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Lula 4, e agora?

O próximo mandato de Lula começa oficialmente em 5 de janeiro de 2027, não em 1° de janeiro, como acontecia tradicionalmente — depois de uma nova regra aprovada em 2021.

Por Redação

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O próximo mandato de Lula começa oficialmente em 5 de janeiro de 2027, não em 1° de janeiro, como acontecia tradicionalmente — depois de uma nova regra aprovada em 2021.
(Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil)

O clima ontem foi de final de Copa, e teve direito até a prorrogação. Com brasileiros divididos, aos 45’ do segundo tempo, uma decisão do TSE prorrogou as votações no Brasil pela primeira vez na história do país.

Vamos do início porque a história é longa e conturbada

Tudo começou pela tarde, quando a campanha do PT solicitou a extensão do horário da votação em três municípios baianos: Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas. O motivo para o pedido eram os problemas nos serviços de transportes públicos das cidades, principalmente falta de efetivo de ônibus.

  • Em entrevista, Lula criticou os prefeitos dos municípios, acusando-os de “banditismo”. A Justiça Eleitoral determinou a prisão do Secretário de Mobilidade de Salvador — mas ele estava em viagem a Paris.

  • O prefeito de Salvador negou erro, afirmou que sindicalistas colaram adesivos do Lula em ônibus públicos, prejudicando a operação. Por lei, transportes não podem circular com propaganda política. Ele postou imagens do ocorrido.

Às 16h, a campanha do PT protocolou uma petição no STF e no TSE com pedido de liminar de urgência solicitando a prorrogação do horário de encerramento da votação até as 19h em mais municípios de outros nove estados além da Bahia, incluindo SP, PE e RJ.

Na sequência, às 16h40, a campanha do Flávio Bolsonaro pediu ao TSE mais 2 horas de votação em 17 municípios de SP, PR e SC, afirmando que chuvas, alagamentos e interdições dificultaram a chegada de eleitores às urnas.

Pouco depois de 17h, sem uma definição do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, foi divulgada a decisão do ministro do STF, Cristiano Zanin, sorteado relator do caso, determinando que o TSE prorrogasse as urnas em todo o país até as 19h.

  • Segundo a jornalista Malu Gaspar, a decisão de Zanin, ex-advogado pessoal de Lula e indicado por ele ao Supremo, em 2023, gerou insatisfação nos outros ministros do STF.

Às 17h49, uma hora depois do que seria o horário do fim das urnas, Kassio Nunes assinou um documento oficializando a prorrogação nas urnas ainda abertas.

(Imagem: the news | Reprodução)

Mas nesse meio tempo a coisa escalou…

Os Tribunais Regionais Eleitorais de vários estados se pronunciaram contra a decisão, por já terem fechado muitas urnas. As máquinas de votação têm um sistema que, por segurança, torna impossível reabri-las para novos votos.

Ou seja, na prática, alguns “atrasados do ENEM das eleições” que tentaram votar acabaram dando de cara com portões fechados, enquanto outros conseguiram votar.

Com a repercussão e a polêmica, Kassio Nunes disse que a decisão valia apenas para as urnas que estavam abertas, alterando a decisão anterior.

Em meio à turbulência, fato é que as últimas urnas fecharam às 19h, mas diversas urnas fecharam às 17h, marcando algo duplamente sem precedente na história do país — a prorrogação e diferentes urnas fechando em horários diferentes.

Com toda essa confusão, a coletiva de Flávio Bolsonaro após os resultados foi de tom duro e criticando toda a situação. Ele não citou, nem reconheceu formalmente, a vitória de Lula. Em outras palavras, ainda tem muita água para rolar debaixo dessa ponte…

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