BIG STORY |
Lito Sousa é diagnosticado com doença rara e entra em fila de estudo de Harvard |
 | (Imagem: Estadão) |
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Se você é um amante da aviação, certamente já viu algum dos vídeos do influenciador Lito Sousa. E, recentemente, seu nome esteve em alta, mas, desta vez, por um triste motivo: sua família tornou público que ele foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição neurológica rara e sem cura. |
No dia seguinte, entretanto, veio a informação de que Lito está na lista de espera de um estudo de Harvard sobre a doença. |
Sobre a condição 🩺 |
O primeiro aspecto mais relevante diz respeito à raridade da doença: ela atinge cerca de 1 pessoa a cada 1 milhão por ano. |
Ela é causada por príons, proteínas naturais do cérebro que se dobram de forma errada e se tornam tóxicas. O problema é que essa versão defeituosa funciona como um molde, forçando as proteínas vizinhas a assumirem o mesmo formato. |
🩺 Por fim, trata-se de uma reação em cadeia que mata neurônios e deixa o tecido cerebral com “aspecto de esponja”. Daí vem o nome encefalopatia espongiforme. |
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 | (Imagem: Mayo Clinic) |
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Um prognóstico extremamente reservado |
Na prática, isso se traduz em perda rápida de movimentos, contrações musculares involuntárias e declínio cognitivo acelerado. |
Cerca de 85% dos casos são esporádicos, ou seja, surgem sem causa conhecida, e o restante se divide entre formas hereditárias e adquiridas. Entre as adquiridas, as principais causas são: |
Transplantes de córnea ou de dura-máter provenientes de doadores infectados; Instrumentos cirúrgicos contaminados; Consumo de carne bovina com encefalopatia espongiforme, a chamada “doença da vaca louca”.
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A evolução é rápida, com aproximadamente 90% dos pacientes falecendo em até um ano após os primeiros sintomas — e, infelizmente, não existe hoje nenhum tratamento capaz de frear a doença. O cuidado se concentra no controle dos sintomas. |
A aposta científica mais avançada é reduzir a produção da proteína priônica dentro do cérebro, antes que ela tenha a oportunidade de se dobrar de forma errada. |
Uma das frentes usa oligonucleotídeos antisense, moléculas aplicadas na coluna que desligam parcialmente a fabricação dessa proteína. A outra usa siRNA, que destrói o RNA mensageiro da proteína antes mesmo que ela seja produzida, estratégia testada em um estudo do Broad Institute of MIT and Harvard, iniciado em abril deste ano.
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Em camundongos, uma dose única após o início dos sintomas aumentou a sobrevida em 64%. |
E agora? |
Os dois caminhos ainda estão longe do consultório, já que os ensaios em andamento avaliam segurança e dose, não eficácia. Protocolos assim também costumam exigir pacientes em estágio inicial, com cada candidato passando por avaliação da própria equipe de pesquisa. |
Portanto, informar que existe pesquisa é correto, mas transformar pesquisa em promessa de tratamento, isso não é. |
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GAME DO ESTAGIÁRIO |
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RESEARCH |
A gratidão realmente melhora o humor? |
 | (Imagem: Pinterest) |
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Um megaestudo publicado recentemente testou práticas de gratidão em 34 países e mostrou que todas elas melhoraram o bem-estar dos participantes. |
Ao todo, foram mais de 10 mil voluntários. No Brasil, 598 pessoas responderam às intervenções. |
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Os pesquisadores compararam seis práticas de gratidão com três tarefas de controle, que não envolviam agradecer nada. As tarefas eram: |
Escrever e enviar uma mensagem a alguém por quem se é grato — a que teve o maior efeito; Escrever uma carta a uma pessoa a quem se é grato, mas não enviá-la; Escrever sobre três coisas ocorridas na semana anterior, refletindo sobre o que você recebeu, o que você deu e o que mais poderia fazer para ajudar; Pensar e escrever sobre cinco coisas do dia anterior pelas quais se é grato e, em seguida, imaginar como seria a vida sem elas; Escrever uma carta a Deus, a uma força superior ou a alguma entidade espiritual, reconhecendo o que lhe foi dado; Listar cinco coisas pelas quais se é grato — a mais popular e a de menor impacto entre as seis.
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A opinião dos pesquisadores |
A principal conclusão foi a de que a gratidão faz bem menos pelo que ela move na cabeça e mais pelo que ela cria entre as pessoas. |
A variação entre os países, no entanto, foi maior do que a variação entre as práticas. |
No 🇲🇽 México, o impacto foi o mais forte de todos; Já na 🇳🇴 Noruega, o efeito foi praticamente nulo; O 🇧🇷 Brasil, por sua vez, ficou no meio da escala.
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No entanto, vale o freio de mão. Os ganhos descritos no artigo são pequenos e foram medidos logo depois de uma única prática. O único efeito considerado quase universal foi o afeto positivo, o termo técnico para o bom humor do momento. |
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Em poucos dias, você pode esquecer metade do que aprendeu |
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BELIEVE IT OR NOT |
Por que temos medo de coisas que certamente não vão nos machucar? |
 | (Imagem: Vadim Bogulov | Unsplash) |
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Vamos fazer um exercício: quantas pessoas você acredita que morram anualmente por picadas de aranha? A resposta: menos de 10. |
Ainda assim, a aracnofobia é uma das condições psicológicas mais relatadas, e esse é justamente o traço que define uma fobia: um medo intenso de algo que, na prática, dificilmente vai causar um dano sério. |
Entenda a condição 😱 |
O medo em si é útil. Ele é uma resposta automática que prepara o corpo para lutar ou fugir. Por isso, foi selecionado ao longo da evolução. |
A fobia, por sua vez, é classificada como um transtorno de ansiedade. O que a separa do medo comum não é o objeto, mas a desproporção entre a ameaça real e a reação do corpo.
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Uma explicação para a lista de medos mais comuns é a teoria da preparação, ideia de que nascemos com maior facilidade para aprender a temer certos estímulos. Cobras, aranhas e alturas, por exemplo, eram ameaças reais para nossos ancestrais. |
Repare que o padrão de movimento entra na conta. Bebês se habituam a animais de quatro patas caminhando, enquanto cobras e aranhas se deslocam de um jeito que foge desse repertório. |
Mas a evolução não explica tudo… |
A predisposição sozinha não produz uma fobia. Ela precisa de um gatilho, e existem pelo menos três caminhos conhecidos, sendo o mais direto a experiência negativa com o objeto, como levar uma mordida. |
Também é possível aprender o medo observando a reação de outra pessoa e por influência cultural, quando o medo é transmitido pelo que se ouve falar. |
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E quando procurar ajuda? O critério não é a intensidade do medo, mas, sim, o prejuízo. Se evitar o objeto ou a situação já está atrapalhando sua rotina, trabalho ou vida social, vale procurar um profissional. |
O tratamento com melhor evidência é a terapia de exposição, que expõe a pessoa ao estímulo temido de forma gradual e controlada, justamente para quebrar o ciclo de evitação. |
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