às unidades da Gap, experimentam as peças, tiram fotos e compartilham o conteúdo. Ou seja, o próprio cliente acaba “virando” parte da campanha. |
Ao mesmo tempo, a nostalgia ganhou um papel importante. A marca combina referências dos anos 1990 e 2000 com nomes atuais, como Hailey Bieber e Young Miko, criando uma ponte entre quem já conhecia a Gap e uma geração que está descobrindo seus clássicos pela primeira vez. |
O objetivo, portanto, não é simplesmente viralizar... |
… é reduzir a dependência de descontos, recuperar poder de precificação e, principalmente, fazer com que as pessoas tenham um motivo para escolher a Gap, mesmo quando outra marca oferece produtos parecidos — e os primeiros sinais financeiros já apareceram: |
Receita de US$ 796 milhões no 1º trimestre fiscal de 2026 (fechou em 02/05), um de seus melhores desempenhos em 20 anos; No final de agosto, acumulava 11 trimestres consecutivos de alta em same-stores sales, indicador financeiro que mede o crescimento ou a queda de faturamento em lojas já existentes (não inclui os resultados de unidades abertas ou fechadas).
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 | (Imagem: Gap | Divulgação) |
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Mas nem tudo são flores. A Gap faz parte de um grupo com outras 3 marcas, sendo a Old Navy a maior e mais importante para os resultados financeiros — responsável por 57% das vendas líquidas. O desafio será descobrir se o mesmo modelo cultural funciona para consumidores mais sensíveis a preço. |
The Big Picture. O grupo também investiu em pessoas-chave, trazendo Zac Posen como o primeiro responsável criativo transversal às quatro marcas e adicionando nomes como Reed Krakoff, para acessórios, e John Demsey, para beleza, ampliando a ambição para além das roupas básicas. |
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TOUR DE HEADLINES |
 | (Imagem: Spotify | Divulgação) |
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🎧 Spotify impulsiona audiolivros globalmente. A plataforma vai ampliar a oferta de 22 para mais de 180 mercados até o fim de 2026, com catálogos em mais de 120 idiomas. O Brasil está entre os novos mercados, com títulos em português e obras de autores como Paulo Coelho e Jorge Amado. (Spotify) |
🍽️ O iFood parece querer adicionar Caju ao seu prato. Segundo apurado pelo Pipeline, a gigante do delivery negocia a aquisição da plataforma Caju. O negócio pode elevar sua base de usuários em benefícios corporativos de 1,5 milhão para cerca de 3 milhões, colocando o iFood ainda mais perto de sua meta de liderar o mercado de benefícios no Brasil. (Pipeline Valor) |
💳 A inteligência artificial está indo cada vez mais para o mercado de dívida? A Broadcom negocia mais de US$ 50 bilhões em financiamento para chips customizados da OpenAI, a SpaceX conversa com credores sobre uma operação de US$ 40 bilhões para comprar chips da Nvidia e a Oracle disse que também busca financiar uma grande aquisição de hardware. (The Wall Street Journal) |
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DICA DO DIA |
| A imagem ao lado é a capa de A Regra é Não Ter Regras, uma coprodução entre a autora e professora Erin Meyer e o cofundador e ex-CEO da Netflix, Reed Hastings. | A obra, que conta os bastidores da cultura da gigante do streaming, é uma das mais recomendadas tanto entre executivos estrangeiros quanto entre executivos brasileiros, incluindo a vice-presidente da Cimed, Karla Marques Felmanas. | Para ela, o livro é ótimo para “quem quer saber mais sobre a importância da cultura para uma empresa se diferenciar no mercado.” |
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